União-vitoriense Izaa Galle conquista topo do mundo em campeonato de CS2

O tempo em que videogames eram brincadeira de criança, ou apenas uma distração, ficou no passado. Atualmente, os chamados eSports movimentam fortunas e envolvem uma série de profissionais, entre eles jogadores, técnicos, auxiliares, designers, desenvolvedores, testadores de jogos, entre outros. E o Vale do Iguaçu não ficou de fora desse novo mundo, tendo sua própria representante no cenário. Izabella Galle – a Izaa – joga profissionalmente desde os 15 anos. Hoje, com 23, colhe os louros de anos de dedicação, tendo alcançado, em maio, o título de campeã mundial de Counter-Strike 2 (CS2) ao lado das companheiras da equipe Furia.

União-vitoriense Izaa Galle conquista topo do mundo em campeonato de CS2

Foto: ESL

A história de Izaa com o CS começou ainda na infância, quando assistia o pai e o tio jogando no computador de casa. Com sete anos, jogou pela primeira vez e nunca mais parou. Conforme o tempo passava, o sonho de se tornar profissional foi crescendo. Certo dia, encontrou em um grupo de Facebook pessoas formando um time. Ela ingressou na equipe, começou a participar de campeonatos e percebeu que tinha potencial.

Izaa e o pai. Foto: arquivo pessoal

Quando Izaa estava no ensino médio, recebeu a proposta de ingressar no time profissional do Santos. A oportunidade foi vista com bons olhos pelos pais da jovem. “Eles sempre falam que a faculdade eu posso fazer agora se eu quiser, mas aquela oportunidade que eu estava tendo naquele momento talvez eu nunca mais tivesse”, relembra. Parte da família, entretanto, não apoiou de pronto a decisão, afinal, jogos ainda eram vistos como brincadeira. Porém, no decorrer da jornada, passaram a entender que ser atleta de eSports é um trabalho sério. “E hoje em dia todo mundo assiste aos meus jogos”.

No início, foi difícil conciliar os estudos com os treinos. Izaa estudava em um colégio de período integral, mas as exigências profissionais impunham treinos da tarde até a noite. Por essa razão, precisou mudar de colégio. “Treinava das 14h às 00h, acordava às 06h e ia para a escola”.


Dia a dia

Ser uma profissional de eSports implica em deveres como qualquer outro trabalho. Atualmente, Izaa possui um contrato com a Furia, uma das maiores organizações de e-sports do país, com equipes de diversos jogos, entre eles o CS2. A jovem segue uma rotina de treinos diários, tanto individuais quanto coletivos, onde exercita a parte tática do jogo, combina jogadas, treina a mira e reflexos, além de estudar partidas de grandes profissionais da área.

A profissão também implica em abdicações, principalmente o convívio com familiares nos tradicionais dias de descanso, visto que a maioria dos torneios acontecem aos finais de semana. “A gente abre mão de bastante coisas, mas [jogar profissionalmente] é um sonho que temos”, comenta.


ESL Impact

O CS2 é um jogo de tiro em primeira pessoa (FPS) competitivo, em que duas equipes duelam em grupos divididos em terroristas e contra-terroristas (CT). O objetivo do primeiro, geralmente, é plantar bombas, enquanto o do segundo é impedir que a bomba exploda. Há, também, campeonatos em que o objetivo é sequestrar ou salvar reféns.

Nos campeonatos, as equipes precisam vencer dois de três mapas. Para isso, é preciso vencer 13 rounds em cada mapa. Ambas as equipes jogam tanto como terroristas como CT. Para estar sempre preparada, Izaa relata que sua equipe treina em todos os mapas, e estuda quais mapas seus adversários têm mais afinidade. “Temos um treinador e um analista. Eles ajudam muito nessa parte e estudar os adversários, os mapas, ver o que é melhor a gente jogar”.
O ESL Impact Season 7, realizado em Dallas, é considerado o maior campeonato feminino de CS2. Em 25 de maio, Izaa e as colegas de equipe Gabriela Freindorfer, Bruna Marvila, Karina Takahashi e Lu Litenz tiveram a oportunidade de disputar a final e sagraram-se as primeiras campeãs mundiais da categoria no Brasil.

União-vitoriense Izaa Galle conquista topo do mundo em campeonato de CS2

Para Izaa, a conquista foi a realização de um dos seus maiores desejos. “Sempre tive esse sonho de ganhar um mundial, e ele veio agora faz pouco tempo. É um sonho realizado. Foi muito legal, uma experiência absurda. É um sentimento inexplicável. Quando eu comecei a jogar eu dei uma entrevista para o G1 e disse que meu sonho era ganhar um mundial. A Izabella de 15 anos está orgulhosa”.

Foto: Furia


Próximos passos

Agora que atingiu o topo do mundo da categoria, Izaa pretende alcançar novas metas. A principal delas é participar de campeonatos mistos e jogar de igual para igual com equipes masculinas. Para ela, existe uma discrepância entre equipes masculinas e femininas, por uma questão histórica, mas que está sendo desconstruída. “Antes não era normal as mulheres jogarem. Agora está tendo cada vez mais investimentos. Ainda falta, mas acho que isso é uma questão de tempo. Hoje em dia já é muito melhor do que era antes”.

Seu desejo é mostrar que as mulheres são tão capazes quanto os homens. “Sempre tive esses dois sonhos: ganhar no mundial feminino e jogar de igual para igual no misto. Agora estou correndo atrás para alcançar meu segundo sonho”.

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