Moradores relatam baixa pressão na rede de água em bairros de União da Vitória e Porto União
Tomar banho, lavar roupas ou até mesmo encher uma caixa-d’água têm se tornado tarefas mais difíceis para moradores de diferentes bairros de União da Vitória e Porto União. Nas últimas semanas, a reportagem do Jornal O Comércio recebeu relatos de consumidores que reclamam da redução da pressão da água fornecida pela rede de abastecimento.
As reclamações vieram de moradores dos bairros São Braz, Cidade Jardim, Nossa Senhora da Salete, em União da Vitória, além do bairro São Pedro e Santa Rosa, em Porto União. Segundo eles, a água continua chegando às residências, porém com pressão muito inferior àquela a que estavam acostumados.
Entre as principais dificuldades apontadas estão chuveiros que praticamente deixam de funcionar, máquinas de lavar que demoram para encher e, em alguns casos, a presença de ar na tubulação.
“A água vem sem pressão e não chega até o chuveiro. Essa situação está insustentável. O que está acontecendo com a Sanepar?”, questionou uma moradora do bairro Santa Rosa.
Outro morador relata que o problema afeta diretamente as tarefas domésticas. “Diminuiu a pressão e a máquina de lavar demora para encher, fora o ar que sai na tubulação.”
No bairro Cidade Nova, em Porto União, um morador afirma que a situação também mudou nas últimas semanas. “Aqui também está muito baixa a pressão da água. Às vezes, nem a máquina de lavar funciona.”
Há ainda reclamações sobre a dificuldade em buscar atendimento. “Antes não tínhamos esses problemas. Agora tudo é no 0800, jogando a responsabilidade para lá e para cá. É um completo desrespeito com os contribuintes”, relatou outro consumidor.
O que diz a Sanepar
Procurada pela reportagem, a Sanepar informou que está realizando adequações na pressão da rede para atender às exigências das normas técnicas brasileiras.
Segundo a companhia, a ABNT NBR 12218 estabelece que a pressão dinâmica mínima no hidrômetro deve ser de 10 metros de coluna d’água (10 mca), enquanto a pressão máxima recomendada é de 40 mca.
A empresa informou que, em alguns pontos da cidade, a pressão estava próxima de 50 mca, acima do recomendado pelas normas técnicas. Por esse motivo, foram realizados ajustes operacionais para adequar o sistema, mantendo o abastecimento dentro dos parâmetros considerados legais e seguros.
Ainda conforme a Sanepar, operando dentro dessa faixa de pressão, chuveiros, torneiras, máquinas de lavar e demais equipamentos domésticos não deveriam apresentar problemas de funcionamento, desde que as instalações internas dos imóveis estejam em condições adequadas.
O que diz a legislação
As normas técnicas brasileiras definem até onde vai a responsabilidade da concessionária e onde começa a responsabilidade do consumidor.
A ABNT NBR 12218 determina que a concessionária deve fornecer água com pressão mínima de 10 metros de coluna d’água (10 mca) no hidrômetro do imóvel. Esse volume é considerado suficiente para abastecer residências localizadas no nível da rua.
Já a ABNT NBR 5626 estabelece que a responsabilidade da empresa termina no ponto de entrega da água, normalmente o cavalete ou hidrômetro. A partir desse ponto, toda a instalação hidráulica interna — tubulações, reservatórios, registros e eventuais sistemas de bombeamento — passa a ser de responsabilidade do proprietário do imóvel.
Especialistas explicam que, em imóveis onde há necessidade de maior pressão, especialmente aqueles com reservatórios elevados ou construções em terrenos mais altos, uma alternativa é a instalação de um pressurizador de água, equipamento que aumenta a pressão da água após a caixa-d’água e melhora o desempenho de chuveiros e torneiras.
Consumidores devem registrar ocorrência
A Sanepar orienta que os consumidores que perceberem redução na pressão da água procurem os canais oficiais de atendimento para que cada situação seja analisada individualmente.
Segundo a empresa, é importante registrar um protocolo para que equipes técnicas possam verificar se a pressão no imóvel está dentro dos parâmetros estabelecidos.
Os atendimentos podem ser realizados pelo aplicativo da Sanepar ou pelo WhatsApp, no número (41) 99544-0115.



