Cristina Graeml: a voz conservadora que quer o Senado pelo Paraná
Cristina Graeml, jornalista com mais de 30 anos de experiência e atualmente colunista da Gazeta do Povo, anunciou sua pré-candidatura ao Senado pelo Podemos-PR. Conhecida por sua atuação no jornalismo de opinião e defesa dos valores conservadores, em passagem por União da Vitória, ela falou com a reportagem de O Comércio sobre sua trajetória, os motivos que a levaram a entrar na política e os desafios que pretende enfrentar em Brasília.
Confira um trecho:
Jornal O Comércio (JOC): Cristina, um dos objetivos da sua visita à região é fazer com que você seja mais conhecida pela população. Conte para nossos leitores um pouco da sua vida. Quem é Cristina Graeml?
Cristina Graeml (CG): Sou paranaense, de Curitiba. Quinta geração de curitibanos por um dos lados da família. É uma família já bastante enraizada lá. (…) Eu me formei em jornalismo pela Federal do Paraná. Sou jornalista há 35 anos. Fui repórter de televisão durante 26 anos, então muita gente me conhece ainda da época da antiga TV Paranaense, que depois virou RPC. Trabalhei fora do Paraná durante seis anos. Tive uma experiência na TV Globo do Rio de Janeiro, na TV Bandeirantes do Rio de Janeiro, trabalhei também em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Depois eu tive uma experiência no Nordeste, eu fui uma espécie de correspondente da Globo nos estados do Maranhão e Piauí. Então eu conheço também outras realidades, o que me dá alguma consciência mais ampla no sentido de comparações, porque às vezes a gente reclama de uma realidade que a gente vive, mas tem algo muito pior em cidades de outros estados. Ou pelo contrário, às vezes a gente ainda enfrenta dificuldades aqui, que já foram solucionadas em estados até com menos recursos. Isso me dá, eu acho, algum conhecimento para cobrar ou, estando na política, para fazer.
Nos últimos dez anos eu migrei para o jornalismo de opinião. Eu saí da televisão em 2016, um pouco antes daquele processo de impeachment da presidente Dilma. Foi quando as redes sociais começaram a disponibilizar ferramentas de lives. A primeira foi o Facebook. Eu comecei a fazer lives semanais no Facebook. Depois veio o antigo Periscope, do Twitter, que era uma ferramenta de lives também. Eu fazia lives por lá, e aquilo foi dando visibilidade para o jornalismo que eu vinha fazendo, que já era um jornalismo opinativo. Na época eu cobria informalmente – eu era uma jornalista independente – a Lava Jato,. (…) E eu dava um resumo semanal para minha audiência na época, que era pequena, mas eu vi que ali tinha um espaço para fazer um outro tipo de jornalismo que ainda na época era incipiente. Estava começando.
Em função dessa minha movimentação independente, a Gazeta do Povo me chamou para ser jornalista de vídeo. Eu fui âncora de um programa de análise política que eu desenvolvi para a Gazeta, que envolvia colunistas. Eu instigava os colunistas a falarem dos temas do momento. A gente ficou no ar, por coincidência, durante todo o período eleitoral de 2018. Eu cobri, analisando a política nacional, o atentado ao Bolsonaro, a facada do Adélio Bispo, tudo o que aconteceu naquela campanha. O incêndio do Museu Nacional, que foi uma repercussão atrelada à política, porque o reitor era do PSOL, que é um partido de extrema esquerda. Então, foi muito questionado na época o por que não houve uma manutenção do sistema de prevenção de incêndio e a gente perdeu relíquias históricas da época do Brasil Império por esse descuido. Tudo isso fez parte da análise política da campanha eleitoral de 2018. E o programa ficou no ar até mais ou menos o final dos 100 dias iniciais do governo Bolsonaro. Depois a Gazeta do Povo viu que tinha espaço e me convida para montar uma editoria de vídeos, uma grade de programação. E, para resumir uma longa história, a gente começou com uma programação tão intensa envolvendo tantos profissionais bons que a Gazeta já tinha, Rodrigo Constantino, Guilherme Fiuza, jornalistas e analistas políticos que depois tiveram a imagem muito projetada através da Jovem Pan, onde eu também estive, mas que na época eram colunistas da Gazeta do Povo somente. (…) Tô alongando aqui a minha história, só para as pessoas entenderem que, no jornalismo, eu tenho uma história muito longa antes de vir para essa experiência política que eu tenho agora. Que eu não sou política, mas estou pleiteando um cargo eletivo.
(…) Já são quase dez anos de jornalismo de opinião, como colunista da Gazeta do Povo, depois a Jovem Pan me chamou quando virou emissora de TV também, então entre 2021 e 2022 eu fiz parte do time de comentaristas políticos do sistema Jovem Pan de Rádio e TV. E aí teve um processo eleitoral muito conturbado em 2022. Sofremos censura dentro da Jovem Pan por força de imposições do TSE, que na época era presidido pelo ministro Alexandre de Moraes, dispensa apresentações. Foi um processo muito ditatorial, arbitrário, tinha palavras que a gente não podia dizer no ar. Tinha entrevistas que a gente não podia exibir. Uma censura draconiana, muito mais pesada do que a do regime militar, que eles tanto criticavam no passado. Eles que eu tô dizendo é o pessoal de esquerda que hoje acha lindo jornalistas sendo censurados. E aí nesse processo, no dia seguinte à eleição de Lula, a Jovem Pan rescinde o contrato com os principais jornalistas, e eu estava nessa leva. (…) Depois a Jovem Pan passou por um processo de pressão, e está vivendo de novo agora, sob ameaça de cassação da concessão. E nisso, os jornalistas que saíram de lá, e eu fui uma delas, foram chamados para outros veículos. Eu entrei para o time de colunistas e comentaristas da Rádio Auriverde Brasil, que é uma rádio do interior de São Paulo, mas que tem a abrangência nacional hoje pela programação do YouTube. E fui colunista e comentarista da Revista Oeste, que é uma startup de jornalismo digital, que está sendo um sucesso estrondoso, especialmente com o público mais conservador, onde eu me encaixo. Continuo como colunista e comentarista política da Gazeta do Povo e da Rádio Auriverde Brasil. Para a Revista Oeste, eu não voltei mais depois de ter saído para disputar a eleição municipal ano passado em Curitiba.
JOC: Como aconteceu sua entrada na política, como candidata à prefeitura de Curitiba, após tantos anos dedicados ao jornalismo?
CG: De forma absolutamente orgânica. As pessoas me procuravam e pediam, isso em 2023, ano pré-eleitoral: “nós não vamos ter um candidato de direita, um candidato conservador? A gente precisa, Curitiba é conservadora. O Paraná é conservador”. Porque já se anunciavam alguns nomes, e eram aqueles de sempre. Pessoas que já tinham se envolvido em sistemas de corrupção estando em cargo público. Outros que estão em cargo público, associados à chamada velha política. E as pessoas estavam pedindo muito por alguém novo, novas propostas, ares novos. E gente como a gente. Pessoas que conversam e falam sem medo do que a gente está preocupado também em relação ao Brasil.
A Curitiba de hoje não é mais a Curitiba da minha infância, e muito menos aquela Curitiba que foi vendida e continua sendo vendida para o Paraná e para o Brasil. A Curitiba exemplar. Ela tem hoje 4.000 moradores de rua. Isso é maior do que muitas cidades que eu tenho visitado aqui no interior do Paraná. Isso aconteceu durante a pandemia com os lockdowns insanos. Curitiba teve um dos piores lockdowns do país. Eu fui muito crítica na época. O Paraná também viveu um lockdown muito violento. Dizem “ah, mas na época ninguém sabia”. Tá, mas outros estados foram abrindo, outros países foram abrindo, havia tratamento que era criminalizado praticamente. Havia um julgamento de pessoas que não tinham o menor conhecimento científico sobre tratamentos médicos, criticaram e combateram a autonomia médica. A gente viveu coisas muito tirânicas na pandemia. E o Paraná, especialmente Curitiba, dentro desse contexto, está no pior dos lugares. Então, Curitiba tem as até hoje as consequências disso, e as pessoas não queriam que o mesmo grupo político se perpetuasse ali.
Infelizmente aconteceu, acabaram vencendo pelo poder da máquina, mas a gente conseguiu fazer frente. E o que eu digo é que apesar de ser um nome novo na política, não ser de família de políticos, não ter sobrenome político, (…) eu tinha 390.254 pessoas comigo. Foi a votação que eu tive no segundo turno. Uma pessoa que nunca concorreu, que gastou zero de dinheiro público contra um candidato que gastou 17 milhões. Contra um candidato que nunca trabalhou na vida com carteira assinada, nunca empreendeu, simplesmente viveu de cargo comissionado, e aqui todo o respeito aos comissionados. Mas assim, que grande experiência ele tem para dizer que eu não tinha experiência? Foi uma campanha muito desleal em todos os sentidos, porque tinha, do outro lado, o acesso à máquina, era parte do sistema, já estava na vice-prefeitura fazia oito anos. Era, na visão do eleitor, mais do mesmo. E eu entendi essa demanda lá em 2023, analisei muito, vi realmente que não havia outros nomes se colocando no espectro político conservador que é o meu. Eu conversei com a minha família, analisei tudo e decidi aceitar o desafio.
(…) Cheguei ao segundo turno, primeira mulher na história de Curitiba que consegue chegar ao segundo turno. Com uma votação expressiva a ponto de ter sido empate técnico com o candidato do sistema, que até então tinha gasto 12 milhões de reais. E aí eu comecei a campanha de Pix para conseguir pagar o advogado eleitoral, o contador eleitoral, um pouquinho de material de campanha, o que me levou para os 390.254 votos do segundo turno. Não foi suficiente para vencer a máquina, mas me colocou automaticamente como uma grande liderança política de direita no Paraná, a ponto de, no pós-eleição, muitos partidos terem me me procurado para eu vir para essa jornada para o Senado. Então estou com muita alegria, com humildade, mas muito senso de responsabilidade, buscando essa vaga.
No ano que vem nós vamos eleger dois senadores. A disputa é diferente porque eu estou indo para um cargo no legislativo e pretendo ser uma das duas novas senadoras do Paraná para buscar mais projeção para o nosso estado em Brasília. Ser uma senadora municipalista, que atende os prefeitos, atende os vereadores, busca também ouvir as demandas locais e, óbvio, fazer o que precisa ser feito nacionalmente. Combater esse avanço sobre os outros poderes que está sendo feito pelo judiciário. O Senado tem que ser fiscal.
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