Jovem transforma superação em arte após AVC e encontra na dança um novo recomeço

Aos 26 anos, Felipe Weisshaar carrega uma história marcada por desafios, recomeços e, acima de tudo, superação.

Morador do distrito de São Cristóvão em União da Vitória, ele viu a vida mudar completamente em 2019, quando sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ainda muito jovem.

Felipe seis meses depois do AVC (Arquivo Pessoal)

O episódio interrompeu planos, rotinas e sonhos, mas jamais tirou dele a vontade de seguir em frente.

Antes do AVC, Felipe trabalhava como operador de máquinas pesadas, profissão que aprendeu desde cedo e herdou do pai.

Aos 16 anos, já estava no mercado de trabalho, atuando em uma empresa do setor. Em 2019, porém, uma forte dor de cabeça, seguida de perda de movimentos do lado direito do corpo, mudou tudo. Após idas e vindas ao hospital, veio o diagnóstico correto: um AVC.

Felipe passou cerca de quatro meses internado em Curitiba, onde foi submetido a três procedimentos de embolização. Ao deixar o hospital, saiu em uma cadeira de rodas.

“Foi um choque muito grande. Eu não sabia o que pensar, só sabia que precisava me reabilitar”, relembra.

O processo de recuperação foi longo e exigiu força física e emocional. Com o apoio incondicional da família — especialmente da mãe, que esteve ao seu lado durante toda a internação — Felipe iniciou fisioterapia intensiva.

Em cerca de três a quatro meses, deu os primeiros passos novamente. “Quando eu consegui andar pela primeira vez, foi como se tudo começasse de novo”, conta.

Apesar de algumas sequelas, como limitações de equilíbrio e movimentos na mão e na perna, Felipe nunca aceitou a ideia de desistir. Hoje, frequenta academia, mantém uma rotina ativa e segue trabalhando diariamente para melhorar sua condição física.

A dança como reabilitação e transformação

Foi em 2025 que um novo capítulo começou a ser escrito.

Por meio da amiga Maria Cristina Martins, coordenadora do grupo folclórico de dança Baila Cantábria, Felipe recebeu um convite inesperado: conhecer os ensaios de dança espanhola.

A princípio, hesitou. “Nunca tinha pensado em dança, muito menos em cultura espanhola”, admite.

Arquivo Pessoal

O convite para participar de um espetáculo, em novembro de 2025, mudou tudo. Ao conhecer o grupo e o trabalho desenvolvido pelo professor Tadeu Ribeiro, Felipe se encantou.

Desde então, mergulhou de cabeça na dança, encontrando nela não apenas uma nova paixão, mas também uma poderosa ferramenta de reabilitação.

“A dança me ajuda nos movimentos, no equilíbrio, na confiança. É superação, mas também é alegria, convivência, aprendizado”, afirma.

Os ensaios são semanais, e Felipe já planeja participar de todas as apresentações do grupo em 2026, inclusive viagens para outras cidades.

A entrada no grupo de dança também trouxe mudanças profundas na autoestima. Antes mais fechado, Felipe passou a se abrir para novas experiências, culturas e relações. “É um novo Felipe. Hoje eu me vejo diferente, mais confiante, mais aberto ao mundo”, destaca.

Grupo Folclórico de Dança Baila Cantábria (Arquivo Pessoal)

Além da dança, ele estuda marketing digital e busca oportunidades na área, com o sonho de empreender e construir seu próprio negócio.

“Não é uma área braçal, é algo que posso desenvolver usando mais a mente. Quero crescer profissionalmente e também ajudar outras pessoas”, explica.

Felipe faz questão de reforçar a importância da fé, da família e do apoio coletivo em sua trajetória. “A gente não faz nada sozinho. O grupo, a família, as boas companhias fazem toda a diferença”, afirma.

Para quem está passando por um momento difícil, seja por um AVC ou qualquer outro desafio, Felipe deixa um recado direto e inspirador.

“Chorar não resolve. É preciso enfrentar. Mesmo com medo, vá. O medo não pode te parar. A decisão de seguir em frente é nossa.”

Arquivo Pessoal

Arquivo Pessoal

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