Delegada detalha feminicídio no Rio d’Areia e reforça importância da denúncia

Na manhã desta terça-feira,10, a delegada Nielly Luiz Mendes, da Delegacia da Mulher de União da Vitória, concedeu coletiva de imprensa para apresentar informações oficiais sobre o crime de feminicídio ocorrido no bairro Rio d’Areia, em União da Vitória.

O caso terminou com a morte de Ruthe Ribeiro. A filha dela, de 21 anos, foi atingida por disparos e permanece internada em estado grave.

O suspeito do crime, Everaldo Stefanes, fugiu após os fatos e morreu em um acidente registrado na BR-153, ocorrência que, segundo a Polícia Civil, pode ter sido provocada de forma intencional. A confirmação depende dos laudos da Polícia Científica.

De acordo com a delegada, a Polícia Militar foi a primeira a chegar ao local e acionou imediatamente a Polícia Civil e a Polícia Científica, que realizaram o isolamento da área e os procedimentos técnicos previstos em lei.

A vítima foi surpreendida dentro de casa, sem chance de reação, enquanto realizava atividades rotineiras.

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a arma utilizada no crime.

Segundo a delegada, os projéteis encontrados são de calibre ponto 40, armamento normalmente associado a facções criminosas e incomum em ocorrências desse tipo no município.

A arma, no entanto, ainda não foi localizada, nem na residência nem no veículo envolvido no acidente. As diligências continuam para tentar encontrá-la.

Delegada Nielly Luiz Mendes (JOC)

A filha da vítima foi encaminhada inicialmente para atendimento médico e, devido à gravidade dos ferimentos, precisou ser transferida para um hospital de maior complexidade, onde passou por procedimentos cirúrgicos. Ela ainda não pôde ser ouvida pela polícia por questões de saúde.

Em relação ao suspeito, a delegada confirmou que ele foi identificado como o autor do feminicídio, possuía passagens anteriores pela polícia e fazia uso de monitoramento eletrônico no momento dos fatos.

Conforme relatado por pessoas próximas à vítima, havia um histórico de ameaças, embora não exista registro de boletim de ocorrência nem pedido de medida protetiva em nome de Ruthe Ribeiro na Delegacia da Mulher. Essas informações estão sendo apuradas com testemunhas já intimadas.

Segundo familiares, Ruthe manteve um relacionamento com o autor do crime por aproximadamente um ano. O casal estava separado havia cerca de um mês antes do feminicídio, dado que passa a integrar a linha de investigação da Polícia Civil.

Durante a coletiva, Nielly Mendes reforçou a importância do registro de boletins de ocorrência e da solicitação de medidas protetivas em casos de ameaça ou violência doméstica.

A delegada destacou que a Delegacia da Mulher atende União da Vitória e outros municípios da comarca, registra um número elevado de casos e trabalha para incentivar que vítimas e pessoas próximas denunciem situações de violência.

A Polícia Civil informou que o inquérito tramita em regime de urgência.

Mesmo com a morte do suspeito, todas as diligências necessárias serão realizadas para esclarecer completamente o caso, inclusive para apurar a origem da arma e eventual envolvimento de terceiros.

A delegada voltou a orientar que denúncias podem ser feitas inclusive de forma anônima, ressaltando que denunciar é o primeiro passo para evitar tragédias.

Voltar para matérias