Legado de Dago Woehl será eternizado com cidadania benemérita póstuma
A Câmara Municipal de União da Vitória prestará uma homenagem póstuma ao jornalista, escritor e ambientalista Dago Alfredo Woehl, que receberá o título de Cidadão Benemérito. A sessão solene será realizada no dia 20 de agosto, às 19h, sob a presidência do vereador Cordovan Frederico Mello Neto.
A cidadania benemérita é uma honraria concedida pelo Poder Legislativo às pessoas nascidas em União da Vitória que, ao longo da vida, prestaram relevantes serviços ao município. No caso de Dago, o reconhecimento simboliza o agradecimento por décadas de dedicação à comunicação, à preservação da história regional e à defesa das causas ambientais.
Falecido em 26 de dezembro de 2023, aos 73 anos, Dago deixou um legado que permanece vivo em instituições, publicações e na memória de quem acompanhou seu trabalho.
Um dos maiores estudiosos das enchentes do Rio Iguaçu
Poucas pessoas conheciam tão profundamente a história das enchentes que marcaram União da Vitória e Porto União quanto Dago Woehl.
Ele dedicou grande parte da vida ao estudo dos impactos das cheias do Rio Iguaçu, participando de debates, levantamentos históricos e da construção de propostas voltadas à prevenção e à convivência com esse fenômeno natural.
Foi membro fundador da Sociedade de Estudos Contemporâneos – Comissão Regional Permanente de Prevenção contra Enchentes do Rio Iguaçu (Sec-Corpreri), entidade criada para reunir pesquisadores, autoridades e representantes da sociedade civil em torno de soluções para um dos principais problemas enfrentados pelo Vale do Iguaçu.
Entre suas principais contribuições está a publicação “Conhecendo e Convivendo com as Enchentes”, considerada uma das obras mais completas sobre o histórico das inundações na região. O trabalho reúne documentos, mapas, registros fotográficos e análises que ajudam a compreender a evolução das enchentes e seus impactos sobre a população.
Guardião da história e da cultura regional
O compromisso de Dago Woehl com o patrimônio histórico também marcou sua trajetória. Ele foi responsável pela organização do Museu da Erva-mate, no Parque Histórico Iguaçu, espaço criado para preservar a memória de uma das atividades econômicas mais importantes da formação do Vale do Iguaçu.
Também integrou a Academia de Letras do Vale do Iguaçu (Alvi), contribuindo para o fortalecimento da produção cultural, da pesquisa histórica e da literatura regional.
Seu conhecimento sobre a colonização, a economia e os personagens que construíram a história das cidades de União da Vitória e Porto União transformou Dago em uma referência para pesquisadores, estudantes e jornalistas.
Uma vida dedicada ao jornalismo
Na comunicação, Dago construiu uma carreira respeitada pela seriedade e pelo profundo conhecimento da realidade regional.
Durante muitos anos foi colaborador do Grupo Verde Vale de Comunicação, colocando à disposição dos veículos sua experiência e seu vasto acervo histórico.
Sua atuação foi especialmente marcante no Jornal O Comércio, onde exerceu a função de jornalista responsável, participando da produção de reportagens, artigos e projetos editoriais que ajudaram a registrar importantes momentos da história regional.
Colegas de profissão o definiam como um jornalista criterioso, apaixonado pela informação correta e comprometido em preservar a memória do Vale do Iguaçu.
Um legado que ultrapassa gerações
Além do jornalismo, Dago também atuou como escritor, pesquisador e defensor das causas ambientais.
Seu trabalho sempre esteve voltado para a valorização da identidade regional, da cultura local e da preservação da memória coletiva. Ao longo da vida, participou de palestras, projetos de educação patrimonial, pesquisas históricas e iniciativas voltadas à conscientização sobre a importância do Rio Iguaçu para a região.
Após sua morte, inúmeras manifestações de reconhecimento destacaram seu perfil agregador, sua generosidade em compartilhar conhecimento e sua dedicação às causas que acreditava.
Em homenagem publicada pelo Jornal O Comércio, Dago foi definido como “um visionário movido pelo amor”, expressão que sintetiza o sentimento de amigos, familiares e colegas que conviveram com ele ao longo de sua trajetória.



