Câmara Brasil-China quer colocar o Vale do Iguaçu na nova Rota da Seda
Na quarta-feira, 27, empresários do Vale do Iguaçu tiveram a oportunidade de participar de um Networking com Chiu Po Cheng, presidente da Câmara de Comércio Brasil-China.
Recebemos o presidente nos estúdios da FM Verde Vale – 94.1 para uma conversa sobre as perspectivas de negócios entre os dois países. Também participaram da entrevista o presidente da Coordenadoria das Associações Comerciais do Centro-Sul do PR (Cacesul), Luciano Castilho; o vice-presidente para assuntos de desenvolvimento econômico da Cacesul, Lucas Sebben; e também o presidente da Associação Comercial e Industrial de União da Vitória (Aceuv), Marcos Weiss.
Confira um trecho da conversa:
Jornal O Comércio (JOC): Presidente, qual a intenção desse workshop e quais os planos da Câmara para a nossa região?
Chiu Po Cheng: A ideia do evento é conectar empresários e explicar a importância de você conhecer o nosso maior parceiro comercial, que é a China, em todos os aspectos. Com a grande evidência hoje na questão geopolítica do mundo, a China é hoje um principal, não só parceiro para importação, mas para exportação também e levar os empresários aqui a entender um pouco mais sobre a China. A ideia é explicar como a China está hoje, o que ela pensa em relação ao mundo, ao Brasil, à América Latina e sobre essas questões da nova situação comercial mundial, essas guerras tarifárias e guerras bélicas também.
Promovemos algumas ideias para os empresários em relação à China, bem como a imersão ao país. A gente também vai trabalhar com uma base nossa aqui na região de Guarapuava, ter uma Câmara aqui, para ficar mais perto do pessoal, para tirar todas essas dúvidas de como fazer a internacionalização de sua empresa. Junto com o pessoal da Cacesul, que estão ajudando a desenvolver toda a região aqui. Porque eu acho que a gente às vezes fica um pouco sem as informações. Então a gente resolveu vir aqui para perto do pessoal para ajudar o empresariado aqui também e principalmente nessa nova fase que está acontecendo com relação aos Estados Unidos e dar algumas saídas e estratégias para o pessoal aqui.
JOC: Um dos aspectos que podem amedrontar os empresários quanto ao comércio com a China é a barreira linguística. Como a Câmara pode auxiliar nesse sentido?
Chiu Po Cheng: A gente tendo essa base aqui em Guarapuava, onde o Lucas vai coordenar, além da questão técnica, da expertise na área de importação e exportação, onde ele domina plenamente, esta questão da comunicação e principalmente da cultura, nós vamos ajudar com a Câmara aqui. Eu vou estar na China, nós temos o escritório lá na China também, e nós vamos ajudar localmente os empresários, o caminho das pedras. E, mais importante, falando em português. Isso vai facilitar. Porque eu imagino, para mim foi complicado aprender a língua portuguesa para estar falando fluentemente. Mas na China o mandarim é mais complexo, nesse sentido, né? Imagino a dificuldade que vai ser para se adquirir em pouco tempo.
Mas a comunicação é uma parte da dificuldade de uma conexão com a China. O mais importante, que eu quero transmitir isso para o nosso país, o nosso pessoal, é a cultura. A gente conseguir entender a cultura milenar de lá e saber como negociar com eles. Esse é o grande negócio. Então, essas oportunidades, essas informações, nós da Câmara, com o Lucas, podemos transferir e explicar como é que isso funciona de uma forma rápida. Mas em qualquer aspecto, a gente dá todo o caminho, do início até o final, para eles ficarem tranquilos. E simplesmente, eu acho que o maior convite que a gente pode fazer para eles é ‘vão para a China’. Conhecer In Loco. Isso eu acho que é a coisa mais importante que tem que ser feito.
JOC: Hoje a China é a principal parceira comercial do Brasil. Como a questão do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil pode influenciar essa relação Brasil-China?
Chiu Po Cheng: A China tem essa estratégia planejada há 50 anos. A China já tem feito essa questão sobre a nova Rota da Seda. O que é isso? É expandir em termos logísticos e estruturais para a China poder mandar e receber. Então, estão fazendo isso na Rússia, no leste e no oeste europeu, na África e chegando aqui no Brasil. Você tem a rota bioceânica, você tem o novo porto no Amapá, e também a rota lá por baixo pelo Peru. Então eles vão economizar 20 dias de logística. Com a China chegando, ela vai vir com toda a infraestrutura necessária para ajudar. Então vai ver muitas regiões onde vai passar essa rota da seda. Com isso a China já pensou em todo o aspecto dessa conexão. Com esse novo tarifário só se acelerou o processo. O que era para ser daqui 5, 6 anos, vai acontecer daqui a 1 ou 2 anos.
JOC: Luciano, o empresário aqui da região poderá procurar o escritório em Guarapuava para fazer essa ponte com a China?
Luciano Castilho: A gente tem aberto para a região realmente essa questão das oportunidades da nossa região, pois o trem está passando e ninguém está subindo no vagão. Nós estamos deixando o trem passar novamente. Acho que está na hora de nós abrirmos essa visão e realmente buscarmos essas parcerias para com os chineses para que a gente possa trazer desenvolvimento para a região.
JOC: Lucas, existe alguma oportunidade para que empresários possam visitar a China nos próximos meses?
Lucas Sebben: Nós estamos com uma missão organizada agora para outubro. Nos próximos dias, estamos nos últimos dias de vendas, de reservas de passagem, estrutura, onde teremos o apoio local de guia, o apoio comercial. Se a pessoa tiver interesse em importar alguma coisa, nós estaremos juntos fazendo o suporte técnico lá, com tradução, guia. Então, por exemplo, para o setor de compensados, nós temos um grupo específico, que é forte aqui na nossa região. Esse grupo, nós vamos levar eles em fabricantes de máquinas de compensado. Vamos levar eles em fábricas de compensado lá, para poder colher informações e entender: “Ah, aqui o pessoal faz dessa forma, então eu posso copiar isso e fazer no Brasil melhor do que eu estou fazendo hoje”, por exemplo.
Nós vamos para Xangai, e vamos para Guangzhou para ver a questão da Canton Fair, junto com os associados da Cacesul, que é a maior feira do mundo. São 50.000 expositores que mudam de cinco em cinco dias. São três fases, e a gente vai participar da fase 1. É uma feira gigante, mais de 1 milhão de pessoas por dia passam na feira. É muito grande. Então, não existe a pessoa ir em uma viagem dessas e voltar com a mesma cabeça. Esse é o grande lance da viagem. Aí às vezes o cara fala: “Ah, mas tem que fazer um investimento”. Sim, tem que fazer um investimento, mas às vezes a gente gasta dinheiro com tanta coisa que não traz retorno, então esse é um investimento, não é um gasto.
JOC: Marcos, o empresário aqui da cidade que não conseguiu participar do workshop, mas tem interesse nesse assunto, pode procurar a Aceuv?
Marcos Weiss: O nosso empresário, aquele que não pode estar lá conosco participando e recebendo as informações diretas do senhor Chiu, pode vir a Aceuv, tomar um café, agendar um horário com a gente, que nós vamos repassar as informações e encaminhar este empresário para o escritório que está sendo aberto em Guarapuava.



