Livro sobre a pandemia inspira debate sobre memória e sociedade em Porto União
A experiência de viver uma pandemia e as marcas deixadas por aquele período foram tema de uma palestra realizada na terça-feira (29), no auditório da Universidade do Contestado (UNC), em Porto União. O encontro reuniu o escritor Pedro Lichtnow, integrantes da Academia de Letras do Vale do Iguaçu (ALVI) e membros da comunidade para uma discussão sobre memória e as transformações provocadas pela crise sanitária.
A atividade teve como referência o livro Som da Sacada: Memórias de uma guerra invisível, de Lichtnow. A obra reúne registros relacionados ao período de isolamento e às formas encontradas pela população para manter a comunicação e os vínculos sociais durante a pandemia.
O evento foi promovido pela ALVI em parceria com a UNC, campus de Porto União.
Para a acadêmica da ALVI e idealizadora da iniciativa, Marli Terezinha Andrucho Boldori, a proposta surgiu da possibilidade de levar o trabalho do escritor ao público regional e criar um espaço para que as experiências vividas durante a pandemia fossem novamente discutidas.
Marli explicou que já conhecia o trabalho de Lichtnow por meio de sua participação em uma academia de letras de Curitiba. A partir desse contato, apresentou a proposta à ALVI, que posteriormente viabilizou a participação do escritor no evento.
Segundo a acadêmica, iniciativas desse tipo também fazem parte da atuação das entidades culturais na preservação da memória e na disseminação do conhecimento.
Um período que ainda é analisado
Durante a palestra, Pedro Lichtnow abordou a pandemia como um acontecimento cujas consequências ainda estão sendo compreendidas.
O escritor destacou que a crise não ficou restrita à área da saúde e teve repercussões em diferentes setores da sociedade, incluindo as relações sociais, a economia, a política e a vida emocional da população.
“A pandemia é um assunto inacabado”, afirmou Lichtnow ao falar sobre a necessidade de continuar analisando o período.
Na avaliação apresentada pelo escritor durante o encontro, a sociedade passou por uma experiência que alterou comportamentos e trouxe novas questões sobre a relação das pessoas com a informação, com as instituições e com o próprio cotidiano.
Lichtnow também citou avanços registrados depois da crise sanitária, especialmente em áreas como a medicina, o sequenciamento do vírus e o compartilhamento de informações.
Ao mesmo tempo, ressaltou que permanecem desafios relacionados à compreensão dos efeitos deixados pela pandemia.
As sacadas como espaços de comunicação
O título da obra apresentada durante o encontro faz referência a uma das formas de interação que ganharam destaque durante o isolamento.
Com a restrição da circulação e o distanciamento físico, as sacadas de edifícios passaram a ser utilizadas por moradores para manifestações, conversas e compartilhamento de mensagens.
A experiência serviu de base para registros reunidos no livro e também para a reflexão proposta durante a palestra.
A discussão buscou relacionar essas experiências individuais com a memória coletiva construída a partir daquele período.
Universidade e comunidade
A diretora da UNC em Porto União, Ana Cláudia Flenick, destacou a importância da realização de atividades abertas à comunidade dentro do espaço universitário.
Segundo ela, a universidade também exerce o papel de difundir o conhecimento produzido e promover discussões sobre temas que fazem parte da realidade social.
A parceria com a ALVI possibilitou a realização do encontro e reforçou a aproximação entre a instituição de ensino e a entidade cultural.
Ao final da atividade, a proposta apresentada pelos organizadores foi manter a realização de novos encontros voltados à literatura, à cultura e à discussão de temas de interesse da comunidade regional.






