Escreve o Leitor: Um caminhão e uma história

No dia 10 de janeiro de 1977, nosso pai, Sr. Adiney Antônio Azeredo, e seu irmão, nosso querido tio Maurílio João Azeredo (in memorian), compraram um caminhão Mercedes Benz 1113, novo. Trouxeram para casa, nossos avós Olinda e Arlindo felizes pela conquista dos filhos. As esposas, nossa mãe, Laura, e nossa tia, Acélia, sabiam da responsabilidade, do incentivo e do trabalho mútuo que compartilhavam, sempre presentes nessa conquista e na batalha que se iniciava.

Para nós, crianças, foi quase uma mágica, uma alegria por participar da felicidade visível e acompanhar o trabalho árduo que essa história sempre exigiu. Sempre com as Bênçãos de Deus, onde nas festas de São Miguel Arcanjo, Padroeiro de Porto Vitória, o caminhão era benzido na Procissão dos Motoristas.

Escreve o Leitor: Um caminhão e uma história

Foto: arquivo pessoal

Na época, nosso pai com 35 anos de idade, caminhoneiro, iniciava a nova jornada, a nova profissão com seu próprio caminhão. Hoje, com 83 anos, ainda trabalha com o mesmo caminhão. São 48 anos de história.

Os dois irmãos iniciaram transportando madeira da Serraria Santa Hilda, de Porto Vitória, para a Indústria Rio do Sul, em São Paulo. Em seis anos, foram muitas viagens cansativas e desafiadoras, mas sempre com a certeza do dever cumprido. Se passaram muitos meses, sofridos, para que os irmãos conseguissem pagar as prestações do caminhão, mas, com a Graça de Deus, estavam sempre em dia com seus compromissos.

Depois, no ano de 1982, já com a própria produção de carvão vegetal dos dois irmãos, iniciou o transporte da Indústria de Carvão Santo Antônio em Rio dos Banhados, União da Vitória, para a Siderúrgica GERDAU, em Antonina, no Paraná. Passaram os anos, as viagens, os momentos de lutas, trabalho diário e contínuo. Foram muitas histórias vividas, dentro da história do caminhão.

Lembranças, desafios, dificuldades, emoções e a perda do nosso amado tio Maurílio, em 2007, que foi um choque muito grande para o nosso pai, mas entendemos que a vontade de Deus prevalece sempre em nossas vidas.
Nos desfiles de sete de setembro e oito de dezembro, dia do município de Porto Vitória, por muitos anos, o 1113 desfilava, carregado de madeira ou de carvão, representando a indústria produtiva do município.

Nos dias de hoje, nosso pai, com 83 anos, dirige o 1113 em algumas viagens, transportando grãos de soja – produção de um dos netos — das lavouras em Rio dos Banhados até a cooperativa Cooperalfa. Ainda percebemos o orgulho do nosso pai em poder participar na luta de cada geração de nossa família. Agora, até os bisnetos já o acompanham, aprendem e quem sabe, um dia seguirão uma das suas dedicadas profissões.

Foto: arquivo pessoal

Durante as viagens com seu irmão, ora com o 1113 novo, ora com dois caminhões, nós, crianças, acompanhamos todos estes momentos. Ao seguirem viagem, rezávamos a oração da Salve Rainha, pedindo a intercessão de Nossa Senhora para uma viagem protegida por Deus, e sempre foi, Graças a Deus.

Quando retornavam, ganhávamos chocolate. Era a alegria da criançada. Nós, quatro irmãos e cinco primos, disputávamos para saber quem abriria o portão e dividiria as doçuras. Ah! Que momentos perfeitos que vivíamos. Quantas saudades, que infância abençoada.

Quando a carroceria do 1113, por acaso, estava vazia, tornava-se palco de muitas brincadeiras. Por vezes, sala de aula, escritório, igreja, salão de festas, cozinha, espaço para jogo de bola… Brincadeiras na época, mas que viraram realidade e as profissões da maioria daquela geração feliz e criativa. Hoje estamos nos aposentando das profissões, mas o trabalho voluntário, o serviço ao Reino de Deus, continuam presentes, exemplos enraizados em cada geração de nossa família.

Foto: arquivo pessoal

Eu, particularmente, quero ressaltar uma lembrança que alavancou minha vida: no dia 09 de março de 1991, um sábado, nosso saudoso tio Maurílio trouxe com o 1113 nossa pequena mudança de Porto Vitória, quando mudamos para nossa casa no bairro Rocio, em União da Vitória. Fato marcante e inesquecível.

É nítido percebermos a emoção nos olhos, a sinceridade nas palavras e o pulsar no coração, quando nosso amado pai conta a história do “Mercedes 1113”. Nossa mãe, amada, simples em suas colocações e lembranças, sempre presente neste sonho real, para nós foi, e é, a principal fortaleza de todos esses anos.

Queremos homenagear o senhor, pai Adiney, nos seus 83 anos, comemorado no dia 07 de setembro. Desejamos saúde e tranquilidade. Tenha certeza que tudo o que nos ensina e mostra, fica intacto em nossa memória, nossas emoções e nossos sentimentos. Deus os abençoe, pai e mãe!

Com todo carinho e respeito, seus filhos: Rogério, Esmeralda, Marilda e Olinda.

Setembro de 2025.