Jovem de União da Vitória vence gaita ponto em rodeio internacional de Vacaria

(Foto: acervo pessoal).

Aos 18 anos, a jovem musicista Mirella Carolina Sydol, natural de União da Vitória, alcançou uma conquista de grande relevância no cenário cultural do Sul do Brasil. Representando o Departamento Tradicionalista Gaúcho (DTG) Noel Guarany, projeto de extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ela foi campeã da categoria Gaita Ponto Adulta no 36º Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria, no Rio Grande do Sul.

Considerado o maior rodeio crioulo do mundo e realizado a cada dois anos, o evento é frequentemente comparado a uma “Copa do Mundo” do tradicionalismo. Nesta edição, reuniu milhares de participantes. Somente nas provas artísticas, foram mais de quatro mil inscritos, evidenciando o alto nível técnico da competição.

Categoria sem divisão por gênero

Na modalidade disputada por Mirella, homens e mulheres concorrem juntos, utilizando gaitas de até oito baixos e também instrumentos com maior número de recursos. A jovem de 18 anos toca a gaita ponto de oito baixos, considerada menor em estrutura, o que torna o desempenho ainda mais desafiador diante de concorrentes que utilizam instrumentos mais complexos.

(Foto: acervo pessoal).

Na fase classificatória, 21 músicos disputaram apenas dez vagas na final. Mirella ficou em primeiro lugar já nessa etapa e repetiu o resultado na apresentação decisiva, garantindo o título.

“Foi uma grata surpresa. Vacaria tem um nível altíssimo. Ficar em primeiro na classificatória e depois vencer a final foi uma emoção muito grande”, relatou.

Trajetória iniciada ainda na infância

O contato de Mirella com o tradicionalismo começou cedo. Aos sete anos, ingressou nas Invernadas Artísticas do CTG Fronteira da Amizade, em União da Vitória, onde permaneceu até 2024. No ano passado, após concluir o ensino médio, mudou-se para Santa Maria ao ser aprovada no curso de Psicologia da UFSM, passando a integrar o DTG Noel Guarany para seguir competindo no Rio Grande do Sul.

Apesar da mudança, ela mantém forte vínculo com a cidade natal.

“Eu sou paranaense e considero que esse prêmio veio muito mais para União da Vitória. Foi aqui que toda a minha trajetória começou”, destacou.

Da música ao destaque nacional

Antes da gaita ponto, Mirella teve contato com o violão e com o canto. O interesse pelo instrumento tradicional surgiu ainda na infância e se consolidou em 2018. Sem professores presenciais na região, iniciou aulas on-line com o músico Gilberto Bergamo, referência na música regional gaúcha.

As primeiras competições vieram em 2019. Durante a pandemia, a jovem intensificou os estudos e passou a se dedicar a repertórios mais exigentes, voltados para concursos. A evolução ficou evidente nos anos seguintes, até alcançar, agora aos 18 anos, o título em Vacaria.

Técnica, emoção e maturidade precoce

Segundo Mirella, além da técnica, o controle emocional é decisivo nas apresentações.

“No começo, o nervosismo atrapalhava muito. Hoje consigo me acalmar, lembrar que estudei e que estou preparada”, afirmou.

(Foto: acervo pessoal).

Os jurados avaliam critérios como postura cênica, dificuldade do arranjo, ritmo, execução e interpretação.

“Não é só tocar certo. É passar sentimento”, explicou.

Juventude presente no tradicionalismo

Mesmo jovem, Mirella avalia que a participação da nova geração no tradicionalismo segue forte. Em Vacaria, a categoria juvenil de gaita ponto foi uma das mais concorridas do evento.

“O CTG foi essencial para o meu desenvolvimento pessoal. Eu era muito tímida e ali aprendi a ter mais confiança e senso de pertencimento”, destacou, incentivando jovens da região a se aproximarem dos centros de tradição gaúcha.

Próximos desafios

O próximo objetivo da musicista é o Encontro de Artes e Tradições Gaúchas (Enarte), considerado o maior festival de arte tradicional da América Latina, previsto para novembro. Antes disso, Mirella deve disputar a etapa classificatória, programada para os próximos meses.

“A dedicação vale a pena. Esse prêmio representa anos de estudo, apoio da família e persistência”, concluiu.

História contada na rádio

A jovem também comentou sobre a conquista durante entrevista concedida à Rádio Verde Vale FM, nesta quarta-feira (11). Na conversa, Mirella Carolina Sydol, de 18 anos, detalhou a experiência de competir no Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria.

(Foto: JOC).

Falou sobre o início da trajetória no tradicionalismo ainda na infância, em União da Vitória, e destacou o significado pessoal e cultural da vitória, considerada um marco em sua caminhada artística.

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