Há 80 anos, Hiroshima era atingida pela bomba atômica; O Comércio noticiou
Há exatos 80 anos, Hiroshima era atingida pela bomba atômica. Três dias depois, em 09 de agosto de 1945, Nagasaki foi a vítima do segundo e, até hoje, último ataque com esse tipo de arma na história.
A bomba que atingiu Hiroshima matou cerca de 140 mil pessoas. Em Nagasaki, as vítimas fatais foram cerca de 74 mil. Os dois bombardeios marcaram o fim da Segunda Guerra Mundial.
Como um jornal quase centenário, O Comércio noticiou a existência daquela nova arma. Em 16 de setembro de 1944, com um infográfico, explicou o poder de destruição da bomba atômica.
- Foto: acervo JOC
- Foto: acervo JOC
Nesta quarta-feira, 06, Hiroshima relembra o fato histórico com uma cerimônia que deve reunir representantes de cerca de 120 países. Grandes potências nucleares como Rússia, China e Paquistão, entretanto, não estarão presentes.
Atualmente, Hiroshima é uma grande metrópole, com 1,2 milhão de habitantes. Entretanto, as marcas da bomba seguem na cidade, com um edifício em escombros mantido na área central para recordar a todos os visitantes o horror do ataque.
O evento busca alertar ao maior número possível de autoridades os riscos que uma nova guerra com uso desse tipo de arma poderia trazer. “É importante que muitas pessoas se reúnam nesta cidade afetada pela bomba atômica, porque as guerras continuam ao redor do mundo”, diz Toshiyuki Mimaki, copresidente da Nihon Hidankyo, uma organização de sobreviventes da bomba e vencedor do Prêmio Nobel da Paz 2024.
Mimaki também pede que países se esforcem para eliminar as armas nucleares. Atualmente, sabe-se que EUA, Rússia, Reino Unido, China, França, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte possuem bombas atômicas em seu arsenal.
A ameaça da Guerra Nuclear
Desde que as duas bombas atômicas – chamadas de Little Boy e Fat Man – foram lançadas sobre o Japão, o medo de que armamento similar seja novamente utilizado em batalhas permeia a humanidade.
O próprio Jornal O Comércio, em edição de 16 de agosto de 1958, publicou uma entrevista com o filósofo e matemático Bertrand Russell, destacando em sua primeira página, a frase “Daqui há 40 anos talvez não exista um ser vivo na Terra”. A declaração foi dada em meio à Guerra Fria, período em que a preocupação com o armamento se aflorou devido ao conflito entre Estados Unidos e a antiga União Soviética.
Perguntando sobre o que diria a Khrushchov, primeiro-ministro da União Soviética, caso fosse Eisenhower, o presidente dos EUA na época, Russell respondeu: “Creio que diria, primeiro, que todos temos que reconhecer que uma guerra nuclear significa um desastre irreparável. Que nenhum dos lados sobreviveria e que, portanto, há de se convir em que a guerra seja afastada de qualquer consideração . Esse seria o axioma principal da discussão”.
Sempre em voga, o armamento nuclear também serve de enredo para a cultura pop. Exemplo mais recente é o filme Oppenheimer, de 2023, biografia do cientista considerado pai da bomba atômica. O filme foi vencedor de sete Prêmios Oscar e um sucesso de bilheteria.
Outro grande exemplo é o filme Doutor Fantástico, do diretor Stanley Kubrick. Lançado em 1964, a obra satiriza a fragilidade da paz mundial durante a Guerra Fria. No filme, um general que acredita que a União Soviética está pronta para dominar o mundo resolve ordenar que um grupo de soldados americanos bombardeie o país inimigo. O que eles ainda não sabiam era que, assim que a bomba atingisse o solo soviético, a chamada “Arma do Juízo Final” seria ativada, dando início a uma série de disparos de armas nucleares, sem a possibilidade de desativá-las. O roteiro gira em torno de uma sucessão de erros que resulta em um planeta em chamas.
O enredo, apesar de ser um tanto exagerado, exemplifica uma das ideias do livro Guerra nuclear: Um cenário, lançado neste ano no Brasil. Finalista do Prêmio Pulitzer, nesta obra a jornalista Annie Jacobsen discorre sobre os riscos e possíveis efeitos de uma guerra nuclear nos dias de hoje.
Nesta obra, que coloca dados reais em torno de uma especulação, o disparo de um único míssil daria origem a uma sequência de retaliações e erros que culminariam no fim do mundo. O que a jornalista quer mostrar com seu livro é que basta um simples disparo para que tudo vá por água abaixo.
Neste momentos de conflitos como o entre Rússia e Ucrânia, e também o mais recente envolvendo Israel, EUA e Irã, organizações alertam para o perigo de nos envolvermos em uma guerra nuclear. O Relógio do Juízo Final, instituído em 1947 por cientistas nucleares Bulletin of the Atomic Scientists como uma metáfora para mostrar à humanidade o quão próximos estamos de uma auto aniquilação nunca esteve tão perto da meia-noite: faltam apenas 89 segundo, de acordo com a última atualização.
*Com informações de Correio Braziliense e Brazil Journal.
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