CACESUL defende união empresarial e alerta para desafios econômicos

Luciano Moreira de Castilho, presidente da CASESUL

O fortalecimento do associativismo, a adaptação ao comércio digital e a atenção às mudanças tributárias estão entre os principais desafios enfrentados pelos empresários do Centro-Sul do Paraná. A avaliação é do presidente da Coordenadoria das Associações Comerciais do Centro-Sul do Paraná (CACESUL), Luciano Moreira de Castilho, que concedeu entrevista ao Comércio detalhando o cenário econômico regional e as estratégias da entidade para impulsionar o desenvolvimento.

Segundo ele, a coordenadoria reúne atualmente 14 associações comerciais em 20 municípios, representando cerca de 2 mil empresas.

“O nosso papel é discutir com os representantes municipais, estaduais e federais e fazer com que eles nos ouçam. O empresário precisa de voz, e essa voz está na associação comercial”, afirma.

Reforma tributária e novas regras preocupam empresários

Entre as principais demandas, Castilho destaca as incertezas relacionadas às mudanças no sistema tributário.

“O novo Código Tributário ainda não está totalmente regulamentado. Muitos contadores ainda não sabem explicar aos empresários como proceder. Isso nos assusta bastante”, pontua.

Outra preocupação envolve debates nacionais sobre alterações na escala de trabalho. Para ele, decisões dessa natureza podem impactar diretamente os pequenos negócios.

“Se uma padaria precisar contratar mais um funcionário, provavelmente o preço do pão vai subir. São reflexos que chegam ao consumidor”, observa.

Comércio online exige mudança de mentalidade

O avanço das vendas pela internet é apontado como um dos principais desafios para o comércio local. Castilho cita dados de municípios de pequeno porte com milhares de entregas diárias de grandes plataformas digitais.

“Não é só o consumidor da cidade que compra online. O agricultor lá do interior também está com o celular na mão fazendo compras. O empresário precisa mudar o estilo da loja, do atendimento e oferecer experiência ao cliente. Senão, perde espaço todos os dias”, alerta.

Ele defende que o comércio físico também invista na presença digital. “Quem tem loja na avenida pode ter loja online e vender para o Brasil inteiro. Mas precisa ter visão estratégica.”

Cultura regional e o desafio do associativismo

Castilho reconhece que o perfil cultural da região ainda impõe barreiras ao associativismo. Ele compara os números locais com os do Oeste do Paraná, onde o cooperativismo é mais consolidado.

“Temos 2 mil empresas associadas em toda a região. Em uma única cidade do Oeste, com cerca de 50 mil habitantes, há mais de 2 mil associadas. Lá eles são muito mais cooperativistas. Nosso papel é plantar essa semente”, destaca.

Para ampliar a participação, a entidade incentiva a criação de núcleos da mulher e dos jovens empreendedores nas associações municipais. “Às vezes o pequeno empresário precisa muito mais da associação do que o grande. E ele precisa se sentir convidado a participar.”

Inovação, capacitação e missões internacionais

A transformação digital é outra prioridade. No último ano, a entidade promoveu uma missão técnica à China para conhecer práticas de inovação no varejo.

“Eles estão anos à nossa frente. Fiz compras pagando com a palma da mão. Isso mostra o quanto precisamos discutir tecnologia e digitalização aqui”, relata.

Parcerias com entidades como Sebrae, SENAC, SESI e SENAI viabilizam cursos e consultorias com valores reduzidos aos associados. “São oportunidades que ajudam o pequeno negócio a se modernizar e ganhar competitividade.”

Interior precisa manter empresas ativas

Sobre o cenário econômico, Castilho reconhece dificuldades nacionais que impactam diretamente comércio e serviços. “Se o cliente aperta o orçamento, ele deixa de consumir serviços. Isso afeta o barbeiro, a pequena loja, o prestador de serviço.”

Ele defende diálogo permanente com representantes políticos, especialmente em períodos eleitorais. “A associação não apoia candidatos, mas precisa conversar com quem defende pautas importantes para o setor. Se houver aumento de ICMS, por exemplo, precisamos ter quem nos represente.”

Planejamento e integração regional

Entre as ações recentes, a entidade lançou uma revista institucional com tiragem de 5 mil exemplares, distribuída em municípios da área de atuação, como instrumento de diálogo com o poder público e empresários.

Castilho lembra ainda do papel das associações durante a pandemia, quando houve articulação para equilibrar medidas sanitárias e manutenção das atividades econômicas. “Se conseguimos evitar o fechamento de 20 empresas, já foi um grande resultado.”