Menino que sobreviveu a grave afogamento relembra resgate que salvou sua vida
Quatro meses depois de um dos casos que mais emocionaram o Vale do Iguaçu, o garoto Eliezer, de 12 anos, voltou a falar sobre o grave afogamento que quase tirou sua vida e que mobilizou moradores, equipes de socorro e uma grande corrente de oração em União da Vitória.
Em conversa com a reportagem, o menino – tímido, mas bastante comunicativo – relembrou o episódio ocorrido em novembro do ano passado, quando ele e um amigo decidiram pular em um tanque de água em uma área por onde costumava passar todos os dias.
Segundo Eliezer, apesar de sempre circular pela região, nunca havia entrado naquele local.
“Eu sempre passava por ali, mas nunca tinha tido ideia de pular naquele tanque. Até que um dia eu e meu amigo decidimos pular”, contou.
Os dois não imaginavam que o ponto era bastante profundo.
Depois do salto, os meninos não conseguiram voltar à superfície.
O resgate
Uma moradora que estava em casa percebeu a situação e correu para ajudar. Ela conseguiu retirar um dos meninos da água, mas Eliezer havia afundado em um ponto mais profundo.
A mulher então pediu ajuda a um trabalhador que passava pela região. Sem hesitar, ele correu até o tanque e mergulhou na tentativa de localizar o garoto.
Na primeira tentativa não conseguiu encontrá-lo. Com a indicação do ponto onde ele havia afundado, o homem mergulhou novamente.
“Ele não pensou duas vezes, tirou a botina e pulou. Na segunda vez conseguiu me encontrar e me tirar da água”, relembrou Eliezer.
O trabalhador iniciou os primeiros procedimentos de socorro até a chegada das equipes de atendimento.
Situação gravíssima
O menino foi levado inicialmente para um hospital da cidade em estado extremamente grave.
Segundo relatos médicos citados pela família, o coração apresentava sinais de fraqueza e os aparelhos que monitoravam os sinais vitais chegaram a indicar um quadro considerado crítico.
Posteriormente, após articulações e transferência especializada, Eliezer foi encaminhado para atendimento hospitalar na região de Curitiba.
Ele permaneceu vários dias internado, parte desse período inconsciente e respirando com auxílio de aparelhos.
“Pelo que me contaram eu fiquei vários dias desacordado, respirando por aparelho”, disse.
O despertar no hospital
Eliezer lembra pouco do momento do acidente, mas recorda do instante em que começou a recuperar a consciência no hospital.
“Quando acordei fiquei com muito medo, sem entender onde eu estava. Os médicos vieram me segurar e explicaram que eu estava no hospital por causa de um acidente grave”, relatou.
A cena do reencontro com o pai ficou marcada na memória.
“Quando meu pai me viu acordado, ele veio correndo na minha direção”, contou.
Recuperação
Durante o período de internação, o menino perdeu cerca de 10 quilos de massa muscular, consequência do longo tempo de hospitalização.
Hoje, segue em recuperação e já retomou algumas atividades do dia a dia.
Uma das mudanças foi a decisão de aprender a nadar. Atualmente ele frequenta aulas em uma escola de natação da cidade.
“Estou aprendendo a nadar agora”, disse.
Apesar do susto, Eliezer afirma que não desenvolveu medo da água, mas diz que passou a pensar mais antes de entrar em locais desconhecidos.
“Agora eu penso duas vezes. Primeiro vejo se é fundo e como está a água”, comentou.
Sonhos de menino
Torcedor do Flamengo e admirador de Neymar, Eliezer mantém sonhos simples e típicos da idade.
Ele conta que gostaria de ser jogador de futebol e, no futuro, pensa também em abrir um negócio.
“Queria jogar futebol para juntar um dinheiro e depois investir, talvez abrir uma loja”, disse.
Gratidão
Ao final da conversa, o garoto fez questão de agradecer as inúmeras mensagens e orações recebidas durante o período mais difícil da recuperação.
“Quero agradecer todo mundo que orou por mim, mesmo sem me conhecer. Vocês ajudaram muito. Que Deus abençoe todos vocês”, afirmou.
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