Advogado da família afirma que pena pode passar de 40 anos em caso de feminicídio em Canoinhas
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou denúncia formal contra Antonio Padilha, suspeito de matar a jovem Jamile Cordeiro, em Canoinhas.
A decisão foi protocolada no dia 7 de abril de 2026, confirmando o enquadramento do caso como feminicídio, além do crime de incêndio, ocorrido logo após o homicídio.
Segundo a denúncia, o crime aconteceu por volta da 1 hora da madrugada do dia 25 de março, na residência localizada na Rua Alfredo Schumacher, no bairro Alto da Tijuca. O acusado teria agido com intenção de matar, no contexto de violência doméstica, já que mantinha uma relação íntima de afeto com a vítima.
O Ministério Público afirma que a morte foi causada por golpes na cabeça e ferimentos provocados por faca na região do pescoço, resultando em choque hemorrágico, apontado como causa efetiva do óbito.
Ainda de acordo com a Promotoria, o crime foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e com uso de meio cruel, circunstâncias que agravam a acusação.
A denúncia também inclui um segundo crime. Conforme o MPSC, após o feminicídio, o suspeito teria ateado fogo em materiais dentro da residência, colocando em risco a vida de familiares que estavam dormindo no local. Segundo o documento, a intenção teria sido assegurar a impunidade, destruindo vestígios do crime.
O incêndio ocorreu na mesma casa onde viviam familiares do acusado, incluindo uma criança de cinco anos, que também teria sido exposta ao perigo.
Palavra do advogado da família
O advogado da família da vítima Icaro Ruschel afirmou que, com o oferecimento da denúncia, o caso deixa de ser apenas investigado e passa a tramitar como ação penal, com acusações formais contra o suspeito.
Segundo ele, o feminicídio é considerado atualmente um crime autônomo, previsto na legislação penal, com penas elevadas, especialmente quando há agravantes.
“O acusado foi denunciado por feminicídio com qualificadoras, como o uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Somando os crimes apontados na denúncia, a pena pode ultrapassar 40 anos de prisão”, explicou o advogado.
Ele também contestou a versão apresentada pelo suspeito durante o interrogatório, que alegou ter agido em legítima defesa. De acordo com o defensor da família, exames médicos realizados antes da prisão não teriam identificado lesões que indicassem confronto físico.
Outro ponto destacado foi o incêndio ocorrido após o crime. Conforme o advogado, a conduta teria colocado em risco outras pessoas que estavam na residência, o que reforça a gravidade das acusações.
O profissional ainda ressaltou que, em casos de crimes hediondos como o feminicídio, a legislação atual prevê o cumprimento de uma parcela significativa da pena em regime fechado.
Leia também: Jovem de 21 anos é morta com três golpes no pescoço em Canoinhas
Vítima de feminicídio será sepultada em Irineópolis; suspeito foi preso



