Adeus à voz do “Bom dia, cidade”: morre a comunicadora Gilmara Gaertner

O rádio do Vale do Iguaçu está de luto.

Morreu a comunicadora Gilmara Gaertner, uma das vozes mais marcantes da história da radiodifusão regional.

Arquivo Pessoal

Ela enfrentava há mais de uma década um câncer. Nos últimos meses, seu estado de saúde se agravou. Gilmara deixa familiares, amigos, colegas de profissão e uma legião de ouvintes que jamais esquecerão seu timbre de voz inconfundível e a saudação que atravessou gerações: “Bom dia, cidade!”.

Pioneira, Gilmara escreveu seu nome na história da comunicação regional ao se tornar uma das primeiras mulheres locutoras da então Rádio União, abrindo caminho para tantas outras profissionais. Sua trajetória no rádio começou de forma inesperada, em 1985.

Ao procurar a emissora para gravar o Hino Nacional Brasileiro para uma apresentação, foi convidada a registrar um texto. Dias depois, estava contratada e iniciava uma carreira que se estenderia por quase três décadas.

Sua voz logo se transformou em companhia diária para milhares de ouvintes. Além da comunicação espontânea e do carinho com o público, Gilmara eternizou expressões que se tornaram sua marca registrada, como “Alô, cidade!”, “Oi, cidade!” e, principalmente, “Bom dia, cidade!”, saudação que permanece viva na memória de quem acordava ao som de sua voz.

Ela também quebrou barreiras ao integrar, de forma pioneira na região, uma equipe de narração esportiva, em uma época em que o rádio ainda era predominantemente masculino. Com simplicidade, lembrava que trabalhava “no meio da galera”, com microfones de fio e muita paixão pela profissão.

Em 2015, a vida lhe impôs um dos maiores desafios.

Gilmara foi diagnosticada com câncer de mama e precisou interromper sua carreira para iniciar o tratamento. Passou por sessões de quimioterapia e por uma mastectomia, despedindo-se temporariamente dos microfones que tanto amava.

Mesmo longe do rádio, jamais deixou de receber o carinho dos ouvintes, especialmente daqueles que a acompanhavam nas madrugadas da Rádio FM Verde Vale – 94.1

Nos anos seguintes, encontrou novas formas de ocupar o tempo e enfrentar a doença. Dedicou-se à família, às viagens, às reformas da própria casa, ao artesanato, à produção de kombucha e, durante a pandemia, confeccionou e doou centenas de máscaras para pessoas e instituições. Religiosa, dizia que a oração fazia parte de sua rotina diária e encontrava na fé forças para seguir em frente.

Em uma entrevista concedida ao Jornal O Comércio, Gilmara resumiu com serenidade a maneira como encarava a própria trajetória:

“Em 29 anos como locutora eu aprendi muito.”

Em outra reflexão, demonstrava a força com que enfrentava a doença e a finitude da vida:

“Hoje eu espero mais a minha morte do que meu próximo dia.”

A frase, dita anos atrás, nunca representou desistência, mas a coragem de quem conviveu por muitos anos com uma enfermidade grave sem perder a fé, a gratidão e a vontade de viver.

Hoje, a voz silencia. Mas o legado permanece vivo na memória do rádio regional. Gilmara Gaertner ajudou a construir uma geração de comunicadores, emocionou milhares de ouvintes e fez do microfone uma extensão de sua personalidade acolhedora.

O “Bom dia, cidade” ecoará para sempre como uma das marcas mais inesquecíveis da comunicação do Vale do Iguaçu.

Aos familiares e amigos, ficam os sentimentos de solidariedade neste momento de dor. À Gilmara, fica o reconhecimento e a gratidão por uma vida dedicada a informar, entreter e fazer companhia a tantas pessoas através das ondas do rádio.

A locutora Gilmara Gaertner relembra grandes momentos na Rádio Difusora União.

https://www.vvale.com.br/geral/memorias-1070-gilmara-gaertner/