Carlinhos Guérios volta para casa: último desejo é cumprido

A vontade de um filho da terra foi cumprida.

Nesta quinta-feira, 15, as cinzas de Carlos Alberto Costa Guérios, o Carlinhos, retornaram a Porto União e União da Vitória, cidades que marcaram sua história pessoal, profissional e afetiva.

Carlinhos faleceu em 2025, aos 77 anos, em Itajaí, onde residia com a esposa Lúcia, os filhos Maicon e Juliana e os netos.

O último desejo foi atendido pela família — esposa, filhos e o irmão Floriano — em um gesto carregado de simbolismo.

Porto União e União da Vitória eram mais do que locais de nascimento e convivência: eram parte da identidade de Carlinhos, que nunca deixou de se considerar um representante e defensor da memória regional.

Carlos Alberto Costa Guérios (Arquivo Pessoal)

Jornalismo, esporte e os “anos dourados” do Iguaçu

O jornalista Ivo Dolinski escreveu sobre ele:

“Carlinhos foi colega de trabalho na Rádio Colmeia e no Jornal O Comércio na década de 1970. Como repórter esportivo, teve atuação marcante, especialmente durante os anos considerados “dourados” da Associação Atlética Iguaçu, período lembrado até hoje por torcedores e cronistas.

Seu olhar atento para o esporte local ajudou a registrar uma fase importante da história do clube e da própria imprensa regional, deixando um legado de profissionalismo e paixão pelo que fazia.

Do jornalismo ao banco: um embaixador da terra natal

Selecionado para trabalhar no antigo Banco do Estado de Santa Catarina (BESC), Carlinhos iniciou a carreira na agência de Porto União. Graças à dedicação e à inteligência, ascendeu rapidamente, tornando-se gerente e, posteriormente, supervisor em grandes agências de Blumenau e Itajaí.

Mesmo longe, nunca se desligou do Vale do Iguaçu. Pelo contrário: tornou-se, nas palavras de amigos, um verdadeiro “embaixador” da região dentro da instituição bancária estadual, sempre destacando suas origens e mantendo vínculos ativos com a comunidade.

O “garimpeiro cultural” e o amor pela memória

Apaixonado pelo resgate histórico, Carlinhos orgulhava-se do apelido que adotou para si: garimpeiro cultural.

Livros raros, documentos, fotografias, postais e depoimentos eram, para ele, verdadeiros “ouro e diamantes” da cultura. Esse trabalho o aproximou de pesquisadores, colecionadores e instituições, sempre com o objetivo de preservar e devolver a história às futuras gerações.

Carlinhos o Garimpeiro Cultural. (Arquivo Pessoal)

Em 2022, em entrevista concedida à CBN Vale do Iguaçu, ao amigo e historiador Aloisio Witiuk ele resumiu sua missão: buscar, recuperar e compartilhar a memória como forma de manter viva a identidade dos povos e das cidades.

Arquivo Pessoal

Laços que nunca se romperam

A ligação de Carlinhos com Porto União era profunda. Os pais estão sepultados no cemitério do município, e o retorno de suas cinzas reforça esse pertencimento.

Recentemente, ele também havia participado da entrega de materiais históricos raros ao poder público local, ampliando o acervo cultural da cidade — mais uma prova de que seu compromisso com a terra natal foi permanente.

O professor Aluizio Wittiuk, amigo de longa data, prestou homenagens, assim como colegas de imprensa que destacaram sua importância humana e profissional.

Floriano, Witiuk e Carlinhos (Arquivo Pessoal)

O jornalista Ivo Dolinski resumiu o sentimento coletivo ao afirmar que, “como ele quis, suas cinzas retornaram à sua terra natal”.

Carlinhos e o irmão em uma visita do Vale do Iguaçu (Arquivo Pessoal)

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