Do sítio à TV: chef de Porto União conquista o Brasil com doce sem lactose
A cozinha sempre foi o lugar preferido de Elisa Moraz — e agora, também é onde ela brilha nacionalmente. Natural de Porto União (SC) e moradora da zona rural de Joinville (SC), a chef venceu o episódio “Doces Sem Lactose” da 11ª temporada do programa ‘Que Seja Doce’, exibido pelo GNT, um dos mais tradicionais da confeitaria brasileira. (Ouça a entrevista no final da reportagem).
A vitória veio com um doce de leite de castanha de caju totalmente autoral, feito sem lactose e sem produtos industrializados.
Mais do que uma receita, Elisa levou à TV sua história, carregada de afeto, raízes rurais e reinvenção. “Participar do programa foi um divisor de águas. Uma confirmação de que estou no caminho certo, fazendo o que eu amo, com propósito e respeito pela comida e pelas pessoas”, afirma a chef, que também é empreendedora e criadora de conteúdo.
A conexão de Elisa com a gastronomia começou na infância, no sítio onde cresceu, no interior de Porto União.
“Minha infância foi muito feliz. Cresci no mato, em contato com horta, animais e comida de verdade. A gente era muito unido, e tudo acontecia em volta da mesa. A cozinha era um lugar de afeto — e ainda é.”
Com raízes italianas, ela aprendeu desde cedo a importância dos encontros à mesa.
Mas o caminho até o sucesso na TV não foi direto. Antes de se tornar chef, Elisa trabalhava como cabeleireira em Porto União, em um salão conceituado. A mudança de cidade, acompanhada da chegada do segundo filho, foi o ponto de virada.
“Cheguei em Joinville grávida. Voltar a trabalhar grávida em salão era muito difícil. E eu já vinha sentindo vontade de mudar de carreira. Foi quando descobri um curso de gastronomia e resolvi começar do zero.”
O nascimento do filho mais novo impulsionou ainda mais essa decisão. “A maternidade foi um reencontro comigo mesma. Ficar em casa com ele me fez lembrar de como eu amava cozinhar. E por necessidade e amor, abri uma cozinha de produção na minha própria casa.”
A partir desse espaço íntimo, ela começou a construir uma marca pessoal, que une gastronomia afetiva, ingredientes regionais e um olhar atento para a inclusão alimentar.
“A gastronomia inclusiva é uma proposta de vida pra mim. Acredito que todos devem poder comer bem, com sabor e prazer, mesmo com restrições. Trabalhar sem glúten, sem lactose, com ingredientes naturais e afetividade — isso é o que eu mais gosto de fazer.”
O doce vencedor do programa foi um reflexo desse conceito. “Não queria usar nada industrializado. A castanha de caju é nossa, é rica, saborosa, cheia de história. Transformar isso em um doce foi uma forma de valorizar o que temos de melhor.”
Outro pilar do trabalho de Elisa é a conexão com a terra. Morando em uma área rural de Joinville, ela planta parte dos insumos que usa e mantém uma relação direta com produtores locais.
“Estar perto da natureza faz parte do meu processo criativo. Desde Porto União, eu ia nas feirinhas, conhecia os produtores. Aqui, mantive isso. Meu estilo de cozinha é saudável, natural, com identidade. Gosto de usar ingredientes que têm história, que às vezes nem são conhecidos por todo mundo, mas que nossos antepassados valorizavam.”
Além de cozinheira, Elisa também atua como criadora de conteúdo nas redes sociais, compartilha receitas, bastidores de eventos e experiências com quem a acompanha.
“Minha cozinha é itinerante. Levo tudo no carro e vou onde me chamam. Já fiz eventos em várias cidades. Agora, meu próximo passo é transformar minha casa na zona rural em um espaço de experiências gastronômicas. Quero receber as pessoas, compartilhar minha comida, minha história e esse lugar especial que me inspira todos os dias.”
Para quem sonha seguir na gastronomia, ela deixa um conselho realista e inspirador: “Não é fácil. A gente vê glamour na TV, mas exige muito estudo, pesquisa, dedicação. Precisa gostar de verdade, porque são muitas horas, muita entrega. Mas quando é feito com o coração, tudo vale a pena.”
Com afeto, talento e autenticidade, Elisa Moraz mostra que é possível transformar a própria história em inspiração — e que da cozinha de casa ao estúdio de TV, o sabor do que é verdadeiro sempre conquista.
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