“Era de um amor que não cabia no peito”, diz filho de Nega Xuxa
Conhecida por onde passava por seu estilo e alegria, Mercedes Araújo dos Santos, a Nega Xuxa, faleceu nesta sexta-feira, 19. Para além da imagem da mulher vestida de prenda, seu filho, Roberto dos Santos, descreve a mãe como uma pessoa carinhosa e focada na boa educação dos filhos.
“Tudo que eu falar a respeito dela, quem conhecia ela vai saber que é uma verdade. Ela, com a família, era uma mãe de um amor que não cabia no peito. Ela era muito amorosa. E também era enérgica com nós, os filhos, com a parte de educação. Ela nunca aceitou que a gente fizesse qualquer tipo de coisa errada. Quando nós éramos pequenos, se a gente aparecesse com um brinquedo em casa, tínhamos que provar que nós ganhamos aquele brinquedo. Ela não aceitava nada de errado da gente”.
Exemplar como dona de casa, Nega Xuxa era, segundo Roberto, de uma inteligência admirável. Apesar de ser analfabeta, nunca lhe faltou sabedoria em uma conversa. “A gente fica pensando: tem pessoas que estudam e acabam não aproveitando nada. A minha mãe não tinha um estudo e ela praticamente sabia tudo. Eu tenho faculdade, e a minha mãe nunca perdeu para mim, bem pelo contrário”.
Uma das marcas de Nega Xuxa era seu esmero com a imagem. Sempre bem vestida, gostava muito de usar jóias e belos vestidos. Esse traço de sua personalidade fazia com que sempre estivesse no centro das atenções. Mas ela gostava mesmo era de ser lembrada por um outro fator. “Ela sempre dizia: meu filho, se eu tiver que entrar em um lugar e sair, que eu seja lembrada pelo perfume. Para ela escolher os perfumes dela, tinha que ser aquilo que ela gostasse, senão, não comprava. O perfume podia ser caro ou barato, não importava para ela, ela não comprava se não gostasse”, comenta Roberto.
Já o apelido de Nega Xuxa remete ao seu bom humor. Brincalhona, sempre divertia a todos onde estivesse. Por essa razão, começou a ser considerada a rainha da cidade. Logo, o apelido passou a fazer referência à Xuxa, rainha dos baixinhos. “Chamavam ela de Nega Xuxa, e ela gostou. E quem conhecia ela sabe que a minha mãe era alegria em pessoa. E também não media esforços para ajudar outra pessoa”.
Muito independente, Nega Xuxa gostava de sair de casa sem pedir carona. Fazia tudo o que podia a pé. Nos últimos tempos, porém, uma doença debilitante fez com que parasse de frequentar os bailes de que tanto gostava. Ela foi diagnosticada com Neuralgia de Trigêmeo, uma condição que causa dores faciais intensas. O problema não conseguiu ser contornado pelos médicos, o que acabou por diminuir sua qualidade de vida.
Atrelado a isso, Nega Xuxa passou por uma série de pneumonias. A última, infelizmente, causou complicações que debilitaram ainda mais sua saúde. Porém, mesmo as complicações não fizeram com que perdesse o espírito de alegria que contagiava a todos. “Ela sempre foi uma mulher forte. Uma mulher inteligente, e divertida, e é assim que gostaria que a minha mãe fosse lembrada: como a Nega Xuxa que ela sempre foi. Uma mulher alegre, divertida. Uma mulher que não media esforço para nada. Uma mulher direita, que sempre cumpriu com as obrigações”.
Nega Xuxa morreu aos 85 anos. Foi esposa de Joaquim dos Santos e mãe de Roberto, Joaquim Moisés, Adalberto e Isabel, além dos já falecidos Lúcio e Luciano. Além dos filhos, deixa enlutados mais de 25 netos, 15 bisnetos, quatro tataranetos e vários amigos.
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