Da ferrovia resta apenas a Estação, a ponte de ferro e a locomotiva 310

Nos espaços reservados nas páginas de O Comércio para as colunas que registram – prioritariamente – o passado, e que no dia 11 de junho vai completar 91 anos de existência, a ferrovia (São Paulo/Paraná/Rio Grande do Sul, Rede Viação Paraná Santa Catarina e a Rede Ferroviária Federal SA) já mereceu vários registros nesta coluna.

Da ferrovia resta apenas a Estação, a ponte de ferro e a locomotiva 310

Mas, além da ferrovia, estação e a ponte, o que vem chamando a atenção da população, notadamente da classe ferroviária e dos defensores da nossa história, é a Locomotiva 310, conhecida por todos como Maria Fumaça 310 e que, desde que foi colocada na gestão do prefeito Gilberto Francisco Brittes (1977/1982) na Praça Visconde de Nácar, após ter sido transferida pela RFFSA à Prefeitura de União da Vitória, chegou a ser a responsável por um período, dotada de vagões como atração turística/ferroviária, para a realização de passeios, mas não demorou muito.


A locomotiva Maria Fumaça 310, segundo registro da RFFSA

“Construída nos Estados Unidos em 1913, a locomotiva é uma das poucas máquinas a vapor existentes no Brasil. Sua caldeira é tocada a lenha. O estoque de água e madeira fica no compartimento traseiro, chamado “tender”. A 310 fazia principalmente o trecho entre Porto União / União da Vitória e o porto de São Francisco do Sul. Em 1977 deixou a ferrovia para fazer parte da paisagem da Praça Visconde de Nácar. Lá ficou exposta 28 anos em homenagem aos ferroviários e à ferrovia que fizeram da cidade de União da Vitória a 4ª maior economia do Paraná no início do século XX”.

+ Histórias do Vale do Iguaçu na coluna Uma Visita ao Passado


A recuperação da Maria Fumaça

Quando tudo parecia estar acabado para a histórica Maria Fumaça 310, que estava na bonita Praça do Contestado, um grupo de cidadãos abnegados e ferroviários aposentados decidiu tomar uma providência com relação à restauração da locomotiva que, felizmente, está, agora, em fase célere de montagem, depois de passar por recuperação em sua estrutura interna, que estava em condições lamentáveis.

Concomitantemente, o trecho da ferrovia no município de Porto União está sendo restaurado para ser utilizado para a realização de passeios do programa Trem das Etnias.


Nos restam apenas três

No início desta coluna, o destaque daquela gigantesca estrutura da ferrovia, que rapidamente foi sendo erradicada, evidentemente porque mudanças ocorrem e são inevitáveis.

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Que a ferrovia, com o fim do ciclo da madeira, ficou inviabilizada economicamente, tudo bem, mas cuidar do que nos resta – 310, estação e ponte – é preciso. Lamentável que os poderes públicos – prefeituras e legislativos – ignoram a importância do que sobrou da ferrovia, que foi a principal responsável pelo nosso engrandecimento, como uma cidade – mesmo geminada em dois estados, com cerca de 100 mil habitantes.

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