Editorial: A farsa presidencialista – Brasil, um parlamentarismo de fachada que nos afunda
Basta de eufemismos e panos quentes. O Brasil não é mais, na prática, um país presidencialista. O que vivenciamos é uma farsa, um arremedo de parlamentarismo onde o chefe do Executivo, por mais que insista em sua autoridade, é refém de um Congresso que dita as regras, impõe sua agenda e, quando lhe convém, abandona o barco sem pudor. A recente e fragorosa derrota do governo na tentativa de reintroduzir o IOF não é um mero revés; é a prova cabal de que a Presidência da República se tornou um cargo figurativo, desprovido de real poder de articulação e imposição.
A queda do IOF não foi um acidente. Foi um ato deliberado de um Congresso que, ao que tudo indica, já virou as costas para o atual governo. Os parlamentares, sempre atentos aos ventos da opinião pública e às últimas pesquisas eleitorais, parecem ter abandonado o presidente à própria sorte. Não é preciso ser um gênio da política para perceber que a lealdade, quando existe, é volátil e instrumental. Em um ano pré-eleitoral, a preocupação em agradar o eleitorado e construir palanques futuros supera qualquer compromisso com a governabilidade ou com as propostas do Executivo. A cada votação importante, fica mais evidente que o Planalto já não detém a capacidade de negociação e convencimento necessária para aprovar suas pautas, por mais urgentes que sejam. A Presidência virou um mero balcão de negociações, onde cada voto é barganhado a peso de ouro, não por convicção, mas por interesses.
E essa realidade é um atestado de óbito para o futuro do Brasil. Vivemos em um mundo de velocidade alucinante, onde as decisões precisam ser ágeis, as reformas estruturais, imediatas, e a capacidade de adaptação, constante. O engessamento institucional brasileiro, com suas infinitas burocracias, seu presidencialismo manco e seu parlamentarismo disfarçado, é um freio de mão puxado em um carro que já está atrasado na corrida global. Enquanto nações desenvolvidas agem com rapidez para enfrentar crises e aproveitar oportunidades, o Brasil patina, preso em um labirinto de negociações infindáveis, chantagens veladas e um jogo de poder que beneficia poucos em detrimento de muitos.
É URGENTE! Precisamos ter a coragem de olhar para o espelho e admitir que o modelo atual falhou. Não podemos continuar a nos iludir com a fachada presidencialista enquanto, na prática, o país é governado por um Congresso fragmentado e movido por interesses próprios. A inação diante desse cenário é cumplicidade com o atraso. É hora de revisitar com seriedade e sem ideologias arcaicas o nosso sistema de governo. Ou encaramos a realidade e promovemos as mudanças necessárias para destravar o Brasil, ou continuaremos a assistir, inertes, ao nosso próprio afundamento. A paciência da população tem limites, e o tempo, ah, o tempo não espera por ninguém.
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