Polícia aponta indícios de tentativa de feminicídio após água envenenada
A Polícia Civil divulgou, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (22), novos detalhes da investigação sobre o caso de uma suposta contaminação da caixa d’água de uma residência em Cruz Machado. O episódio resultou na prisão em flagrante de um homem de 44 anos e passou a ser investigado como tentativa de feminicídio, conforme explicou a delegada Suellen Maurin, que responde interinamente pela Delegacia da Mulher de União da Vitória.
Segundo a delegada, a ocorrência chegou inicialmente à Terceira Central Regional de Flagrantes como um caso de descumprimento de medida protetiva. No entanto, durante o atendimento, a vítima relatou um fato ainda mais grave.
“A vítima passou a narrar que, além do descumprimento de medida protetiva, existia um fato ainda mais grave, que era o envenenamento da caixa d’água.”
De acordo com a investigação, a mulher percebeu um forte cheiro e gosto na água, semelhantes aos de um veneno utilizado na região. Além dela, a nora, de 23 anos, também ingeriu a água e precisou de atendimento médico após apresentar sintomas de intoxicação.
Prisão em flagrante foi ratificada
Suellen Maurin explicou que, após ouvir os policiais militares, a vítima e o suspeito, a Polícia Civil concluiu que havia elementos suficientes para lavrar o flagrante pelo crime de tentativa de feminicídio.
“Diante dos elementos, entendi pela autoria e materialidade de tentativa de feminicídio no caso concreto.”
Segundo a delegada, embora o investigado negue ter colocado veneno na água, seu depoimento apresentou contradições.
“O próprio conduzido afirma que não tinha pessoa diversa no local, assumiu o descumprimento da medida protetiva e, embora tenha negado os fatos, o depoimento foi bastante contraditório.”
A Polícia Civil também representou pela prisão preventiva do suspeito. A decisão sobre a manutenção da prisão caberá ao Poder Judiciário, após a audiência de custódia.
Perícias serão determinantes
A delegada ressaltou que a investigação ainda está em andamento e depende da conclusão de diversas perícias.
Após perceber a suspeita de contaminação, a vítima esvaziou a caixa d’água para evitar que outros familiares consumissem a água, mas preservou uma amostra, entregue à Polícia Civil.
“Já acionamos a perícia, que foi ao local para buscar vestígios e também será apurada a toxicidade da água apreendida.”
Além da análise da água, foram solicitados exames toxicológicos nas duas mulheres que ingeriram o líquido.
“Estamos realizando exames complementares nas vítimas para comprovar a materialidade e esclarecer todas as circunstâncias.”
Investigação aponta possível motivação
Durante a coletiva, Suellen Maurin informou que o relacionamento entre o suspeito e a vítima durou cerca de 24 anos e terminou há aproximadamente seis meses.
Segundo ela, os depoimentos indicam que o investigado não aceitava o fim da relação e tinha conhecimento da medida protetiva em vigor desde março deste ano.
“Ele estava realmente inconformado com o fim do relacionamento, não aceitava aquela situação e sabia da medida protetiva de urgência.”
A delegada também revelou que a investigação apura se conflitos relacionados à partilha de bens podem ter contribuído para a motivação do crime.
Caso segue sob investigação
A Polícia Civil reforça que o inquérito ainda está em andamento e que os laudos periciais serão fundamentais para a conclusão da investigação.
“É uma investigação complexa, que depende de várias perícias. Precisamos aguardar a conclusão dos exames para chegar à verdade dos fatos.”
Enquanto isso, o homem permanece à disposição da Justiça, e o caso continua sendo conduzido pela Delegacia da Mulher de União da Vitória.



