Do Rei Momo aos bloquinhos, Vale do Iguaçu já foi a terra do Carnaval
Confete espalhado no chão para cinco dias de folia organizada. Fantasias no corpo e marchinhas embalando os foliões. Assim era o Carnaval no Vale do Iguaçu nas décadas passadas.
A festança era tanta que União da Vitória e Porto União tinham seu próprio Rei Momo. O comerciante Elias Niman comandava os desfiles pela área central dos municípios nas décadas de 40 e 50. Foi atribuído a ele, na edição número 650 de O Comércio, publicada em 06 de março de 1960, o renascimento das festividades em nossas cidades.
“Anos atrás ocorreram aqui carnavais magníficos. Desfiles de carros e blocos com ricas vestes a Luiz XV. Fogos de artifício e todo povo se divertia. Depois? O Carnaval foi se definhando de ano a ano. De súbito, em 1949, ressuscitou. O cavaleiro Elias Niman gastou uma fortuna com suas luxuosas e ricas roupas a Dom João VI. Movimentou toda a cidade e até de fora. (…) O cavaleiro, gozando de tal espírito e sobretudo dono de muita gaita, promoveu um carnaval tão grandioso que chegou a receber visita dos prefeitos de então. Apesar de doze anos passados, ainda é lembrado com saudades. Que Carnaval!”.
Carnaval, festa de família
As comemorações das décadas de 70 e 80 também são lembradas com carinho. Diversas edições de O Comércio trouxeram a cobertura do Carnaval, sempre ressaltando a participação harmoniosa dos foliões, muitos vindos de fora para apreciar as festas do Vale do Iguaçu. “Vinha gente de diversas cidades porque o Carnaval aqui era um dos carnavais mais legais que tinha na face dessa Terra. Todo mundo gostava dos carnavais daqui. Era muito legal”, relembra o DJ e locutor da FM Verde Vale, Álvaro Moreira.
Além de ser um folião de carteirinha, Álvaro também costumava agitar as festas nos clubes das cidades como DJ durante os momentos de pausa das bandinhas. As músicas escolhidas para tocar eram as tradicionais de Carnaval.
De todas as suas participações nas festas, algo que marca a memória de Álvaro é a forma ordeira com que a população se divertia. “O bom de tudo é que era o Carnaval Família. Ia a família toda no Carnaval. Ia o pai, a mãe, o vovô, a vovó, o tio, as crianças que não podiam entrar à noite, mas tinha as matinês. Era uma coisa muito legal. E raramente dava uma briga no Carnaval. Dava, é claro. Mas era raro, porque era sempre aquela coisa família. Era muito legal. Então a gente fica bem triste de ver que não tem mais esse Carnaval legal que era antigamente”.
A era dos bloquinhos
A década de 90 e o início dos anos 2000 foram marcados pela presença dos bloquinhos. Havia até concurso para escolher o melhor do Carnaval. A dedicação era tanta que, em 2001, o bloco Piratas do Iguaçu, campeão do concurso realizado no ano anterior pelo Clube Aliança, chegou a alugar um escritório no Shopping Vale das Cachoeiras para organizar a participação dos foliões. Naquele ano, o bloco se sagrou Tricampeão. A história foi destacada nas edições 2764 e 2768 de O Comércio.
- Foto: acervo JOC
- Foto: acervo JOC
Os blocos Pra-lá-da-lua, Bartiras e Sambacana foram lembrados por nossos leitores em enquete feita no Instagram do Portal Vvale. Mas muitos outros marcaram presença nas festas.
Outra participante confirmada nos carnavais dos anos 2000 era a banda By Brasil. Criada para ser a atração musical do bar de Eloi Arving de Lara, não demorou muito para que os músicos começassem a animar as festas do Vale do Iguaçu e região. “A banda se apresentava em todo tipo de evento no sul do Brasil, mas o carnaval era um evento muito esperado, onde a Banda colocava mais músicos e bailarinas no palco para as cinco noites e duas tardes de festa”, comenta Eloi.
Segundo o músico, os carnavais do Vale do Iguaçu são lembrados com saudade por todos que passaram pela By Brasil naquela época. “Aqui era muito movimentado, pois tínhamos a participação de vários blocos que se formavam para o Carnaval, com a vinda de pessoas de outras cidades para curtir por aqui. A Banda fazia também, durante os bailes, apresentações com performances inéditas, com alguns músicos humoristas que detinham a atenção dos foliões”.
No repertório, uma mescla que agradava a todos, indo das tradicionais marchinhas e passando pelos sambas de escolas vencedoras dos desfiles e músicas populares no Carnaval da Bahia. “Sempre executando ao vivo com excelentes músicos e bons profissionais da música que contribuíram para que essa marca Banda By Brazil estivesse até dias atuais trabalhando com sucesso e muito profissionalismo por todo o sul do País”, completa Eloi.
No começo do século, o jornal também servia como repositório oficial das fotos de Carnaval, como lembra Eduardo Carpinski, diretor-geral de jornalismo do Grupo Verde Vale de Comunicação, que à época era diagramador deste periódico. “A cobertura carnavalesca sempre foi intensa nas páginas de O Comércio. Até o início dos anos 2000, quando ainda não existiam as redes sociais, era nas páginas do jornal que se viam os “cliques mais curtidos” dos clubes locais. Marcelo Storck, titular da coluna Radar, e Divair Dalmas registravam o que acontecia de melhor nos clubes e blocos do Vale do Iguaçu. A edição seguinte sempre era muito procurada nas bancas. Tínhamos que aumentar a impressão para atender a procura enorme. Bons tempos”.
Pode ser que a nostalgia deixe mais doce o sabor das memórias dos carnavais passados, mas nos relatos de foliões e registros de O Comércio, o Carnaval do Vale do Iguaçu já foi um dos melhores do mundo.
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