Projeto prevê fim da atual configuração do trevo de Paulo Frontin
Os acidentes que continuam sendo registrados no trevo de Paulo Frontin, no entroncamento das rodovias BR-476 e BR-153, mantêm em evidência um problema conhecido há anos pelos motoristas da região.
O que muitos usuários talvez não saibam é que existe uma solução projetada para mudar significativamente a configuração do local.
O projeto foi elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e prevê uma reformulação do sistema de circulação no trevo, justamente para eliminar os conflitos existentes atualmente e tornar mais seguras as conversões entre Paulo Frontin, Mallet, São Mateus do Sul e União da Vitória.
O deputado federal Santin Roveda acompanha as tratativas junto ao DNIT e afirma que recebeu do departamento detalhes sobre a solução prevista para o local.
Segundo ele, uma das principais mudanças será a ampliação da capacidade da BR-476 nas proximidades do entroncamento.
“Eles fazem a duplicação. Hoje tem a terceira pista para subir no sentido São Mateus do Sul. Vai ter duas pistas de um lado e mais duas pistas do outro”, explica Roveda.
Retorno muda a dinâmica do trevo
A alteração mais significativa está prevista para os veículos que precisam cruzar o fluxo da rodovia.
Pelo desenho explicado pelo deputado, o projeto elimina determinadas conversões diretas no trevo e utiliza um sistema de retorno, semelhante a soluções existentes em rodovias duplicadas de Santa Catarina.
Um motorista que venha pela BR-153, por exemplo, e queira seguir em direção a São Mateus do Sul não faria mais a atual conversão diretamente no entroncamento.
Ele entraria inicialmente na BR-476 em direção a União da Vitória. Já em um trecho com duas faixas, encontraria uma faixa adicional destinada exclusivamente ao acesso ao retorno. Depois de completar a manobra, ingressaria novamente na BR-476, desta vez no sentido São Mateus do Sul.
“Quem está saindo de Mallet vai ter que virar à direita, sentido União da Vitória, descer em pista duplicada e vai ter mais uma abertura de uma terceira pista à esquerda, onde ele vai fazer o retorno para ir para São Mateus”, detalha Roveda.
Na prática, a proposta procura reduzir o cruzamento direto de veículos entre fluxos que trafegam em sentidos diferentes.
Problema não começou agora
As reclamações envolvendo o trevo são antigas. A atual configuração foi implantada em 2018 e, desde então, a estrutura existente no centro da pista, popularmente chamada de “mureta”, tornou-se alvo frequente de críticas.
Em reportagem publicada pelo Portal Vvale ainda em 2021, moradores e usuários já relatavam dificuldades principalmente para motoristas que não conheciam o trecho. Naquele momento, o próprio DNIT informou que uma nova readequação do trevo estava em estudo.
Dois anos depois, em dezembro de 2023, o assunto voltou a ser discutido diretamente com a direção-geral do departamento em Brasília. Na ocasião, o trecho entre os quilômetros 324 e 325 da BR-476, justamente no entroncamento com a BR-153, voltou ao centro das cobranças por uma solução definitiva.
Apesar das discussões e do avanço do projeto, a transformação ainda não chegou à rodovia.
O que falta para a obra?
Apesar de a solução para o trevo já estar projetada, a execução da obra ainda depende de etapas que podem levar tempo.
Segundo o deputado federal Santin Roveda, um dos principais entraves neste momento está relacionado ao processo de desapropriação das áreas necessárias para permitir a implantação da nova configuração viária.
O parlamentar explica que esse procedimento é burocrático e não ocorre de maneira imediata. Como o projeto prevê ampliação da estrutura existente, com duplicação de pistas e implantação do novo sistema de retorno, será necessário utilizar áreas além da faixa atualmente ocupada pela rodovia.
“Tem a questão da desapropriação, que é um processo lento, burocrático”, explica Santin, ao comentar as tratativas mantidas com o DNIT.
E a liberação das áreas não significa o início imediato dos trabalhos.
Depois de vencidas as etapas necessárias para as desapropriações e demais procedimentos previstos para viabilizar o empreendimento, ainda será necessário avançar para a licitação da obra.
Por isso, apesar da existência de um projeto para solucionar um problema que há anos preocupa motoristas da região, Santin pondera que não se trata de uma intervenção de rápida execução.
Solução existe, mas ainda levará tempo
A situação cria um contraste com o que acontece diariamente na rodovia. Enquanto o processo administrativo avança, milhares de motoristas continuam utilizando a atual configuração do entroncamento das BRs 476 e 153.
Os novos acidentes registrados no local voltaram a aumentar a cobrança por mudanças, especialmente em relação à estrutura de concreto existente no trevo.
O projeto apresentado pelo DNIT aponta para uma solução muito mais ampla do que simplesmente retirar a chamada “mureta”.
A proposta modifica a própria lógica de circulação do entroncamento, amplia a capacidade da rodovia e cria um sistema de retorno para reduzir os conflitos entre os diferentes fluxos de veículos.
O problema é que existe uma distância considerável entre ter o projeto e efetivamente executar a obra.
Primeiro, será necessário superar os entraves relacionados às áreas atingidas pela intervenção. Depois, avançar pelas demais etapas administrativas e chegar à licitação. Somente após esse processo será possível transformar o projeto em obra.
Para quem utiliza diariamente o trevo de Paulo Frontin, portanto, a notícia tem dois lados: existe uma solução projetada para substituir a configuração que hoje causa preocupação, mas ela não deverá chegar no curto prazo.
Até lá, o trevo continuará exigindo atenção redobrada dos motoristas — e cada novo acidente tende a reforçar uma pergunta que há anos acompanha o local: quando a solução finalmente sairá do papel?



