O Comércio revela proposta escolhida pela Unilivre para reduzir enchentes no Vale do Iguaçu
O Jornal O Comércio teve acesso, com exclusividade, ao anteprojeto de engenharia realizado pela Universidade Livre do Meio Ambiente (UNILIVRE) referente ao estudo de obras para a diminuição das enchentes no Vale do Iguaçu.
Em mais de 500 páginas, a Unilivre traz um apanhado dos projetos feitos anteriormente, citando propostas que já haviam sido levantadas por outros estudos. Também discorre sobre as características do Iguaçu na região estudada, bem como traça um histórico das cheias em União da Vitória e Porto União.
No anteprojeto, a universidade propõe 20 possíveis intervenções, tanto em União da Vitória quanto em Porto Vitória, sendo elas obras para aumento da capacidade de escoamento, como escavações, retificações, dragagens e construções de canais e túneis, além de intervenções para proteção, neste caso, a construção de diques.
De acordo com o documento, todas as alternativas foram “avaliadas individualmente conforme seus benefícios hidráulicos e, posteriormente, associadas em combinações entre alternativas de modo a otimizar os benefícios”.
Para análise dos resultados de cada proposta de intervenção no centro urbano das cidades, foram selecionados seis pontos que representam as regiões mais afetadas pelas enchentes, sendo eles: Ponto 1 – Foz do Rio Pintado; Ponto 2 – Ponte Férrea (montante); Ponto 3 – Ponte do Arco (montante); Ponto 4 – CTG; Ponto 5 – Clube Náutico; e Ponto 6 – UGV.
Com base em informações de batimetria, foram identificados sete trechos de possível escavação ao longo do Iguaçu. Os pontos selecionados apresentam elevação de fundo.
As 20 alternativas propostas e sua estimativa de custo foram: Escavação do Leito no trecho 1 do rio (R$ 298.237.320,00); Escavação do Leito no trecho 2 do rio (R$ 153.167.980,00); Escavação do Leito no trecho 3 do rio (R$ 58.187.800,00); Escavação do Leito no trecho 4 do rio (R$ 161.199.750,00); Escavação do Leito no trecho 5 do rio (R$ 34.082.130,00); Escavação do Leito no trecho 6 do rio (R$ 69.621.550,00); Escavação do Leito no trecho 7 do rio (R$ 49.614.010,00); Escavação do leito da Corredeira de Porto Vitória em 3m (R$ 135.395.390,00); Escavação do leito da Corredeira de Porto Vitória em 5m (R$ 190.253.540,00); Construção e Canal a montante da ponte na Fazenda Brasil (R$ 214.416.240,00); Construção de canal a jusante da ponte na Fazenda Brasil (R$ 494.092.680,00); Alargamento a montante da curva da Ressaca (R$ 200.233.840,00); Alargamento a jusante da curva da Ressaca (R$ 191.948.130,00); Alargamento da curva da Ressaca (R$ 75.603.400,00), Alargamento de trecho no Parque Ambiental (R$ 148.460.860,00); Alargamento em trecho na Fazenda Brasil (R$ 626.915.480,00); Construção de canal na Fazenda Brasil + Alargamento no trecho a jusante da ponte na Fazenda Brasil (R$ 389.868.460,00); Construção de Túnel na Fazenda Brasil transpondo o morro Dona Mercedes pela margem direita do rio (R$ 289.783.690,00); construção de túnel em Porto Vitória (R$ 190.218.120,00); e construção de dique de proteção na área urbana (R$ 406.231.950,00).
Para as propostas acima, não foram considerados os custos fundiários, uma vez que a maioria das obras propostas seria realizada em áreas de desapropriação da Usina Hidrelétrica de Foz do Areia, da Copel. A exceção são as áreas indicadas para as alternativas de diques, as quais estão em grande parte fora desta área desapropriada. Neste caso, a alternativa dos diques poderia ter o orçamento alterado para mais.
Dique de proteção
O sistema de dique avaliado no anteprojeto da Unilivre tem o comprimento total de 17.070 m, com sistema de esgotamento por meio de bombeamento. Foram propostos quatro conjuntos de diques, dispostos em Porto União, nos bairros Cidade Jardim e Sagrada Família, no Parque Ambiental, e na área urbana até a UGV. A altura média dos diques teria entre 5,5 m e 7 m.
A Unilivre aponta, no entanto, que “do ponto de vista de defesa civil, em caso de ruptura desse dique, isso poderá provocar maiores riscos à população do que uma cheia com elevação gradual do nível do rio”.
Resultados das alternativas isoladas
Os estudos apontaram que as escavações, de forma isolada, apresentam baixo benefício, com apenas dois trechos representando diminuição acima dos 10 cm na redução de enchentes.
A retirada ou redução das corredeiras de Porto Vitória também foi analisada, com as escavações de leito, resultando em, no máximo, 26 cm de redução.
Já a construção de canais e alargamentos mostraram benefícios maiores na redução dos níveis de enchente, com o Alargamento em trecho da Fazenda Brasil apresentando até 80 cm de diminuição da enchente.
O túnel de derivação na Fazenda Brasil resultou em 14 cm de redução, enquanto que o túnel em Porto Vitória resultou em um benefício na ordem de 12 cm na região de União da Vitória. As propostas de túnel foram analisadas como alternativas de menor impacto ambiental com relação à construção de canais e escavações.
Os diques não representam diminuição nos nível de enchente, sendo utilizados apenas para a contenção das águas.
Alternativa proposta pela Unilivre
Uma vez identificado que as alternativas, de forma isolada, possuem menor capacidade de redução nos níveis de enchente, a Unilivre traçou combinações de propostas.
Foram realizadas 26 combinações, sendo que a 26ª foi escolhida como a melhor opção custo-benefício. Em todas estas combinações foram consideradas uma solução estrutural para a região das corredeiras de Porto Vitória, seja pela escavação do leito ou pela estrutura de túneis de derivação.
Na proposta sugerida pela universidade, são previstas nove intervenções, tanto em União da Vitória quanto em Porto Vitória, sendo elas: escavação do leito do rio, Trecho 2, na região do Vau do Iguaçu; alargamento da calha do rio na região do Parque Ambiental; construção de canal de derivação na Fazenda Brasil; alargamento da calha do rio na Fazenda Brasil; alargamento da calha do rio na região montante da Curva da Ressaca; alargamento da calha do rio na região da Curva da Ressaca; alargamento da calha do rio na região a jusante da Curva da Ressaca; rebaixamento do leito em trecho do rio em Porto Vitória; e escavação de leito na corredeira de Porto Vitória. Essa última obra, segundo a universidade, poderia ser substituída pela construção de um túnel de derivação na corredeira de Porto Vitória.
De acordo com a Unilivre, a junção dessas intervenções poderia diminuir em 2,60 m o nível das cheias no Vale do Iguaçu.
A universidade sugere que a obra seja feita em duas etapas. Na primeira, é prevista a execução de obras de estruturas de canal e alargamentos, com os seguintes prazos: canal de Derivação na Fazenda Brasil: 24 meses; alargamentos da Fazenda Brasil, da Curva da Ressaca – montante e da Curva da Ressaca – jusante: 18 meses para cada uma dessas estruturas; alargamento do Parque Ambiental e Alargamento da Curva da Ressaca: 12 meses para cada uma dessas estruturas.
Na segunda etapa é prevista a execução de obras de escavação do leito do rio e escavações subterrâneas de túneis, com os prazos: escavação do leito do rio no Trecho T2: 18 meses; escavações do Trecho 6b e Trecho 7, na região próxima à cidade de Porto Vitória: 18 meses; escavação das Corredeiras de Porto Vitória: 24 meses, ou a execução dos túneis de derivação em Porto Vitória: 18 meses.
O orçamento final estimado para a solução selecionada é de R$ 1.305.285.990,00. Caso seja optado pela execução de túnel, o orçamento diminuiu para R$ 1.292.366.570,00, com pequena alteração na capacidade de diminuição dos níveis de enchentes.







