Sensor criado por alunos de União da Vitória conquista prêmio nacional de inovação
Um projeto criado por estudantes do Ensino Médio do Sesc Senac de União da Vitória chamou a atenção durante a Feira de Inovação e Ciências (Ficiências 2025), realizada em Foz do Iguaçu.
A iniciativa, batizada de “Por Água Abaixo”, conquistou o 3º lugar na classificação geral do evento, um dos maiores encontros científicos estudantis do país, patrocinado pela Itaipu Binacional.
A ideia surgiu a partir de uma realidade conhecida pelos moradores de União da Vitória e Porto União: as enchentes do Rio Iguaçu. Orientados pelo professor Diego Saldanha, os estudantes desenvolveram um sistema de alerta de baixo custo que utiliza sensores e iluminação em postes para indicar níveis de risco durante períodos de cheia.
Segundo o professor, o objetivo sempre foi criar uma solução acessível que pudesse ajudar a população em situações de emergência. “A nossa intenção era desenvolver algo barato e fácil de aplicar. Pensamos em uma ferramenta que pudesse auxiliar as pessoas a identificar rapidamente situações de atenção e perigo causadas pelas enchentes”, explica.
O sistema funciona de forma semelhante a um semáforo. A luz verde indica situação normal; a azul representa estado de atenção; e a vermelha alerta para risco elevado. A proposta é que os sensores sejam instalados em pontos estratégicos das áreas mais vulneráveis às cheias.
As estudantes Gabrieli Doopiati e Júlia de Lima contam que a inspiração também veio das enchentes registradas no Rio Grande do Sul. “Pensamos principalmente nas pessoas que têm pouco acesso à informação, como idosos que não utilizam celular ou internet. A mudança na iluminação dos postes permitiria que elas percebessem o risco mesmo de dentro de casa e tivessem mais tempo para sair em segurança”, destaca Gabrieli.
Além da maquete apresentada na feira, o grupo já trabalha em uma nova etapa do projeto. A ideia é desenvolver um aplicativo que forneça informações em tempo real sobre áreas alagadas, rotas seguras de evacuação, locais de apoio e até um botão de SOS para pedidos de ajuda.
Outra proposta em estudo é a instalação de totens informativos em pontos estratégicos das cidades. Segundo os estudantes, eles seriam uma alternativa para pessoas que não possuem familiaridade com aplicativos e tecnologias digitais.
A conquista na Ficiências surpreendeu o grupo. Júlia lembra que a equipe não esperava figurar entre os destaques gerais do evento. “Quando não fomos chamados na nossa categoria, pensamos que não ganharíamos nada. Depois anunciaram nosso nome na classificação geral, e foi uma emoção muito grande. Saímos correndo para receber o prêmio”, relata.
Para o professor Diego, mais do que a premiação, o reconhecimento demonstra o potencial da iniciação científica para transformar ideias em soluções capazes de beneficiar a comunidade. “Nosso sonho é ver esse projeto funcionando na prática, nem que seja inicialmente em um único poste. Seria muito gratificante mostrar que uma ideia criada por alunos daqui pode ajudar a salvar vidas”, afirma.
A participação na Ficiências também proporcionou aos estudantes uma experiência marcante de troca de conhecimentos, novas amizades e contato com projetos de diferentes regiões do país, reforçando o incentivo à pesquisa e à inovação entre os jovens.




