“Se for chamado, estou a postos”, diz Beto Richa sobre eleição estadual

O ex-governador do Paraná e atual deputado federal Beto Richa (PSDB) cumpriu agenda em União da Vitória. Na oportunidade, conversou com a reportagem de O Comércio sobre o futuro do partido, compromissos na região e também sobre a possibilidade de voltar a disputar as eleições estaduais.

Confira:

Jornal O Comércio (JOC): O senhor foi eleito vice-presidente nacional do PSDB na convenção que indicou Aécio Neves à presidência do partido. Como você define o atual momento do PSDB no cenário nacional?
Beto Richa (BR): Eu acho que é um momento de recuperação. Reconheço que o PSDB nas últimas eleições saiu bastante fragilizado, não só no Paraná, mas em todo o Brasil. Por várias razões, não é só um motivo. (…) O PSDB foi fundado em 1988, ao lado de ilustres brasileiros que honraram este país, políticos que defenderam com muita força a democracia. Fundado em 88, ganhamos a presidência da República em 94, com Fernando Henrique Cardoso, no primeiro turno. Reeleito em 98 no primeiro turno. E nosso principal adversário ao longo desse período todo, foi o PT. Nós fomos antagônicos ao PT, fizemos antítese ao PT. E depois que Fernando Henrique saiu, nas quatro disputas seguintes, salvo engano, nós levamos a eleição para o segundo turno. A gente imagina que em 2022 o erro estratégico foi não ter lançado o candidato à presidência da república. (…) Naquela pobreza do debate político, naquela eleição entre Bolsonaro e Lula. Ninguém falava em solução para melhorar a vida dos brasileiros.
(…) Hoje sob a liderança do Aécio Neves, que é um político muito articulado, foi um grande governador de Minas Gerais, neto de Tancredo Neves, eu tenho muita confiança, e já estou vendo os resultados, que o PSDB fatalmente vai crescer nas eleições do ano que vem. E no Paraná posso dizer o mesmo. Estou andando por todas as regiões e sentindo alguma facilidade de montar chapas para disputar as eleições, filiações que temos recebido de lideranças respeitadas em todos os municípios do estado do Paraná. Então eu estou sentindo que nós vamos ter um novo momento no PSDB, que será importantíssimo para a vida política brasileira.

JOC: Qual será o futuro político de Beto Richa? O senhor já disse que deve disputar mais uma eleição para deputado federal, mas é um desejo seu retornar ao governo do estado?
BR: Se eu dissesse que não, eu estaria mentindo. Eu considero que fiz um bom governo. Só ver todas as áreas, pode pegar qualquer área, nenhuma ficou para trás. Foi a maior construção de casas populares da história. Foi a maior redução de pobreza e miséria do Brasil, quando fui prefeito e agora governador, atestado pelo IPEA, que faz pesquisas e levantamentos sistemáticos no Brasil inteiro, em diversas áreas. (…) Na área de educação, escolas, bons reajustes salariais para os funcionários em geral e posso dizer aos professores. Foi 146% de aumento num período de 7 anos em que a inflação foi de 55%. Ou seja, 100% de ganho real quase. [Teve] melhoria da qualidade das merendas. (…) Os ônibus, as Apaes todas bem atendidas, todas as escolas especializadas.

Mas eu deixei por último a saúde. Não tem similar no Brasil ao que nós fizemos aqui. Eu quadrupliquei o orçamento de Saúde. Porque não adianta ter as melhores propostas se não tiver recurso para viabilizá-las. Eu quadrupliquei o orçamento, o que possibilitou criar um programa que garante mensalmente recursos para custeio de hospitais públicos e filantrópicos em cerca de 250 hospitais no Paraná. (…) Estruturamos a rede de hospitais. Nós pegamos o Paraná em décimo lugar em transplante de órgãos. Ano a ano viemos subindo. Entreguei o Estado em primeiro lugar em transplante de órgãos do Brasil. E o grande programa, talvez o mais importante ou dos mais importantes da história do Paraná, (…) o programa de resgate aéreo. Helicópteros e aeronaves salvando pessoas todos os dias. Salva pessoas com AVC, infarto, bebês recém-nascidos prematuros que precisam rapidamente serem levados para uma cidade onde tem UTI neonatal. E também essas aeronaves transportam os órgãos para transplante. Por isso que a gente conseguiu um grande avanço no Paraná de décimo para primeiro lugar em transplante de órgãos.

(…) Falei tanto, mas a sua pergunta é: o que eu vou fazer no ano que vem? Então, meu nome tem aparecido bem nas pesquisas, segundo lugar de opinião pública para governador, muito próximo do primeiro, que é o ex-juiz. Mas eu não posso ter a ilusão que sozinho eu vou a algum lugar. Se houver aí uma composição de forças político-partidárias que podem se unir em torno de um projeto de estado. Projeto pessoal não me interessa. Deve ser projeto de estado e eu, se eu for convocado para representar esse projeto, eu aceito. Hoje eu me sinto mais experiente, mais preparado ainda e mais maduro para fazer um grande governo nesse estado. Mas eu não sei se isso é possível, sendo muito verdadeiro e sincero aqui como sempre foi meu estilo. Então eu vou trabalhar na eleição ano que vem para renovar o meu mandato como deputado federal, eu acho mais provável. Se for chamado, estou a postos, estou pronto para enfrentar uma campanha como essa com extremo entusiasmo.

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