União da Vitória reconhece legado de Dago Woehl com homenagem póstuma
A trajetória de décadas dedicada ao jornalismo, à pesquisa histórica e à defesa do meio ambiente foi reconhecida pela Câmara de Vereadores de União da Vitória nesta quinta-feira (20). Em sessão solene, o Legislativo prestou homenagem póstuma ao jornalista, escritor e ambientalista Dago Alfredo Woehl, que recebeu o título de Cidadão Benemérito do município.
A cerimônia reuniu familiares, amigos, colegas de profissão e representantes das instituições com as quais Dago manteve relação ao longo da vida. O reconhecimento foi marcado por depoimentos sobre a contribuição do homenageado para a preservação da memória e da identidade regional.
Dago morreu em 26 de dezembro de 2023, aos 73 anos. Ao longo da vida, construiu um amplo acervo sobre a história de União da Vitória, Porto União e do Vale do Iguaçu, especialmente sobre as enchentes do Rio Iguaçu, tema ao qual dedicou parte significativa de suas pesquisas.
Pesquisa sobre as enchentes marcou trajetória
Dago foi membro fundador da Sociedade de Estudos Contemporâneos – Comissão Regional Permanente de Prevenção contra Enchentes do Rio Iguaçu (Sec-Corpreri). A entidade reúne pesquisadores, autoridades e representantes da sociedade civil em torno de estudos e propostas relacionadas às cheias do rio.
Entre suas principais contribuições está a publicação “Conhecendo e Convivendo com as Enchentes”, trabalho que reúne documentos, mapas, registros fotográficos e informações históricas sobre as inundações que atingiram as cidades do Vale do Iguaçu.
A preservação do patrimônio histórico também fez parte de sua trajetória. Dago participou da organização do Museu da Erva-mate, no Parque Histórico Iguaçu, espaço voltado à preservação da memória de uma atividade que teve papel importante na formação econômica e social da região.
Também integrou a Academia de Letras do Vale do Iguaçu (Alvi), contribuindo com pesquisas e iniciativas relacionadas à literatura e à história regional.
Atuação no jornalismo
Na comunicação, Dago construiu uma trajetória reconhecida pela pesquisa e pelo conhecimento sobre a realidade regional. Durante anos, colaborou com o Grupo Verde Vale de Comunicação.
No Jornal O Comércio, exerceu a função de jornalista responsável e participou da produção de reportagens, artigos e projetos editoriais. Seu trabalho ajudou a registrar acontecimentos e personagens importantes da história do Vale do Iguaçu.
Para a esposa, Joana Przysiezny, o título representa um reconhecimento merecido ao trabalho que Dago desenvolveu durante a vida.
“Acho justo esse reconhecimento, pois ele fez muito pela cidade. E, vendo seus arquivos, vejo quantas coisas ele conseguiu construir, mas, acima de tudo, como ele conseguiu motivar as pessoas a caminhar junto com ele”, afirmou.
O presidente da Câmara, Cordovan Neto, lembrou que a homenagem começou a ser discutida ainda quando Dago estava vivo.
“Ele fez história em nosso município. Já vínhamos trabalhando com essa homenagem com ele em vida, e achamos muito justo seguir com esse reconhecimento a uma pessoa digna de receber essa honraria”, disse.
Legado permanece entre instituições e familiares
Durante a sessão, representantes de diferentes instituições destacaram a importância da trajetória de Dago para a região.
“Uma homenagem muito justa, pois foi um grande cidadão de União da Vitória, e celebramos seu legado em uma noite inesquecível para todos nós”, afirmou o prefeito de União da Vitória, Ary Carneiro Júnior.
O prefeito em exercício de Porto União, Sandro Calikoski, também ressaltou a atuação de Dago em iniciativas voltadas à comunidade.
“Uma pessoa que sempre esteve envolvida com o bem-estar da população. Parabenizo o município de União da Vitória por esse reconhecimento”, declarou.
Para o presidente da Academia de Letras do Vale do Iguaçu, Carlos Roberto Rodrigues Silva, a homenagem também representa uma forma de manter viva a presença de Dago.
“Para nós, da Academia, é um momento de gratidão. Ele não partiu, permanece conosco vivo com seu legado”, afirmou.
O historiador e integrante da Alvi Aluízio Witiuk destacou a capacidade de Dago de transformar pesquisas e registros em instrumentos de preservação da identidade regional.
“Justiça seja feita, ele deixou registrada uma grande história. Era um visionário, incorporando a história da cultura de um povo”, disse.
Além do jornalismo e da pesquisa histórica, Dago atuou na defesa de causas ambientais e participou de palestras, projetos de educação patrimonial e iniciativas de conscientização sobre a importância do Rio Iguaçu.
O título de Cidadão Benemérito encerra, de forma simbólica, um reconhecimento que ultrapassa a atuação profissional. Para familiares, amigos e instituições que conviveram com Dago, a principal marca de sua trajetória permanece no conhecimento produzido e no acervo deixado para as futuras gerações.






