{"id":12905,"date":"2022-09-09T11:28:44","date_gmt":"2022-09-09T14:28:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/?p=12905"},"modified":"2022-09-09T11:28:44","modified_gmt":"2022-09-09T14:28:44","slug":"voce-pode-ser-uma-vitima-de-violencia-domestica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/seguranca\/voce-pode-ser-uma-vitima-de-violencia-domestica\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea pode ser uma v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica"},"content":{"rendered":"<p>Era o fim de mais uma noite, e<b><i> Suelen* <\/i><\/b>e sua filha dormiam tranquilas, sem saber que logo o mal viria acabar com seu sono. N\u00e3o demorou muito para que a pequena acordasse chorando, despertando a mulher, que se deparou com o cano de uma pistola apontada para ela, pronta para ser disparada. <b>Suelen<\/b> gritou, e conseguiu ser salva do que seria mais um feminic\u00eddio para as estat\u00edsticas do pa\u00eds.<\/p>\n<p><i>\u201cAt\u00e9 agora fico lembrando da <\/i><i>cena e s\u00f3 esperando o barulho <\/i><i>do disparo da arma\u201d<\/i>, contou em um relato \u00e0 nossa reportagem. Naquele momento, <b>Suelen<\/b> estava separada de seu agressor h\u00e1 quase um ano, e tinha ingressa do em um novo relacionamento, despertando ainda mais a ira de seu ex-marido. Nesta altura, a mulher j\u00e1 havia sa\u00eddo da cidade em que morava e vindo para <b>Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria<\/b> ficar pr\u00f3xima de sua fam\u00edlia. Infelizmente, a mudan\u00e7a de ares n\u00e3o impediu que o agressor tentasse contra a vida da mulher que dizia amar.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/Voce-pode-ser-uma-vitima-de-violencia-domestica.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-large wp-image-12906 alignnone colorbox-12905\" src=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/Voce-pode-ser-uma-vitima-de-violencia-domestica-1024x768.jpg\" alt=\"Voc\u00ea pode ser uma v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica \" width=\"1024\" height=\"768\" data-id=\"12906\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/Voce-pode-ser-uma-vitima-de-violencia-domestica-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/Voce-pode-ser-uma-vitima-de-violencia-domestica-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/Voce-pode-ser-uma-vitima-de-violencia-domestica-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/Voce-pode-ser-uma-vitima-de-violencia-domestica-230x173.jpg 230w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/Voce-pode-ser-uma-vitima-de-violencia-domestica-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/Voce-pode-ser-uma-vitima-de-violencia-domestica.jpg 1880w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O atentado contra a vida de <strong>Suelen<\/strong>, contudo, foi apenas o cap\u00edtulo mais cruel de uma hist\u00f3ria de agress\u00f5es que come\u00e7aram muito antes, reproduzindo a maioria dos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica. O feminic\u00eddio, na maioria das vezes, n\u00e3o acontece a partir de um ato isolado de ira, ele \u00e9 fruto de uma progress\u00e3o de ataques, tanto f\u00edsicos quanto morais e psicol\u00f3gicos.<\/p>\n<p><i>\u201c[A agress\u00e3o] estava nas pe<\/i><i>quenas coisas, [mas eu] achava <\/i><i>normal. Ele sempre me manti<\/i><i>nha por perto, eu n\u00e3o chegava <\/i><i>a perceber que a minha rela\u00e7\u00e3o <\/i><i>n\u00e3o era t\u00e3o saud\u00e1vel quanto eu <\/i><i>imaginava que era. Ele n\u00e3o me <\/i><i>proibia das coisas, mas sempre <\/i><i>estava na minha cabe\u00e7a falando <\/i><i>coisas que me mantinham sem<\/i><i>pre ali, pr\u00f3ximo\u201d<\/i>, aponta <strong>Suelen<\/strong>.<\/p>\n<p>A mulher relembra algumas situa\u00e7\u00f5es que passavam despercebidas, mas que hoje entende que j\u00e1 faziam parte de um ciclo de agress\u00f5es, como a vez em que seu ex-marido disse que n\u00e3o queria mais que <b>Suelen<\/b> deixasse sua x\u00edcara em cima da pia da cozinha, ou o objeto iria para o lixo. Ou ainda a vez em que, cansada, optou por n\u00e3o guardar a lou\u00e7a que havia sido usada no jantar e na manh\u00e3 seguinte, quando sa\u00eda para trabalhar, encontrou sua bolsa dentro do arm\u00e1rio em que deveriam estar as panelas que n\u00e3o quis secar.<\/p>\n<p><i>\u201cEle falou \u2018viu, voc\u00ea n\u00e3o quis <\/i><i>se abaixar para guardar as pa<\/i><i>nelas, teve que abaixar para <\/i><i>pegar a tua bolsa\u2019. S\u00e3o coisas <\/i><i>que [parecem] bobeira, s\u00f3 que <\/i><i>j\u00e1 estavam a\u00ed esses sinais que eu <\/i><i>n\u00e3o percebia. Eu n\u00e3o conseguia <\/i><i>perceber essas coisas porque eu <\/i><i>talvez n\u00e3o comparava com ou<\/i><i>tros relacionamentos, n\u00e3o tinha <\/i><i>uma ideia de como era uma rela<\/i><i>cionamento saud\u00e1vel. Eu sempre <\/i><i>ficava numa situa\u00e7\u00e3o de que eu <\/i><i>sempre queria agradar ele, com <\/i><i>medo de que eu fizesse alguma <\/i><i>coisa que ele me reprovasse. <\/i><i>Sempre com aquele receio, pi<\/i><i>sando em ovos, dando explica<\/i><i>\u00e7\u00e3o sobre tudo. N\u00e3o que ele me <\/i><i>obrigasse a dar satisfa\u00e7\u00e3o, s\u00f3 <\/i><i>que ele me fazia sentir como se <\/i><i>eu tivesse que dar alguma expli<\/i><i>ca\u00e7\u00e3o, uma coisa de submiss\u00e3o. <\/i><i>Ent\u00e3o eu acabava sempre rela<\/i><i>tando tudo, ele tinha o controle <\/i><i>inteiro da minha vida\u201d. <\/i><\/p>\n<p>Assim como <b>Suelen<\/b>, 18,6% das mulheres brasileiras relataram ter sido v\u00edtimas de insulto, humilha\u00e7\u00e3o ou xingamento, entre 2020 e 2021, sendo essa a maior manifesta\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia citada na 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio <b>Vis\u00edvel e Invis\u00edvel: A Vitimiza<\/b><b>\u00e7\u00e3o de Mulheres no Brasil<\/b>, publicado pelo <b>F\u00f3rum Brasileiro <\/b><b>de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/b> (FBSP) em parceria com o <b>Instituto <\/b><b>Datafolha<\/b>. Segundo o estudo, mulheres com idade entre 16 e 24 anos foram as que mais relataram ter passado por alguma viol\u00eancia. O relat\u00f3rio, contudo, aponta que o fato pode ser resultado de um maior entendimento por parte dos mais jovens sobre os tipos de viol\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/GRge55060.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-12907 alignnone colorbox-12905\" src=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/GRge55060.png\" alt=\"mulheres com idade entre 16 e 24 anos foram as que mais relataram ter passado por alguma viol\u00eancia.\" width=\"816\" height=\"1023\" data-id=\"12907\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/GRge55060.png 816w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/GRge55060-239x300.png 239w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/GRge55060-768x963.png 768w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/GRge55060-230x288.png 230w\" sizes=\"(max-width: 816px) 100vw, 816px\" \/><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center\"><b><i>Viol\u00eancia nem sempre <\/i><\/b><b><i>deixa marcas na pele <\/i><\/b><\/h2>\n<p>De acordo com o <b>Instituto <\/b><b>Maria da Penha<\/b>, existem cinco tipos de viol\u00eancia: a f\u00edsica, a sexual, a patrimonial, a psicol\u00f3gica e a moral. As duas \u00faltimas s\u00e3o, talvez, as mais dif\u00edceis de serem percebidas, tanto por terceiros quanto pelas pr\u00f3prias v\u00edtimas, pois s\u00e3o agress\u00f5es que n\u00e3o deixam provas f\u00edsicas. As agress\u00f5es sofridas por <b>Suelen<\/b> eram disfar\u00e7adas de opini\u00f5es, como a recusa de seu ex em apreciar o novo corte de cabelo da companheira, ou a falta de apoio quando a mulher come\u00e7ou em um novo emprego.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo <b>Sue<\/b><b>len<\/b> percebeu as agress\u00f5es se acumularem em pilhas de maus tratos que soterraram sua autoestima. As palavras ditas por aquele que deveria ser seu parceiro s\u00f3 fizeram com que <b>Suelen <\/b>sentisse que n\u00e3o possu\u00eda nenhuma qualidade. Desvalorizada dentro de casa, n\u00e3o percebia que podia atrair aten\u00e7\u00f5es positivas. At\u00e9 que percebeu.<\/p>\n<p><i>\u201cUm dia eu <\/i><i>estava indo para a academia, <\/i><i>pois depois que tive minha fi<\/i><i>lha fiquei com um problema nas <\/i><i>costas, e na fisioterapia me in<\/i><i>dicaram fazer alguma atividade <\/i><i>para fortalecimento, e quando <\/i><i>eu estava indo atravessar uma <\/i><i>avenida, um carro parou qua<\/i><i>se causando um acidente. Foi <\/i><i>parar para eu passar e eu pen<\/i><i>sei \u2018nossa, ser\u00e1 que eu posso <\/i><i>despertar interesse em alguma <\/i><i>pessoa?\u2019 Foi t\u00e3o gostoso ver que <\/i><i>algu\u00e9m poderia olhar para mim, <\/i><i>porque em oito anos de casada <\/i><i>na \u00e9poca, eu me sentia anulada. <\/i><i>Por que com as palavras, que <\/i><i>talvez n\u00e3o possu\u00edam maldade <\/i><i>no meu ver [naquela \u00e9poca], ele <\/i><i>estava me minando, me fazendo <\/i><i>sentir uma pessoa sem nenhum <\/i><i>tipo de qualidade. N\u00e3o me sentia <\/i><i>bonita, n\u00e3o me sentia nova, ele <\/i><i>me apagou totalmente, era to<\/i><i>talmente anulada. E aquele dia <\/i><i>me fez pensar, foi um start assim. <\/i><i>Era uma sensa\u00e7\u00e3o de um passa<\/i><i>rinho na gaiola que nunca voou, <\/i><i>que n\u00e3o sabia o que era a vida <\/i><i>l\u00e1 fora, sempre vivendo para ele, <\/i><i>sempre vivendo para a casa\u201d. <\/i><\/p>\n<p>O agressor tamb\u00e9m n\u00e3o permitia que <b>Suelen<\/b> tivesse amigos, e tentava at\u00e9 mesmo proibi-la de manter contato com sua fam\u00edlia. Tentou inclusive coloc\u00e1-la contra sua pr\u00f3pria m\u00e3e. Essa \u00e9, segundo o<b> Instituto Maria da <\/b><b>Penha<\/b>, uma demonstra\u00e7\u00e3o clara de viol\u00eancia psicol\u00f3gica, em que o agressor amea\u00e7a, constrange, humilha, manipula, isola e vigia a v\u00edtima.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center\"><b><i>Dando fim ao <\/i><\/b><b><i>relacionamento <\/i><\/b><\/h2>\n<p>Suelen relata que, percebendo que n\u00e3o era feliz em seu relacionamento, foi atr\u00e1s de seu grito de liberdade. No come\u00e7o, tentou melhorar seu relacionamento com conversas, apontando o que estava errado, mas o agressor n\u00e3o via problema em suas atitudes. Dizia que <b>Suelen<\/b> era ingrata e que <i>\u201creclamava de boca <\/i><i>cheia\u201d.<\/i> N\u00e3o conseguindo entrar em um acordo com o parceiro e sentindo que estava sozinha, <b>Suelen<\/b> come\u00e7ou a pensar que a \u00fanica sa\u00edda era tentar contra a pr\u00f3pria vida. Assustada com os pr\u00f3prios pensamentos, buscou ajuda psicol\u00f3gica e come\u00e7ou a fazer terapia.<\/p>\n<p>O tratamento psicol\u00f3gico foi, nas palavras de <b>Suelen<\/b>, essencial para que conseguisse recuperar sua autoestima. Em uma das sess\u00f5es, foi indagada pela terapeuta sobre as atividades que gostava de realizar. Com a voz embargada, Suelen relatou que foi naquele instante que percebeu o quanto seu agressor a havia manipulado. <i>\u201cMe dei conta <\/i><i>de que eu n\u00e3o sabia mais quem <\/i><i>eu era, o que eu gostava de fazer, <\/i><i>quais eram os meus prazeres, e <\/i><i>isso \u00e9 muito do\u00eddo. Eu me anulei <\/i><i>tanto que eu nem sabia mais o <\/i><i>que eu queria para a minha vida. <\/i><i>S\u00f3 vivia para o casamento\u201d. <\/i><\/p>\n<p>Pensando em sua sa\u00fade mental, <b>Suelen<\/b> tomou a decis\u00e3o de sair de casa. N\u00e3o foi uma escolha f\u00e1cil, mas quando se afastou de seu agressor, conseguiu perceber que seus medos eram reais, e n\u00e3o apenas coisas de sua cabe\u00e7a. Contudo, seu agressor n\u00e3o aceitou a separa\u00e7\u00e3o, e dobrou a aposta, aumentando o n\u00edvel de viol\u00eancias.<i> \u201cA partir do momen<\/i><i>to em que ele viu que n\u00e3o tinha <\/i><i>mais o controle sobre a minha <\/i><i>vida, ele mostrou aquela pessoa <\/i><i>que sempre estava l\u00e1, s\u00f3 que eu <\/i><i>nunca tinha cutucado para ver\u201d.<\/i><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send?phone=5542998230044&amp;text=Ol%C3%A1!%20Quero%20sugerir%20uma%20pauta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">+ Possui alguma sugest\u00e3o? Clique aqui para conversar com a equipe de O Com\u00e9rcio no WhatsApp<\/a><\/strong><\/p>\n<p>O ex de <b>Suelen<\/b> n\u00e3o aceitava cuidar da filha do casal pois, dessa forma, a mulher n\u00e3o poderia sair de sua nova casa, nem mesmo para trabalhar. O agressor tamb\u00e9m come\u00e7ou a vigiar e seguir <b>Suelen<\/b>. Sabia de todos os passos da ex-companheira. Percebendo que n\u00e3o teria apoio do ex-marido para cuidar da filha, <b>Suelen<\/b> decidiu vir para <b>Uni\u00e3o <\/b><b>da Vit\u00f3ria<\/b>, sua cidade natal, para estar perto de seus familiares.<\/p>\n<p>Com a rede de apoio formada por seus parentes, em pouco tempo Suelen conseguiu se restabelecer na cidade. Contrariado por perceber que a ex conseguiria prosperar longe de suas r\u00e9deas, o agressor, segundo Suelen, tentou incendiar a casa em que a mulher havia se estabelecido. <i>\u201cTive que sair de l\u00e1 porque <\/i><i>ningu\u00e9m me queria mais onde <\/i><i>eu morava, era como se fossem <\/i><i>v\u00e1rios apartamentinhos, n\u00e3o <\/i><i>me queriam mais l\u00e1 por medo <\/i><i>de que acontecesse mais algu<\/i><i>ma coisa e todos acabassem se <\/i><i>prejudicando. S\u00f3 por Deus que <\/i><i>acabou n\u00e3o pegando fogo, que <\/i><i>acabou estourando o cano da <\/i><i>c\u00e2mara fria do restaurante que <\/i><i>ficava l\u00e1 embaixo e a \u00e1gua do <\/i><i>cano acabou apagando o fogo, <\/i><i>sen\u00e3o teria acontecido uma tra<\/i><i>g\u00e9dia. Eu n\u00e3o posso provar que <\/i><i>foi ele, as pessoas n\u00e3o denuncia<\/i><i>ram, n\u00e3o fizeram nada por medo <\/i><i>de repres\u00e1lias\u201d. <\/i><\/p>\n<p><b>Suelen<\/b> relata que, ap\u00f3s o ocorrido, come\u00e7ou a ser amea\u00e7ada pelo ex para que n\u00e3o prestasse queixas. O agressor dizia que, se a ex optasse por registrar um <b>Boletim de Ocorr\u00eancia<\/b> contra ele, tiraria a pr\u00f3pria vida para n\u00e3o conviver com a vergonha de precisar ir \u00e0 uma delegacia prestar esclarecimentos.<i> \u201cNa<\/i><i>quele dia ele ficou o dia inteiro <\/i><i>me pressionando, falando que ia <\/i><i>esperar eu mandar o boletim de <\/i><i>ocorr\u00eancia. Eu senti como se eu <\/i><i>estivesse com uma vida nas mi<\/i><i>nhas m\u00e3os, aonde se eu falasse <\/i><i>da minha suspeita ele iria tentar <\/i><i>se matar e eu achava que eu n\u00e3o <\/i><i>queria carregar esse peso nas <\/i><i>minhas costas\u201d. <\/i><\/p>\n<p>Por algum tempo, essa foi a t\u00e1tica utilizada pelo agressor: amea\u00e7ar tentar contra a pr\u00f3pria vida como forma de coagir <b>Sue<\/b><b>len<\/b>. At\u00e9 mesmo os familiares do homem come\u00e7aram a atestar que ele estava sofrendo com o t\u00e9rmino, e que por conta das decis\u00f5es de <b>Suelen<\/b> a vida do ex havia sido destru\u00edda. <i>\u201cA quest\u00e3o dele <\/i><i>falar isso e mostrar que ele es<\/i><i>tava mal pegava muito no meu <\/i><i>psicol\u00f3gico porque eu pensava <\/i><i>que eu n\u00e3o queria carregar uma <\/i><i>pessoa que vai tirar a sua vida. <\/i><i>Eu estava me sentindo respon<\/i><i>s\u00e1vel por isso. Nessa eu tentei <\/i><i>me reaproximar para ajudar <\/i><i>e nessa tentativa de reaproxi<\/i><i>ma\u00e7\u00e3o eu via que eu me sentia <\/i><i>sufocada novamente. E quando <\/i><i>eu explicava para ele que aquilo <\/i><i>estava me fazendo mal ele falava <\/i><i>que estava tudo bem, que eu n\u00e3o <\/i><i>precisava de ajuda, mas quando <\/i><i>eu tentava me afastar ele falava <\/i><i>\u2018vamos fazer de conta que o que <\/i><i>voc\u00ea me falou n\u00e3o existiu, que <\/i><i>voc\u00ea n\u00e3o me pediu isso\u2019, que ele <\/i><i>precisava de mim porque sem <\/i><i>mim ele n\u00e3o teria mais vida e fi<\/i><i>cava no meu psicol\u00f3gico jogan<\/i><i>do para mim e eu ficava muito <\/i><i>mal por conta disso\u201d. <\/i><\/p>\n<p>Mais uma vez a terapia auxiliou <b>Suelen<\/b>, dessa vez para faz\u00ea-la entender que as a\u00e7\u00f5es de seu ex n\u00e3o eram sua responsabilidade. Vendo que suas falas n\u00e3o abalavam mais a ex, o agressor partiu para novas tentativas de machucar a mulher. Por esse motivo, <b>Suelen<\/b> conseguiu uma medida restritiva contra seu ex-parceiro, e agora conta com o <b>Bot\u00e3o do P\u00e2nico Paranaense<\/b>, uma ferramenta do <b>Tribunal de <\/b><b>Justi\u00e7a do Paran\u00e1<\/b> (TJPR), por meio da <b>Coordenadoria Esta<\/b><b>dual da Mulher <\/b>em S<b>itua\u00e7\u00e3o <\/b><b>de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Fa<\/b><b>miliar<\/b> (CEVID), das <b>Secreta<\/b><b>rias Estaduais da Seguran\u00e7a <\/b><b>P\u00fablica <\/b>e <b>Administra\u00e7\u00e3o Peni<\/b><b>tenci\u00e1ria<\/b> (SESP) e da <b>Justi\u00e7a, <\/b><b>Fam\u00edlia e Trabalho<\/b> (SEFUF) e da <b>Companhia de Tecnologia <\/b><b>da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o <\/b><b>do Paran\u00e1 <\/b>(Celepar).<\/p>\n<p>A ferramenta est\u00e1 dispon\u00edvel no aplicativo 190 da <b>Pol\u00edcia Mi<\/b><b>litar do Paran\u00e1<\/b> (PMPR), e permite que a v\u00edtima, ao se sentir amea\u00e7ada, acione o <b>Bot\u00e3o<\/b>, que automaticamente detecta a posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica da usu\u00e1ria e grava 60 segundos de \u00e1udio ambiente onde est\u00e1 o celular. O <b>Bot\u00e3o<\/b> tamb\u00e9m aciona automaticamente a <b>Pol\u00edcia Militar<\/b>, que deve enviar ao resgate a viatura mais pr\u00f3xima \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima.<\/p>\n<p>A <b>Pol\u00edcia Militar de Santa <\/b><b>Catarina<\/b> (PMSC) oferece \u00e0s catarinenses uma ferramenta semelhante \u00e0 existente no <b>Pa<\/b><b>ran\u00e1<\/b>. Al\u00e9m disso, as v\u00edtimas de viol\u00eancia, no estado, recebem acompanhamento da <b>Rede Ca<\/b><b>tarina de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Mulher<\/b>, uma iniciativa da <b>PMSC<\/b> que tem como objetivo proteger e orientar mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia. <i>\u201cO Bot\u00e3o do P\u00e2nico <\/i><i>funciona para mulheres que j\u00e1 <\/i><i>t\u00eam uma medida protetiva. N\u00f3s <\/i><i>da Rede Catarina recebemos <\/i><i>em nosso sistema essa medida <\/i><i>protetiva, entramos em conta<\/i><i>to com a v\u00edtima, explicamos o <\/i><i>nosso trabalho e marcamos uma <\/i><i>visita. Essa visita pode ser feita <\/i><i>tanto na casa da v\u00edtima ou ela <\/i><i>pode tamb\u00e9m ir at\u00e9 o quartel da <\/i><i>Pol\u00edcia Militar de Porto Uni\u00e3o, <\/i><i>em que temos uma sala prepa<\/i><i>rada especialmente para o aten<\/i><i>dimento dessas v\u00edtimas. A gente <\/i><i>conversa com elas para tirar <\/i><i>d\u00favidas, prestar atendimento ou <\/i><i>encaminhar ela para algum tipo <\/i><i>de atendimento que ela precise, <\/i><i>passar alguma informa\u00e7\u00e3o que <\/i><i>ela \u00e0s vezes n\u00e3o teve naquela <\/i><i>correria no registro do Boletim <\/i><i>de Ocorr\u00eancia \u00e0s vezes passa <\/i><i>alguma coisa despercebido e a <\/i><i>gente est\u00e1 ali refor\u00e7ando todas <\/i><i>as informa\u00e7\u00f5es para ela\u201d<\/i>, explica a <b>Soldado Madleine Ghidi<\/b><b>ni<\/b>, membro da<b> Rede Catarina <\/b>em <b>Porto Uni\u00e3o<\/b>.<\/p>\n<p>Cabe \u00e0 equipe, ainda, a fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento da medida restritiva. Atualmente, descumprimento em flagrante, o infrator \u00e9 preso na hora. Do contr\u00e1rio, \u00e9 confeccionado um <b>Boletim de Ocorr\u00eancia <\/b>que \u00e9 encaminhado ao judici\u00e1rio para solicitar a pris\u00e3o.<i> \u201cA gente fis<\/i><i>caliza, a gente orienta a v\u00edtima <\/i><i>sobre quais s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es que o <\/i><i>agressor possa fazer que vai ca<\/i><i>racterizar o descumprimento e <\/i><i>que ela possa acionar o Bot\u00e3o <\/i><i>do P\u00e2nico. (&#8230;) Numa situa\u00e7\u00e3o <\/i><i>de emerg\u00eancia em que ela ativa <\/i><i>esse Bot\u00e3o do P\u00e2nico ele vai ge<\/i><i>rar uma ocorr\u00eancia diretamen<\/i><i>te na central de emerg\u00eancia do <\/i><i>190, onde o Copom (Centro de <\/i><i>Opera\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Militar) <\/i><i>vai disponibilizar uma guar<\/i><i>ni\u00e7\u00e3o que esteja mais pr\u00f3xima <\/i><i>para fazer o atendimento da v\u00edti<\/i><i>ma porque vai saber que se trata <\/i><i>daquela pessoa e se trata de um <\/i><i>descumprimento de uma medida <\/i><i>protetiva, \u00e0 v\u00edtima n\u00e3o preci<\/i><i>sa ficar explicando o que est\u00e1 <\/i><i>acontecendo ou onde ela est\u00e1\u201d, <\/i>completa <b>Madleine<\/b>.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center\"><b><i>Convivendo com o Medo da Viol\u00eancia<\/i><\/b><\/h2>\n<p>O fato citado no in\u00edcio deste texto foi a \u00faltima vez que o agressor tentou contra a vida de <b>Suelen<\/b>. Meses ap\u00f3s o ocorrido, ela ainda convive com o medo de entrar para as estat\u00edsticas. <i>\u201cEu <\/i><i>n\u00e3o me sinto segura, eu sei que <\/i><i>ele ainda tenta contra a minha <\/i><i>vida, que ele comenta isso, que <\/i><i>ele tem alguns tipos de surto, <\/i><i>desequil\u00edbrio, eu n\u00e3o sei, ele n\u00e3o <\/i><i>consegue aceitar que acabou, \u00e9 <\/i><i>como se fosse uma obsess\u00e3o. J\u00e1 <\/i><i>tive situa\u00e7\u00f5es em que ele rondou <\/i><i>a minha casa, ent\u00e3o ainda n\u00e3o <\/i><i>me sinto segura. Espero que um <\/i><i>dia isso acabe\u201d<\/i>, comenta.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/GRge55675.png\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-12908 alignnone colorbox-12905\" src=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/GRge55675-702x1024.png\" alt=\"\" width=\"838\" height=\"1222\" data-id=\"12908\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/GRge55675-702x1024.png 702w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/GRge55675-206x300.png 206w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/GRge55675-768x1121.png 768w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/GRge55675-201x293.png 201w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/09\/GRge55675.png 816w\" sizes=\"(max-width: 838px) 100vw, 838px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No <b>Brasil<\/b>, segundo o relat\u00f3rio<b> Viol\u00eancia Contra a Mulher <\/b>em 2021, tamb\u00e9m do <b>FBSP<\/b>,1.319 mulheres perderam a vida por conta de um feminic\u00eddio no ano passado. Foram 32 v\u00edtimas a menos que em 2022. Mesmo assim, a m\u00e9dia nacional \u00e9 de um feminic\u00eddio a cada sete horas. No Paran\u00e1, foram 75 v\u00edtimas entre janeiro e dezembro de 2021. Em Santa Catarina foram 55.<\/p>\n<p>J\u00e1 o n\u00famero de estupros e estupro de vulner\u00e1veis voltou a crescer em 2021. No ano passado foram registrados 56.098 <b>Bo<\/b><b>letins de Ocorr\u00eancia<\/b> a respeito de estupros contra meninas e mulheres, um aumento de 3,7% em rela\u00e7\u00e3o com 2020. Em N\u00fameros absolutos, o <b>Paran\u00e1<\/b> foi o segundo estado com maior n\u00famero de registros do crime: foram 5.025 casos, contra 10.644 de <b>S\u00e3o Paulo<\/b>, o estado que lidera o ranking. Os tr\u00eas estados do sul aparecem entre os seis estados com maior n\u00famero de estupros. O <b>Rio Grande do Sul<\/b>, com 3.469 casos, e <b>Santa Catarina<\/b>, com 3.298 aparecem na quinta e sexta posi\u00e7\u00e3o, respectivamente. Completam a lista o <b>Rio de Ja<\/b><b>neiro<\/b>, com 4.432 ocorr\u00eancias, e <b>Minas Gerais<\/b>, com 3.889.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center\"><b><i>Conversar \u00e9 importante <\/i><\/b><\/h2>\n<p>A membro da central de atendimento das promotorias de <b>Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria<\/b>, <b>Ang\u00e9lica <\/b><b>Cardoso de Lima<\/b>, comentou em entrevista \u00e0 <b>CBN Vale do <\/b><b>Igua\u00e7u<\/b> sobre a import\u00e2ncia de se debater o tema da viol\u00eancia dom\u00e9stica, inclusive com homens, para que estes possam prestar aten\u00e7\u00e3o nas suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><i>\u201c\u00c9 importante os homens esta<\/i><i>rem ligados a isso, conversarem <\/i><i>com seus pares, desmistificar <\/i><i>tanta coisa que tamb\u00e9m est\u00e3o <\/i><i>ligadas a eles. Trabalhando a <\/i><i>quest\u00e3o da equidade porque n\u00f3s <\/i><i>somos iguais e temos que ser <\/i><i>tratadas de formas iguais. Aque<\/i><i>le termo do \u2018ajuda em casa\u2019 tem <\/i><i>que ser anulado completamente, <\/i><i>fazemos juntos porque a fam\u00ed<\/i><i>lia \u00e9 nossa, a casa \u00e9 nossa. Mas <\/i><i>mais do que ele estar ali do lado, <\/i><i>trazendo o protagonismo da sua <\/i><i>mulher como participante da <\/i><i>sua casa \u00e9 tamb\u00e9m ele estar ao <\/i><i>lado de um amigo que \u00e0s vezes <\/i><i>ele nunca imaginou que tamb\u00e9m <\/i><i>faz a viol\u00eancia e falar \u2018opa cara, <\/i><i>as coisas n\u00e3o s\u00e3o bem assim\u2019, <\/i><i>ent\u00e3o a import\u00e2ncia de falar <\/i><i>esse problema n\u00e3o \u00e9 meu, esse <\/i><i>problema \u00e9 nosso e combater a <\/i><i>viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 essencial <\/i><i>do lado do homem. Quantos <\/i><i>agressores fazem a viol\u00eancia <\/i><i>sem saber que \u00e9 viol\u00eancia?\u201d <\/i><\/p>\n<p>Conversar com pessoas de confian\u00e7a, seja um familiar, um amigo, ou um profissional. Para <b>Suelen<\/b>, ningu\u00e9m pode ser ajudado se n\u00e3o pedir ajuda. <i>\u201cFoi o <\/i><i>que eu fiz. Eu poderia estar l\u00e1 <\/i><i>depressiva, pensando ainda em <\/i><i>suic\u00eddio, e achando que eu era <\/i><i>o problema. Eu tive for\u00e7as, co<\/i><i>ragem e f\u00e9 em Deus para saber <\/i><i>que eu n\u00e3o merecia aquilo, que <\/i><i>eu merecia coisa melhor, que eu <\/i><i>merecia ser feliz, e que eu ain<\/i><i>da podia buscar isso. Espero <\/i><i>que voc\u00ea que esteja lendo e que <\/i><i>passa por situa\u00e7\u00f5es parecidas <\/i><i>se permita olhar para voc\u00ea e se <\/i><i>estiver em uma situa\u00e7\u00e3o assim <\/i><i>pe\u00e7a ajuda, v\u00e1 em busca do que <\/i><i>te faz bem, que vai te fazer feliz, <\/i><i>n\u00e3o se permita que algu\u00e9m tente <\/i><i>roubar a tua alegria, roubar a <\/i><i>tua autoestima, n\u00e3o se permita\u201d. <\/i><\/p>\n<p><b><i>*Nome fict\u00edcio.<\/i><\/b><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era o fim de mais uma noite, e Suelen* e sua filha dormiam tranquilas, sem saber que logo o mal viria acabar com seu sono. N\u00e3o demorou muito para que a pequena acordasse chorando, despertando a mulher, que se deparou com o cano de uma pistola apontada para ela, pronta para ser disparada. 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