De União da Vitória à Copa do Mundo de Clubes: nova vida nos Estados Unidos
Morando nos Estados Unidos desde o início do ano, a família de Tamy e Rafael Torres, naturais de União da Vitória, está vivenciando uma nova realidade longe do Brasil — e, ao mesmo tempo, muito próxima do maior torneio interclubes do mundo. A mudança aconteceu por conta de uma missão do Exército Brasileiro, da qual Rafael faz parte. A família está morando em Columbus, cidade localizada a cerca de 172 km de Atlanta, no estado da Geórgia.
Junto de dois de seus três filhos, Henrique e Maite – Gabriele está no Brasil concluindo a faculdade – o casal embarcou nessa nova fase. Segundo Tamy, o processo de adaptação tem sido gradual — e desafiador.
Copa do Mundo de Clubes
Recentemente, a família participou de uma das partidas da Copa do Mundo de Clubes da FIFA, entre Manchester City e Al Ain, realizada no Estádio Mercedes-Benz, em Atlanta. O momento se tornou ainda mais marcante quando os quatro apareceram no telão do estádio durante o evento.
“A estrutura impressiona. O estádio é climatizado, tem teto retrátil, áreas de alimentação por todos os lados, obras de arte, espaços com jogos e muita interação com o público”, contou Tamy.
“Ficamos surpresos com o nível de organização. A pessoa que comanda o estádio interage com os torcedores o tempo todo e tudo aparece no telão. Foi uma experiência que marcou nossa família.”
O estádio, com capacidade para 71 mil pessoas, recebeu mais de 40 mil torcedores na noite do jogo. Segundo Tamy, o ambiente também foi uma novidade para quem está acostumado ao jeito brasileiro de torcer.
“O torcedor aqui é bem mais calado, assiste ao jogo concentrado, sem gritar muito. Mas encontramos vários brasileiros com a camisa de seus times: Flamengo, Vasco, Palmeiras, São Paulo, Botafogo, Fluminense… Foi legal ver essa mistura de culturas.”
Desafios da adaptação à nova cultura
De acordo com Tamy, o idioma tem sido uma das maiores barreiras. “O inglês falado aqui tem muito sotaque, e mesmo quando a gente entende a palavra, às vezes é difícil compreender o que estão dizendo. E se fazer entender também não é simples.”
Outro ponto que exigiu mudanças foi a alimentação. “A comida é completamente diferente da nossa. Sinto falta de muita coisa, principalmente das refeições do dia a dia. Mas conseguimos manter alguns costumes comprando produtos brasileiros pela internet.”
Os filhos, por enquanto, ainda não começaram a frequentar a escola, já que o ano letivo nos Estados Unidos vai de agosto a maio.
“Eles estão de férias e estão aproveitando bastante. Já começaram a fazer amizade com os vizinhos, mesmo sem dominar o inglês. Buscam o celular, pedem ajuda para traduzir e vão tentando. Estão se virando bem e aos poucos vão se adaptando”, relatou Tamy.
Mesmo longe do Brasil, o futebol continua sendo um elo importante com as raízes. Torcedores do Flamengo, a família acompanha os jogos do clube mesmo à distância.
“Os jogos do Flamengo nessa Copa estão acontecendo em cidades muito distantes da nossa, o que dificulta nossa presença por conta do trabalho. Mas sempre que o time joga, colocamos a camisa, acompanhamos e torcemos. Encontrar outros torcedores no estádio foi emocionante. É um jeito de manter nossa ligação com o Brasil.”
Conexão com o Brasil e planos de retorno
Para Tamy, estar em um evento esportivo de escala mundial morando fora do país também trouxe reflexões.
“Sentimos muita gratidão por estar aqui, mas ao mesmo tempo começamos a valorizar ainda mais o que tínhamos no Brasil. Nossas raízes, nossa cultura, a maneira como vivemos o futebol… tudo isso faz falta. Estar fora nos ajuda a perceber o quanto isso é importante.”
Apesar da adaptação positiva, a mudança não é definitiva. A família pretende retornar ao Brasil.
“A previsão é ficarmos por dois anos. Nosso plano é voltar, sim. Sentimos falta da família, da comida, da rotina que tínhamos. É uma experiência valiosa, mas sabemos de onde viemos e o que queremos levar de volta conosco.”
Vivendo entre a rotina americana e momentos marcantes como a Copa do Mundo de Clubes, a família união-vitoriense segue construindo novas histórias, sem perder a conexão com o Brasil — seja pela camisa rubro-negra do Flamengo, pelas receitas brasileiras na mesa ou pelo simples hábito de torcer junto, mesmo a milhares de quilômetros de casa.
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