Enchente do Rio Iguaçu acende alerta para casos de leptospirose

A enchente provocada pela elevação do Rio Iguaçu em União da Vitória traz, além dos impactos provocados pela água, um alerta para os riscos à saúde da população. Um dos principais cuidados neste período está relacionado à leptospirose, doença infecciosa transmitida principalmente pelo contato com água ou lama contaminadas pela urina de ratos infectados.

Durante as inundações, a água pode se misturar a resíduos, esgoto, lixo e outros materiais presentes no ambiente, favorecendo a disseminação da bactéria Leptospira. O contato com a água contaminada pode ocorrer durante a entrada em imóveis, retirada de pertences, limpeza de residências e circulação por áreas alagadas.

O diretor da 6ª Regional de Saúde de União da Vitória, José Alfredo da Rocha Júnior, destaca que o período de enchente exige atenção principalmente de quem precisa entrar em locais atingidos. “A principal via de transmissão da doença é o contato com água e lama contaminados com a urina de animais infectados, principalmente o rato”, afirma.

A bactéria pode penetrar no organismo por meio de cortes e lesões na pele, além das mucosas dos olhos, nariz e boca. O risco também existe quando a pele íntegra permanece submersa por períodos prolongados em água contaminada.

Por isso, a principal recomendação é evitar o contato com a água da enchente sempre que possível. Quando isso não puder ser evitado, devem ser utilizados equipamentos de proteção, como botas impermeáveis e luvas de borracha. “É indispensável que se use formas de proteção. Principalmente, bota de borracha, bota impermeável. E, se possível, usar luva também, sempre tentar se proteger ao máximo”, orienta Rocha Júnior.

Sintomas podem aparecer semanas depois

O alerta permanece mesmo após o contato com a água. O período de incubação da leptospirose pode variar de um a 30 dias, embora os sintomas apareçam com maior frequência entre sete e 14 dias depois da exposição.

Os primeiros sinais podem ser semelhantes aos de outras doenças: febre, dor de cabeça, dor muscular, especialmente nas panturrilhas, calafrios, falta de apetite, náuseas e vômitos. Também podem ocorrer diarreia, dores nas articulações, alterações nos olhos e tosse.

Em parte dos casos, a doença pode evoluir para manifestações graves. Entre as complicações estão insuficiência renal, icterícia, hemorragias e comprometimento pulmonar. “Pode evoluir por uma forma grave e apresentar insuficiência renal e hemorragia. Pode também comprometer fígado, pulmões, inclusive pode causar óbito, se não houver o tratamento adequado”, explica o diretor da 6ª Regional de Saúde.

Diante de sintomas após contato com água ou lama de enchente, a orientação é procurar atendimento médico e informar sobre a exposição. O diagnóstico depende de avaliação clínica e exames laboratoriais, enquanto o tratamento utiliza antibióticos. A automedicação não é indicada.

Água e sabão após o contato

Quem teve contato com a água da enchente deve realizar uma higienização cuidadosa assim que deixar a área atingida. As regiões que tiveram contato com água ou lama devem ser lavadas com água e sabão. “Assim que sair da água, já procurar se lavar da maneira mais rápida e mais eficiente possível. O que faz efeito aí é o bom e velho sabão e água”, afirma Rocha Júnior.

O cuidado também se estende à limpeza dos imóveis atingidos. A lama deve ser retirada com o uso de botas e luvas de borracha, evitando o contato direto com a pele. Depois da remoção, os locais atingidos precisam ser lavados e desinfetados.

Durante a limpeza, também é importante evitar que crianças tenham contato com a água ou a lama da enchente. Alimentos que tiveram contato com a água contaminada devem ser descartados, e a água para consumo deve ser potável, filtrada, fervida ou devidamente tratada.

Atenção continua depois que a água baixar

Em União da Vitória, o alerta ganha importância diante do atual cenário de enchente do Rio Iguaçu. Mesmo com a redução do nível da água, os cuidados devem continuar durante a limpeza das áreas atingidas e a retirada de lama, móveis e entulhos.

Ambientes com acúmulo de lixo e entulho também podem favorecer a presença de roedores. O acondicionamento adequado do lixo, o armazenamento correto de alimentos e a vedação de frestas e possíveis acessos aos imóveis ajudam a reduzir a presença desses animais.

Para Rocha Júnior, a prevenção é fundamental diante dos riscos provocados pela doença. “É uma doença que, depois de se instalada, ela tem um desdobramento muito severo. Então, sempre é bom a gente evitar”, reforça.