Milho no Monjolo – 08 de julho de 2022

Escreve o leitor

“Amiga Profa. Aldair e querido amigo Dr. Odilon. Com eterno agradecimento pela amizade, simpatia e desvelo para com este escritor memorialista, pelo incentivo de sempre para que a cada dia trilhe mais nesta senda da literatura. Privilegio-os, com uma informação que me dá muito orgulho. Já em fase final na Editora Viseu, a obra “Missão Dada – Dez Meses Para a Formação de Um Caráter”, logo terá seu lançamento agendado. Informo-os ainda, que se o Papai do Céu permitir, até o final deste ano, mais duas obras deverão estar circulando nestas terras outrora contestadas, quiçá, neste Brasil varonil, e porque não, pelo mundo, “Coisas da Bola – Crônicas e Resenhas de um Contador de Histórias” e “O Pregar Fogo dos Trabucos”. Alguns sonhos são passíveis de realização. Lembro ao distinto e nobre casal, que os lucros das vendas, como em todas as obras por mim lançadas, serão direcionados para uma instituição de caridade. Que Deus os abençoe. Atenciosamente, Jair da Silva – Craque Kiko”.


Luto

No último domingo, dia 03, no Rio de Janeiro (RJ), o diplomata Sergio Paulo Rouanet, “mudou-se para o andar de cima”, aos 88 anos de idade. Deixou a mulher, a filósofa alemã Barbara Freitag, e três filhos. A informação da morte foi confirmada pelo Instituto Rouanet, que se manifestou em nota falando sobre a causa da morte: “É com muito pesar e muita tristeza que informamos o falecimento do embaixador e intelectual Sergio Paulo Rouanet, hoje pela manhã do dia 03 de julho. Ele batalhava contra o Mal de Parkinson, mas se dedicou até o final da vida à defesa da cultura, da liberdade de expressão, da razão, e dos direitos humanos. O Instituto Rouanet carregará e ampliará seu grande legado para futuras gerações”. Foi Ministro da Cultura. Em 1991, ele criou a conhecida e chamada “Lei Rouanet”, um dispositivo que beneficia a cultura no Brasil. A experiência da Lei Rouanet é considerada, em vários Países do Mundo, uma revolução no sistema de financiamento à Cultura. O mecanismo traça um caminho entre personagens públicas e privadas da sociedade para alimentarem, no final da linha, artistas e uma cadeia de trabalhadores que os processos culturais projetam. Por ela, o Estado não coloca dinheiro diretamente em nenhuma iniciativa. Ele apenas media o artista que pleiteia um patrocínio com a empresa patrocinadora, garantindo a quem investir descontos no pagamento do Imposto de Renda. A Lei Rouanet criada em 1991, na gestão de Fernando Collor de Mello, começou a ser desidratada na gestão de Jair Messias Bolsonaro, que considerava o projeto nocivo ao Estado. Em abril de 2019, ela passou por alterações e a possibilidade de investimentos à Cultura feitos pelas empresas caiu de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão por projeto. O nome de Sérgio Paulo Rouanet retirado e o dispositivo passou a se chamar Lei de Incentivo À Cultura. Anotação: Nascido no dia 23 de fevereiro de 1934, no Rio de Janeiro (RJ), além de diplomata, Sérgio Paulo Rouanet era filósofo, antropólogo, professor universitário, tradutor e ensaísta. Publicou os livros “Correspondência de Machado de Assis”, “O Homem é o Discurso – Arqueologia de Michel Foucault”, “Imaginário e Dominação”, entre outros. Possuía o Prêmio Ordem Ao Mérito Cultural, entre outros.


Nota de repúdio

A Diretoria da Academia Paranaense de Letras (APL) entende que entregar a Medalha da Biblioteca Nacional a pessoas avessas à literatura e à cultura não é apenas mais um episódio vergonhoso desta quadra que vivemos no Brasil. É um atentado contra a cultura nacional, àqueles que a produzem e a respeitam. Porém, parece que não podemos esperar dos atuais governantes do país senão mais um gesto como este, de premeditado desprezo pela cultura brasileira e pelo povo brasileiro. Um ato proposital para ofender a história da nossa literatura, um escárnio a intelectuais e escritores homenageados com a mesma honraria em outros períodos de nosso país. Não há argumento que possa defender tamanha falta de respeito. Um absurdo que merece o nosso mais veemente repúdio. Academia Paranaense de Letras.

milho no monjolo

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