Sessão tensa e plenário lotado marcam Câmara em Porto União
A 20ª Sessão Ordinária da Câmara de Vereadores de Porto União, realizada na noite desta segunda-feira, 22, foi uma das mais movimentadas dos últimos tempos.
Antes mesmo do início dos trabalhos, a presença de reforço policial nas proximidades do Legislativo já demonstrava a expectativa em torno da reunião, que acabou reunindo um grande público no plenário.
Participaram da sessão o prefeito Juliano Hassan, a vice-prefeita Suelen Geremia, secretários municipais, lideranças comunitárias, servidores públicos e o deputado estadual Maurício Peixer.
Diferente do que normalmente acontece nas sessões ordinárias, a casa ficou praticamente lotada e os debates foram acompanhados atentamente pela população.
O principal tema da noite foi a saúde pública municipal. Convidado a utilizar a tribuna, o prefeito Juliano Hassan apresentou números da gestão e respondeu questionamentos feitos por vereadores nas últimas semanas.
Segundo ele, mais de R$ 45 milhões foram investidos na saúde em 2025, aproximadamente R$ 5 milhões a mais que no ano anterior. O prefeito destacou ainda mais de 304 mil atendimentos realizados na atenção básica, a distribuição de mais de 6,2 milhões de medicamentos e a ampliação de diversos serviços especializados.
“Não são números, são vidas sendo cuidadas”, afirmou o prefeito durante sua apresentação.
Juliano também destacou a ampliação do atendimento a crianças autistas por meio de convênio com a APADAF, afirmando que o município passou de duas crianças atendidas judicialmente para mais de 128 crianças recebendo acompanhamento especializado.
Outro anúncio que chamou atenção foi o novo convênio com o Hospital São Camilo. De acordo com o prefeito, os repasses poderão chegar a R$ 160 mil mensais, permitindo ampliar consultas em ortopedia, neurocirurgia, cirurgia geral, urologia e acompanhamento pós-alta hospitalar.
Vereadores apresentam cobranças e relatos da população
As explicações do Executivo vieram após diversas manifestações feitas pelos vereadores.
O vereador Fernando Barulho voltou a relatar reclamações recebidas da população envolvendo demora em consultas, exames e atendimentos especializados.
“Eu só trago aqui relatos porque a comunidade vem trazendo para nós. Estamos na rua ouvindo as pessoas todos os dias”, declarou.
Barulho também cobrou providências em relação a moradias populares, obras e recursos destinados a entidades do município.
A vereadora Ana Cristina Alves de Paula questionou a aplicação de recursos destinados à reforma da Unidade Básica de Saúde do bairro São Pedro, pediu esclarecimentos sobre uma emenda parlamentar de R$ 100 mil e voltou a cobrar soluções para famílias em situação de vulnerabilidade habitacional.
“Nós estamos aqui porque fomos eleitos para fiscalizar e buscar respostas para a população”, afirmou.
Já o vereador Luiz Alberto Pasqualin defendeu que a Câmara tem o dever de apontar problemas e cobrar melhorias.
“Nós estamos na rua ouvindo o que a população cobra. É para isso que fomos eleitos”, disse.
Pasqualin também defendeu que a administração concentre esforços nos desafios atuais do município.
“Vamos esquecer o passado e trabalhar para avançar a cidade”, declarou.
Deputado destaca fibromialgia e turismo religioso
Durante sua participação, o deputado estadual Maurício Peixer falou sobre a legislação de sua autoria que equiparou os direitos das pessoas com fibromialgia aos das pessoas com deficiência.
O parlamentar destacou que Santa Catarina possui entre 130 mil e 150 mil pessoas diagnosticadas com a doença e elogiou Porto União pelo atendimento oferecido aos pacientes.
“Foi o primeiro município que visitei onde encontrei a medicação sendo disponibilizada para os pacientes com fibromialgia”, afirmou.
Peixer também anunciou tratativas para incluir Porto União na Rota Turística Religiosa Caminho da Graça, projeto que busca fortalecer o turismo religioso e impulsionar a economia regional.
Debate esquenta no encerramento da sessão
O momento mais marcante da noite aconteceu já nos minutos finais da sessão.
Ao retornar à tribuna para responder aos vereadores, o prefeito Juliano Hassan afirmou que não tem problemas com críticas e que a administração está aberta ao diálogo.
“O político tem que se acostumar com os aplausos e com as vaias. Nós não temos problema com críticas”, declarou.
No entanto, ao comentar episódios políticos recentes, o prefeito utilizou a expressão “mau caráter” para criticar determinadas atitudes que considera inadequadas na vida pública.
A declaração provocou reação imediata no plenário.
O vereador Luiz Alberto Pasqualin interrompeu a fala e contestou a colocação do prefeito. Em seguida, o vereador Fernando Barulho também se manifestou.
“Daí não dá. Não dá para chamar todo mundo de mau caráter”, rebateu.
Por alguns instantes, vereadores, prefeito e integrantes da plateia passaram a falar simultaneamente, obrigando o presidente da Câmara, Sandro Calikoski, a intervir diversas vezes para restabelecer a ordem dos trabalhos.
O clima de tensão chamou atenção justamente por fugir do padrão das sessões da Câmara de Porto União, normalmente marcadas por debates mais moderados e pouca participação popular.
Sessão movimentada
Além dos debates envolvendo saúde, habitação e investimentos públicos, a sessão teve aprovação de projetos, requerimentos e indicações voltadas para infraestrutura, assistência social, proteção animal e melhorias em espaços públicos.
Entretanto, o que acabou marcando a noite foi a combinação entre plenário lotado, reforço policial, cobranças ao Executivo e o embate político registrado no encerramento da sessão, transformando a reunião em uma das mais comentadas dos últimos meses no Legislativo porto-unionense.



