Estacionamento de veículos pesados gera debate sobre regras e fiscalização no Vale do Iguaçu

Os espaços urbanos viraram um grande desafio para os atuais gestores. E a escassez deles não é exclusividade de grandes centros ou das metrópoles. União da Vitória e Porto União são cidades que diariamente apresentam situações que exemplificam o déficit de locais planejados, que melhorem especialmente a mobilidade.

(Foto: JOC).

O trânsito está cada vez mais carregado, novos veículos – principalmente as scooters e motos elétricas – passaram a fazer parte de um sistema que precisa encontrar soluções porque está sufocado. Recentemente veio à tona o debate sobre algo que influencia o dia a dia dos atores do trânsito: os veículos pesados que necessitam circular e estacionar em vias movimentadas, em áreas centrais.

Nos últimos dias, nossa reportagem recebeu alguns relatos de moradores indicando que caminhões e ônibus de grande porte estariam estacionados e atrapalhando a visão de motoristas em diferentes cruzamentos da cidade.

(Foto: JOC).

Um dos locais mais apontados pelos motoristas e usuários das vias é a região do INSS, em União da Vitória, onde os ônibus da saúde de municípios da região precisam desembarcar os cidadãos que buscam os serviços do INSS e acabam estacionando nas proximidades. Isso gera reclamações, mas levanta uma questão: qual o local correto para eles estacionarem? Existe uma possibilidade de pararem em uma área que não cause transtornos?

(Foto: JOC).

Os caminhões e ônibus não são proibidos de estacionar na área central ou nos bairros. Mas precisam seguir algumas regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

“Muitos caminhões ou ônibus estacionam a menos de 5 metros em relação ao bordo transversal da pista que cruza uma outra via. Isso gera dificuldade de visualização do veículo que vem na via do cruzamento. Eles precisam estar estacionados há mais de cinco metros do ponto que faz a transversal em relação à via que ele está estacionado. Caso isso não aconteça, é uma irregularidade de trânsito, é uma infração. Além disso, muitas vezes esses veículos de grande porte escondem a sinalização que dá preferência aos veículos que transitam pela via que ele está estacionado. Isso também é em decorrência dessa irregularidade dele estacionar muito próximo da esquina“, destaca uma fonte consultada pelo JOC, especialista em trânsito.

(Foto: JOC).

Em Porto União, os órgãos de trânsito discutem possíveis restrições à circulação de veículos pesados na região central e os critérios para o estacionamento nas vias públicas. De acordo com o presidente do Conselho Municipal de Trânsito (Comutran), Cláudio Tilgner de Souza, o município não estabelece uma vaga específica.

“O que acontece é a proibição de estacionar veículos grandes quando há um pedido dos moradores, desde que fique comprovado que a segurança do local pode ser prejudicada”, explica.

Uma das principais questões em debate neste momento no município é a possibilidade de restringir o trânsito de caminhões em determinadas ruas da região central.

O responsável pelo Departamento de Trânsito, Ivan Andrukiu, informou que o assunto vem sendo discutido no Conselho Municipal de Trânsito. Segundo ele, já existe uma restrição para caminhões com peso superior a 23 toneladas, além de um corredor viário que contorna União da Vitória e Porto União.

Ivan também destacou que as regras precisam considerar os veículos que acessam estabelecimentos comerciais para realizar entregas.

“Em Porto União, o Conselho de Trânsito discute há algum tempo a possibilidade de restringir a circulação de caminhões em determinadas ruas centrais. Já existe uma restrição para veículos com peso superior a 23 toneladas e um corredor viário que contorna as duas cidades. Também é necessário considerar os caminhões que precisam acessar os estabelecimentos para descarregar mercadorias”, explicou.

A discussão envolve a possibilidade de organizar a circulação de veículos pesados sem desconsiderar as necessidades de abastecimento do comércio. A questão também abrange a presença de carcaças e veículos abandonados nas ruas.

Em União da Vitória, dois ofícios foram encaminhados ao município solicitando providências sobre a fiscalização desses veículos e a realização de um estudo técnico para a definição de vagas destinadas a caminhões.

Onde estacionar?

O caminhoneiro Julio César de Paula traz detalhes importantes para o debate.

“Faz 20 anos que eu trabalho com caminhão viajando. Se você pegar teu carro no final de semana, vai ver que têm muitos caminhoneiros nas nossas cidades. E muitos trabalham para empresas de fora, eles até tentam negociar com alguns postos para deixar o caminhão, eu mesmo tive problemas com o gerente de um posto, a negociação é difícil, sai caro”, comenta.

“Esses dias eu estava pensando, viajei 12 anos para a Argentina e lá o sindicato dos caminhoneiros é muito forte, o caminhoneiro tem bastante apoio. Então, se tivesse um local para deixar o caminhão/ônibus, chegava de viagem e tivesse um lugar com segurança para estacionar essas carretas, seria o ideal. Daí sim a Polícia Militar poderia cobrar que está atrapalhando em alguma rua. Muitas vezes o caminhoneiro se obriga a deixar nesses locais enquanto está descansando e ficando com a família. Tinha que ter algo para ajudar, não só criticar os caminhoneiros. Nesses 12 anos viajando pelo Mercosul eu deixava o caminhão na rua, pelos cantos, no bairro, e até com cargas valiosas. O Trânsito aumentou, os roubos aumentaram, está tudo diferente de uns anos para cá. O poder público tinha que ter uma ideia para tirar das ruas, deixar num pátio com segurança, iria diminuir bastante os transtornos. A gente entende que o caminhão grande tira a visão, mas tem que ver os dois lados. A gente chega cansado e vai deixar o caminhão onde? Vai ser perto de casa, não tem outro lugar”, completa Julio.

Estacionamento próximo às esquinas exige atenção às regras

Além da circulação de caminhões, o estacionamento de veículos de grande porte nas vias públicas também é objeto de discussão em Porto União.

O diretor do Conselho Municipal de Trânsito (Comutran), Cláudio Tilgner de Souza, explicou que a questão exige uma análise específica, uma vez que as vias públicas são destinadas à circulação e ao estacionamento conforme as regras de trânsito. “Em relação ao estacionamento, a situação é mais complexa, porque a via é pública e não é possível simplesmente proibir que os veículos estacionem, desde que sejam respeitadas as normas de trânsito”, afirmou.

Tilgner ressaltou que os condutores devem considerar as condições de visibilidade ao estacionar, especialmente nas proximidades de cruzamentos.

“É importante ter bom senso e evitar estacionar muito próximo às esquinas. O ideal é preservar uma área que permita a visibilidade”, declarou.

Segundo o diretor, a maioria das ruas do município é estreita, enquanto a frota de veículos cresce a cada ano. Esses fatores integram a discussão sobre a utilização do espaço viário e a organização do estacionamento.

Restrições podem ser avaliadas em locais específicos

De acordo com Tilgner, o município não estabelece, de maneira geral, vagas exclusivas para caminhões. A adoção de restrições ao estacionamento de veículos de grande porte pode ser avaliada em locais específicos, a partir de solicitações de moradores e da verificação das condições de segurança.

O diretor também destacou a responsabilidade das empresas pela guarda dos veículos utilizados em suas atividades.

“A responsabilidade pela guarda dos veículos é das empresas, que devem dispor de pátios para estacionar a própria frota”, afirmou.

A disponibilidade de espaços particulares é uma das alternativas para evitar que as ruas sejam utilizadas como locais permanentes de estacionamento de veículos de carga. A adoção dessa medida, no entanto, depende das condições de cada empresa.

(Foto: JOC).

Em União da Vitória, os ofícios encaminhados ao município solicitam providências para a fiscalização de veículos abandonados e a realização de estudos sobre locais destinados ao estacionamento de caminhões.

Em Porto União, as discussões envolvem possíveis restrições à circulação de veículos pesados na região central e a avaliação de situações específicas de estacionamento.

As medidas que poderão ser adotadas dependem da análise dos órgãos competentes, das normas de trânsito aplicáveis e das características de cada via. A discussão envolve a organização do espaço público e a busca por alternativas que considerem as necessidades de estacionamento, circulação e visibilidade no trânsito urbano.

O debate é importante, deve envolver toda a sociedade e, principalmente, encontrar soluções que beneficiem a todos, tornando o trânsito das nossas cidades mais seguro e organizado.