Valdir Gehlen: 46 anos de história e raízes firmes em União da Vitória
Há 46 anos, o advogado Valdir Gehlen desembarcava em União da Vitória para iniciar uma nova etapa da vida.
O que começou como um desafio profissional transformou-se em uma trajetória marcada por dedicação à advocacia, participação comunitária e forte ligação com o esporte.
Hoje, o nome Valdir Gehlen é reconhecido como referência jurídica e também como um dos principais incentivadores do esporte regional.
Gaúcho nato, ele nasceu em 28 de janeiro de 1950, no interior do Rio Grande do Sul, em uma localidade chamada Esconcha, então pertencente ao município de Guaporé.
A infância foi vivida em meio às dificuldades típicas do interior, mas também cercada por valores familiares e comunitários.
“A nossa família era de colonização, bastante pobre. A vida era difícil, tanto que eu só fui vestir o meu primeiro calçado quando fiz a primeira comunhão, por volta dos oito anos.”
Apesar das limitações, ele recorda a infância com carinho e gratidão, destacando a união familiar e o espírito de trabalho.
“Nós podíamos passar vontade de comer alguma coisa, mas nunca passamos fome, porque tínhamos a nossa própria produção.”
A escolha pela advocacia
Um episódio marcante da juventude de Valdir Gehlen ocorreu quando ele ainda vivia em Marau, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, um acidente de ônibus quase compromete sua capacidade de falar, fato que influenciou diretamente sua trajetória de vida.
Segundo ele, o veículo em que estava sofreu um grave acidente logo na saída da cidade. “O ônibus quebrou a ponte, bateu numa árvore e virou”, recorda.
No impacto, Valdir teve a língua gravemente ferida. “Eu havia cortado minha língua de lado a lado. Ela estava só presa pela pele de baixo”, relatou.
O atendimento médico foi imediato e decisivo. Sem anestesia, o profissional realizou o procedimento para preservar a fala.
“Se eu fizer os pontos sem anestesia, vai te sarar mais rápido e salvar a tua língua”, contou o médico, conforme relembra Valdir.
Apesar da gravidade da lesão, a recuperação ocorreu com esforço próprio e disciplina. Ele afirma que passou a fazer exercícios por conta própria, o que contribuiu para recuperar a fala. “Eu mesmo fiz os meus exercícios físicos e comecei a ensaiar”, destacou.
Foi nesse período que surgiu também o interesse pela comunicação e pela oratória, habilidades que mais tarde se tornariam marcas de sua atuação profissional e comunitária.
A decisão de seguir a carreira jurídica não aconteceu por acaso. Ele inclusive frequentou o seminário. Desde cedo, Valdir percebeu que queria trabalhar defendendo direitos e ajudando pessoas. Para ele, a advocacia sempre teve um sentido vocacional.
“Eu nunca quis fazer da advocacia apenas um meio de ganhar dinheiro. Para mim, é uma profissão vocacional.”
A formação acadêmica foi conquistada com esforço e persistência. Por dificuldades financeiras, ele cursou Direito ao longo de mais de sete anos, pagando as disciplinas conforme as condições permitiam.
Concluiu a graduação em 1979 e, pouco tempo depois, decidiu buscar novos horizontes.
A chegada a União da Vitória
A chegada de Valdir Gehlen ao Vale do Iguaçu marcou o início de uma nova etapa em sua vida profissional e pessoal. O advogado decidiu se estabelecer em União da Vitória no dia 20 de março de 1980, motivado pelo desejo de construir uma trajetória independente na advocacia.
Segundo ele, a vinda à região aconteceu inicialmente por um compromisso familiar, mas o contato com a cidade foi decisivo para a mudança definitiva. “Eu resolvi, eu vim para cá para União da Vitória para batizar um filho de um amigo e gostei aqui da cidade”, relembra.
Na época, Valdir trabalhava com o irmão, também advogado, em uma imobiliária no Rio Grande do Sul. No entanto, sentia a necessidade de trilhar o próprio caminho. “Eu achava que tinha que dar meus passos independentes. Eu sonhava em ter ares próprios e por isso vim para cá”, afirmou.
Nos primeiros meses, ele se hospedou em uma residência de conhecidos e depois em um hotel no centro da cidade, até alugar um apartamento e se estabelecer definitivamente.
Dois anos após a chegada, formou família ao se casar com Claudete Maria Weschenfelder Gehlen, com quem teve dois filhos: Guilherme, médico ortopedista e cirurgião, e Dayane.
Ao lembrar do início da carreira na cidade, Valdir destaca o cenário profissional da época. “Naquele tempo éramos somente 12 advogados. Hoje eu sou o segundo advogado mais antigo em atividade”, ressaltou.
Ele revela que pretendia permanecer na cidade, mas mantinha um plano alternativo caso a adaptação não desse certo. “Se eu visse que não desse certo, eu não voltaria. A minha ideia era ir para o Mato Grosso, mas aqui me adaptei bem”, concluiu.
“Cheguei aqui no dia 20 de março de 1980, no entardecer. Naquela noite ainda dormi na casa de um amigo e depois comecei a organizar minha vida na cidade.”
Ao longo dos anos, atuou em diversas cidades da região e participou da fundação de sindicatos e entidades representativas dos trabalhadores, principalmente nas áreas trabalhista e previdenciária.
O homem forte do esporte
Ao longo dos 46 anos de atuação em União da Vitória, o advogado Valdir Gehlen afirma que sempre buscou integrar a vida profissional com a participação ativa na comunidade. Além da advocacia, ele se envolveu em diversas entidades sociais, culturais e esportivas da região.
Segundo ele, a atuação comunitária sempre fez parte de sua trajetória. “Eu fiz na advocacia uma profissão, mas nunca deixei a sociedade de lado”, destaca.
Valdir participou de diretorias de clubes tradicionais da cidade, como o Clube Concórdia, Clube Aliança e Clube Apolo, além de integrar e ajudar a fundar o Grupo Los Galderio, criado em 1985.
Ele também teve papel relevante na preservação da história esportiva local, dedicando cerca de duas décadas de trabalho ao Ferroviário, mesmo sem ligação familiar com o setor.
“Eu gosto de defender a história da cidade e as partes culturais e esportivas das nossas duas cidades irmãs, União da Vitória e Porto União”, afirma.
O envolvimento com o esporte começou ainda nas escolinhas de futebol e se ampliou com a organização de campeonatos e apoio a equipes da região. Na época, segundo ele, havia pouca estrutura e investimento público, o que motivou a iniciativa voluntária.
“Eu comecei a patrocinar camisa, bola e organizar campeonatos. Era uma forma de retribuir à sociedade”, relembra.
Essa dedicação fez com que passasse a ser reconhecido pela comunidade como um dos incentivadores do esporte local. “Na imprensa comecei a ser conhecido como amigo do esporte e homem forte do esporte”, diz.
Além do esporte, Valdir também mantém participação em atividades comunitárias e religiosas, reforçando o vínculo com a região. Ao avaliar sua trajetória, ele resume o sentimento em relação à cidade onde construiu sua vida.
“Minha vida em União da Vitória, Porto União e toda a região sempre foi gratificante”, conclui.
Ele participou da organização de campeonatos, apoiou equipes e incentivou a criação de escolinhas esportivas, contribuindo diretamente para a formação de milhares de crianças e adolescentes.
Durante muitos anos, também esteve presente nas transmissões esportivas do rádio regional, atuando nas jornadas esportivas e fortalecendo a cobertura do esporte local.
Foi dessa atuação que surgiu o apelido que o acompanha até hoje: “homem forte do esporte”.
Raízes gaúchas e amor pela cidade
Mesmo após décadas vivendo em União da Vitória, Valdir afirma que mantém viva a identidade gaúcha, com orgulho das tradições e da cultura de origem.
“Eu estou aqui há 46 anos, mas não sai aquele sangue gaúcho da gente. Quem nasce no Rio Grande do Sul leva essas raízes para o resto da vida.”
Torcedor apaixonado do Internacional, ele também construiu uma relação afetiva profunda com a cidade que escolheu para viver.
Ao longo desses anos, participou de clubes, entidades e atividades comunitárias, sempre buscando contribuir para o desenvolvimento social e cultural da região.
Uma vida construída em União da Vitória
Além da carreira profissional, Valdir destaca a importância da família em sua trajetória. Casado há mais de quatro décadas, ele criou os filhos na cidade e hoje celebra a presença dos netos.
Depois de 46 anos de atuação, ele resume a própria história com satisfação e gratidão.
“Fui mais feliz do que infeliz. Tive mais vitórias do que derrotas. Sou feliz por estar em União da Vitória e por tudo o que construí aqui.”







