{"id":267,"date":"2021-06-11T16:02:38","date_gmt":"2021-06-11T19:02:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/?p=267"},"modified":"2022-04-08T08:02:18","modified_gmt":"2022-04-08T11:02:18","slug":"jornalismo-mais-que-uma-profissao-uma-ferramenta-da-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/90-anos\/jornalismo-mais-que-uma-profissao-uma-ferramenta-da-democracia\/","title":{"rendered":"Jornalismo: mais que uma profiss\u00e3o, uma ferramenta da democracia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornalismo-e1623435754812.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-288 colorbox-267\" src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornalismo-e1623435754812-1024x708.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"708\" data-id=\"288\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornalismo-e1623435754812-1024x708.jpg 1024w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornalismo-e1623435754812-300x208.jpg 300w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornalismo-e1623435754812-768x531.jpg 768w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornalismo-e1623435754812-230x159.jpg 230w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornalismo-e1623435754812-1536x1063.jpg 1536w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornalismo-e1623435754812-2048x1417.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ser humano diferencia-se dos demais animais, entre v\u00e1rios fatores, pela sua comunica\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada. Contar hist\u00f3rias e relatar fatos \u00e9 t\u00e3o importante para nossa sociedade que, nos prim\u00f3rdios da humanidade, os humanos come\u00e7aram a usar pinturas como forma de passar seus feitos e conhecimentos para as futuras gera\u00e7\u00f5es. Com o passar do tempo, apenas desenhos n\u00e3o supriam mais a necessidade humana de se comunicar. Foi ent\u00e3o que os sum\u00e9rios, uma das mais antigas civiliza\u00e7\u00f5es, em cerca de 3.200 antes de Cristo, criaram um conjunto de s\u00edmbolos padronizados. Surgiu, assim, a escrita. O fato \u00e9 t\u00e3o importante que tudo antes dessa cria\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecido como pr\u00e9-hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Mas apenas poder registrar hist\u00f3rias n\u00e3o era suficiente. Era necess\u00e1rio poder pass\u00e1-la adiante. Primeiro, isso era feito manualmente. Pessoas copiavam livros e documentos a pr\u00f3prio punho. At\u00e9 que, em 1450, veio mais uma revolu\u00e7\u00e3o: a prensa. Criada por <strong><b>Johannes Gutenberg<\/b><\/strong>, ela permitia que textos fossem copiados de forma mais \u00e1gil, a partir de um conjunto de carimbos. Foi essa inven\u00e7\u00e3o que possibilitou a moderniza\u00e7\u00e3o e populariza\u00e7\u00e3o de uma profiss\u00e3o t\u00e3o comentada nos dias de hoje: o jornalismo.<\/p>\n<p>Ao conseguirem serem impressos, os jornais passaram a popularizar-se. Deixaram de ser apenas folhetins sobre a vida da realeza europeia e passaram a relatar o dia a dia da popula\u00e7\u00e3o em geral, bem como temas relevantes a esse grupo. Com a populariza\u00e7\u00e3o do jornalismo, e percebendo a import\u00e2ncia dessa profiss\u00e3o para a sociedade, universidades passaram a ofertar cursos para profissionalizar essa atividade. Assim continua sendo feito atualmente.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong><em><b><i>No Brasil o diploma n\u00e3o \u00e9 uma exig\u00eancia, mas&#8230;<\/i><\/b><\/em><\/strong><\/h2>\n<p>Em 2009 o <strong><b>Supremo Tribunal Federal<\/b><\/strong>\u00a0(STF) decidiu que o diploma universit\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio para quem desejar seguir carreira no jornalismo. Em 2013, o Senado aprovou altera\u00e7\u00f5es na Constitui\u00e7\u00e3o Federal que determinavam a obrigatoriedade do t\u00edtulo. Essa altera\u00e7\u00e3o segue em discuss\u00e3o no parlamento.<\/p>\n<p>Mesmo n\u00e3o sendo uma exig\u00eancia, profissionais e estudiosos da \u00e1rea apontam a import\u00e2ncia de uma forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica para garantir que o futuro jornalista compreenda, com profundidade, os deveres dessa profiss\u00e3o. Para o jornalista e Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o e Linguagens pela Universidade Tuiuti do Paran\u00e1 (UTP), <strong><b>Edinei Wassoaski<\/b><\/strong>, o diploma pode ter perdido sentido para algumas pessoas, mas continua sendo importante para grandes ve\u00edculos. <em><i>\u201cVe\u00edculos que privilegiam o profissionalismo podem ser criticados por muita gente, mas seguem sendo os mais lidos, vistos e ouvidos. Eles sabem disso e investem em profissionalismo, embora tenham apoiado a tr\u00e1gica decis\u00e3o do Supremo de invalidar a obrigatoriedade do diploma para o exerc\u00edcio do Jornalismo. Agora, um ponto curioso: o mesmo Supremo que considerou desnecess\u00e1rio o diploma tenta combater fake news feitas contra eles mesmos, na maioria das vezes, por gente sem forma\u00e7\u00e3o profissional\u201d.<\/i><\/em><\/p>\n<p>A estudante do \u00faltimo ano de jornalismo do Centro Universit\u00e1rio de Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria (Uniuv), <strong><b>Cl\u00e1udia Burdzinski<\/b><\/strong>, relata que come\u00e7ou a trabalhar na \u00e1rea em 2017, primeiramente por meio da fotografia. Depois de um tempo, come\u00e7ou a escrever como colaboradora para um jornal de S\u00e3o Mateus do Sul, cidade onde reside. Mesmo j\u00e1 estando inserida no jornalismo, ainda que sem forma\u00e7\u00e3o, <strong><b>Cl\u00e1udia<\/b><\/strong>\u00a0sentiu a necessidade de cursar uma faculdade na \u00e1rea. <em><i>\u201cEu sempre priorizei por um curso superior que fizesse com que eu amasse e me encontrasse em uma profiss\u00e3o. Acredito muito que a forma\u00e7\u00e3o faz toda a diferen\u00e7a para a profissional que eu me tornaria\u201d,<\/i><\/em>\u00a0conta.<\/p>\n<p>Atualmente, <strong><b>Cl\u00e1udia<\/b><\/strong>\u00a0\u00e9 rep\u00f3rter de uma r\u00e1dio em S\u00e3o Mateus. Tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por atualizar o portal de not\u00edcias do ve\u00edculo, mas conta que foi na faculdade que aprendeu a import\u00e2ncia social de um jornalista e como trabalhar o envolvimento da comunidade com as not\u00edcias. <em><i>\u201cSer jornalista \u00e9 muito mais que escrever ou sair falando por a\u00ed, se intitulando como tal. Ser jornalista envolve toda uma quest\u00e3o de compromisso, \u00e9tica, t\u00e9cnicas de reda\u00e7\u00e3o, como trabalhar especificamente em cada m\u00eddia, e s\u00f3 na gradua\u00e7\u00e3o voc\u00ea aprende isso tudo\u201d.<\/i><\/em><\/p>\n<p>Para a jornalista e Doutora em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), <strong><b>Angela Farah<\/b><\/strong>, o curso superior \u00e9 importante pois tem a inten\u00e7\u00e3o de incutir no aluno o ethos profissional, ou seja, desenvolver nessa pessoa o conjunto de caracter\u00edsticas que formam um bom jornalista. Contudo, ela tamb\u00e9m destaca que, atualmente, existe um movimento de coletivos jornal\u00edsticos que tamb\u00e9m deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o, pois esses s\u00e3o respons\u00e1veis por, em muitos casos, levar informa\u00e7\u00f5es at\u00e9 lugares em que jornalistas profissionais n\u00e3o conseguem chegar. <em><i>\u201cTem muita gente formada trabalhando nesses coletivos tamb\u00e9m, mas tamb\u00e9m h\u00e1, por exemplo, os trabalhos feitos na periferia, em comunidades que n\u00e3o est\u00e3o no centro, digamos assim. No centro urbano, no centro das aten\u00e7\u00f5es, das discuss\u00f5es e que precisam tamb\u00e9m desse aporte do jornalismo. E nem sempre os jornalistas profissionais, no sentido de ter um diploma do curso superior de jornalismo, v\u00e3o chegar nessas comunidades, v\u00e3o chegar nesses grupos e v\u00e3o produzir jornalismo para essas pessoas ou com essas pessoas\u201d<\/i><\/em>.<\/p>\n<p><strong><b>Angela<\/b><\/strong> tamb\u00e9m aponta a quest\u00e3o da desigualdade do pa\u00eds que, em muitos casos, impossibilita que uma pessoa frequente uma universidade. Segundo dados do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2020, pessoas que se declaram negras s\u00e3o 11% dos estudantes das universidades p\u00fablicas e 7,9% das universidades particulares.<\/p>\n<p>Quando se trata de classe econ\u00f4mica, aquelas com maior poder aquisitivo tamb\u00e9m s\u00e3o maioria nas universidades brasileiras. Segundo o estudo, 61,9% dos jovens com idade entre 18 e 24 anos e que se enquadram na classe A (possuem renda familiar de mais de oito sal\u00e1rios m\u00ednimos) est\u00e3o matriculados em um curso superior. Na contram\u00e3o, 10,5% dos jovens da mesma faixa et\u00e1ria, mas pertencentes a classe E (possuem renda familiar de at\u00e9 meio sal\u00e1rio m\u00ednimo) t\u00eam acesso \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o. <em><i>\u201cEst\u00e1 a\u00ed mais uma quest\u00e3o dentro das lutas do jornalismo: que tamb\u00e9m \u00e9 importante lutar para uma sociedade com mais equidade, com mais acesso. Equidade no acesso ao ensino superior, ao conhecimento, ao estudo, para que a gente realmente possa lutar pela obrigatoriedade do diploma. Eu acho uma coisa fundamental, mas vejo que a gente tem muitas quest\u00f5es a\u00ed para olhar, para prestar aten\u00e7\u00e3o, para a gente tamb\u00e9m n\u00e3o criar um elitismo profissional, porque ent\u00e3o s\u00f3 quem faz curso superior pode fazer jornalismo. Muito bem. Quem pode fazer curso superior no Brasil?\u201d.<\/i><\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong><em><b><i>O quarto poder<\/i><\/b><\/em><\/strong><\/h2>\n<p>Entre os s\u00e9culos 16 e 18, a maioria dos pa\u00edses europeus eram caracterizados por sistemas de governo considerados absolutistas, ou seja, todos os poderes eram centralizados em um \u00fanico governante, geralmente um Rei. Com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, no final do s\u00e9culo 18, estudiosos come\u00e7aram a pensar novos modelos de divis\u00e3o de poderes. Foi ent\u00e3o que o fil\u00f3sofo <strong>Montesquieu<\/strong> sugeriu que os poderes do Rei fossem divididos em tr\u00eas inst\u00e2ncias de igual peso e responsabilidade e que fossem capazes de fiscalizar umas \u00e0s outras, sendo elas o <strong>Poder Legislativo<\/strong>, o <strong>Poder Executivo<\/strong> e o <strong>Poder Judici\u00e1rio<\/strong>. Esse modelo \u00e9 utilizado em diversos pa\u00edses, inclusive no Brasil.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no s\u00e9culo 19, te\u00f3ricos come\u00e7aram a apontar a necessidade de um quarto poder, que pudesse denunciar abusos cometidos pelos tr\u00eas iniciais. Esse poder seria representado pela imprensa. Apesar de o jornalismo n\u00e3o ser oficialmente um poder, essa teoria \u00e9 capaz de demonstrar qual deve ser um dos principais papeis dessa profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o caso <strong><b>Watergate<\/b><\/strong>, um esc\u00e2ndalo pol\u00edtico que culminou na ren\u00fancia do presidente norte-americano <strong><b>Richard Nixon<\/b><\/strong>, em 1974. O comandante foi acusado de saber do esquema de espionagem desenvolvido por seu partido contra o partido opositor. O esquema foi descoberto e denunciado pelos jornalistas <strong><b>Carl Bernstein<\/b><\/strong>\u00a0e <strong><b>Bob Woodward<\/b><\/strong>, neste que \u00e9 conhecido como um dos maiores casos de jornalismo investigativo da hist\u00f3ria. <em><i>\u201cO jornalismo \u00e9 fundamental para qualquer sociedade democr\u00e1tica que se queira democr\u00e1tica. At\u00e9 para discutir a democracia. At\u00e9 para discutir as liberdades. At\u00e9 para discutir todas as quest\u00f5es de como vamos viver, de como vamos nos organizar. Ent\u00e3o o jornalismo serve para isso. Serve para denunciar, serve para fiscalizar os poderes, serve para contar hist\u00f3rias, boas e ruins\u201d,<\/i><\/em>\u00a0comenta <strong><b>Angela<\/b><\/strong>.<\/p>\n<p>Para <strong><b>Cl\u00e1udia<\/b><\/strong>, \u00e9 por meio do jornalismo que as pessoas t\u00eam a possibilidade de conhecer os problemas do local em que vivem, al\u00e9m de terem a oportunidade de ouvir novas opini\u00f5es e de debaterem o que est\u00e3o ouvindo. Trabalhando no interior, a estudante percebe uma proximidade entre o jornalista e o p\u00fablico, o que, em sua opini\u00e3o, pode trazer uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a. <em><i>\u201cAqui na minha cidade boa parte das m\u00eddias n\u00e3o trabalha com profissionais jornalistas, e isso acaba descredibilizando o trabalho algumas vezes, mas ao mesmo tempo em que somos generalizados pela falta de compet\u00eancia de uma m\u00eddia concorrente, percebo que aos poucos as pessoas est\u00e3o criando o v\u00ednculo com a m\u00eddia que tem um profissional jornalista. O p\u00fablico tem o direito de receber uma boa informa\u00e7\u00e3o. Chega daquele pensamento de que quem mora no interior tem tend\u00eancia para a ignor\u00e2ncia. Trabalho todos os dias para levar ao nosso p\u00fablico informa\u00e7\u00f5es que acrescentem de alguma forma na vida pessoal de cada um\u201d.<\/i><\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong><em><b><i>Uma atividade sob ataques<\/i><\/b><\/em><\/strong><\/h2>\n<p>Em 2021 o Brasil caiu quatro posi\u00e7\u00f5es no Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa, organizado pela ONG <strong>Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras<\/strong>. Como o nome diz, o ranking determina quais s\u00e3o os pa\u00edses com melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para a imprensa e quais s\u00e3o os piores. Atualmente, o pa\u00eds est\u00e1 na 111\u00aa posi\u00e7\u00e3o do ranking, o que o coloca na zona vermelha, indicando situa\u00e7\u00e3o de trabalho considerada dif\u00edcil. Sendo assim, o pa\u00eds est\u00e1 um n\u00edvel acima da zona preta, que indica situa\u00e7\u00e3o de trabalho em estado grave. Para definir o ranking, a ONG leva em conta quest\u00f5es como viol\u00eancia contra a imprensa, independ\u00eancia das m\u00eddias e transpar\u00eancia. Para <strong>Edinei<\/strong>, esse pode ser um reflexo da falta de educa\u00e7\u00e3o e de cultura de uma parte da popula\u00e7\u00e3o. <em><i>\u201cTudo est\u00e1 politizado hoje e o jornalismo n\u00e3o ficou de fora. Chegamos ao ponto de as pessoas terem seus &#8216;jornalistas de estima\u00e7\u00e3o&#8217;, ou seja, aqueles que n\u00e3o d\u00e3o not\u00edcia clara e objetiva, mas falam o que a pessoa quer ouvir, seja, a favor deste ou daquele pol\u00edtico\u201d.<\/i><\/em><\/p>\n<p><strong><b>Angela<\/b><\/strong>\u00a0considera que para entender os problemas enfrentados pela imprensa, \u00e9 necess\u00e1rio compreender, tamb\u00e9m, os problemas presentes na sociedade, pois esses impactam tamb\u00e9m o jornalismo. <em><i>\u201cMuitas vezes a gente vai sofrer essa influ\u00eancia de uma maneira mais forte, digamos assim. E a\u00ed \u00e9 importante pensar no papel que as corpora\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o, os conglomerados de comunica\u00e7\u00e3o tem nesse processo. \u00c9 mais f\u00e1cil voc\u00ea descontar isso no jornalista. E tamb\u00e9m muito estrat\u00e9gico porque se voc\u00ea generaliza que todos os jornalistas s\u00e3o ruins e que todos os jornalistas mentem e que todos os jornalistas s\u00e3o sem escr\u00fapulos voc\u00ea est\u00e1 criando uma repulsa por um grupo profissional, que come\u00e7a a ter dificuldades em trabalhar\u201d.<\/i><\/em><\/p>\n<p>Para a Doutora, o jornalismo \u00e9 atacado por ter a possibilidade de revelar coisas e de expor problemas. Ela tamb\u00e9m acredita ser importante entender a quem interessa descredibilizar a imprensa pois, geralmente, essas pessoas o fazem para tentar impor como um jornalista deve relatar os fatos para que essa narrativa atenda a seus desejos. <em><i>\u201cEle acha que voc\u00ea tem que colocar exatamente o que ele falou l\u00e1 sem fazer a contraposi\u00e7\u00e3o, sem buscar provas, sem buscar elementos para essa quest\u00e3o. E n\u00e3o \u00e9 assim que funciona. O jornalismo \u00e9 justamente o contr\u00e1rio. \u00c9 voc\u00ea ouvir os v\u00e1rios lados poss\u00edveis, dentro de uma rotina de produ\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, porque o jornalismo funciona como uma ind\u00fastria, como uma empresa. Dentro dessa rotina ele tem que buscar as informa\u00e7\u00f5es, e tem que contrapor, buscar o que prova aquilo, o que n\u00e3o prova. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 acusat\u00f3ria. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 juiz. Jornalista n\u00e3o fica acusando porque ele n\u00e3o \u00e9 juiz, ele n\u00e3o tem o poder de julgar, de fazer esse processo. Mas o nosso papel \u00e9 mostrar isso, com responsabilidade, \u00e9tica e todo cuidado poss\u00edvel\u201d,<\/i><\/em>\u00a0explica <strong><b>Angela<\/b><\/strong>.<\/p>\n<p>As fake news, citadas por <strong><b>Edinei<\/b><\/strong>\u00a0anteriormente, tamb\u00e9m s\u00e3o, para <strong><b>Angela<\/b><\/strong>, uma forma de desmoralizar o jornalismo. Em sua opini\u00e3o, o pr\u00f3prio nome dado ao fen\u00f4meno \u00e9 uma tentativa de relacionar not\u00edcias falsas ao processo jornal\u00edstico s\u00e9rio. <em><i>\u201cA gente n\u00e3o est\u00e1 falando de not\u00edcias falsas, a gente est\u00e1 falando de desinforma\u00e7\u00e3o. Um processo de desconstru\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. Um processo de pegar elementos que s\u00e3o verdadeiros, misturar com falsos, deturpar imagens, deturpar imagens e \u00e1udios nos v\u00eddeos, ent\u00e3o essa \u00e9 uma deturpa\u00e7\u00e3o, uma desinforma\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o o termo fake news \u00e9 um termo que j\u00e1 vem para mexer com a gente, mexer com o jornalista, com a credibilidade, lembrando que qual \u00e9 a maior caracter\u00edstica do jornalismo? O que o jornalista e o jornalismo por consequ\u00eancia precisam ter? Credibilidade. Se tira a credibilidade dele, fica o qu\u00ea? N\u00e3o fica nada. Pode ter empresa, pode ter computador, pode ter dinheiro para fazer jornal, mas n\u00e3o fica nada. Voc\u00ea vai vender o que se voc\u00ea est\u00e1 vendendo uma coisa que ningu\u00e9m acredita?\u201d.<\/i><\/em><\/p>\n<p>Outro fator citado por <strong><b>Angela<\/b><\/strong>\u00a0\u00e9 o impacto das fake news para a sociedade no geral, e n\u00e3o apenas para o jornalismo. O fen\u00f4meno tem causado problemas t\u00e3o s\u00e9rios no pa\u00eds, que o Senado abriu uma Comiss\u00e3o Parlamentar Mista de Inqu\u00e9rito com a justificativa de, segundo a pr\u00f3pria comiss\u00e3o, \u201cinvestigar ataques cibern\u00e9ticos que atentam contra a democracia e o debate p\u00fablico; a utiliza\u00e7\u00e3o de perfis falsos para influenciar os resultados das elei\u00e7\u00f5es 2018; a pr\u00e1tica de <em><i>cyberbullying<\/i><\/em>\u00a0sobre os usu\u00e1rios mais vulner\u00e1veis da rede de computadores, bem como sobre agentes p\u00fablicos; e o aliciamento e orienta\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as para o cometimento de crimes de \u00f3dio e suic\u00eddio\u201d.<\/p>\n<p>Para <strong><b>Angela<\/b><\/strong>, a luta entre as fake news e o jornalismo \u00e9 desigual, pois a primeira pertence a uma ind\u00fastria maior e que pode trabalhar com mais agilidade, visto que n\u00e3o se compromete com a seriedade nem com os princ\u00edpios de uma produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica. <em><i>\u201cElas j\u00e1 n\u00e3o respeitam o princ\u00edpio da boa informa\u00e7\u00e3o. Da informa\u00e7\u00e3o justa, da informa\u00e7\u00e3o intelectualmente honesta. Ent\u00e3o \u00e9 muito f\u00e1cil fazer isso, mas \u00e9 claro que as fake news n\u00e3o existem, a desinforma\u00e7\u00e3o, esse processo de desinforma\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o existe \u00e0 toa. Ele existe porque h\u00e1 um processo pol\u00edtico econ\u00f4mico por tr\u00e1s disso. H\u00e1 interesse. \u00c9 importante para alguns grupos que esse processo aconte\u00e7a para que eles tenham for\u00e7a, para que consigam o que eles querem. Ent\u00e3o o impacto \u00e9 muito grande\u201d.<\/i><\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong><em><b><i>Futuro do jornalismo<\/i><\/b><\/em><\/strong><\/h2>\n<p><strong><b>Edinei<\/b><\/strong>, que hoje \u00e9 editor e propriet\u00e1rio do portal <strong><b>JMais<\/b><\/strong>, de Canoinhas, al\u00e9m de tamb\u00e9m ser locutor na r\u00e1dio 98FM da cidade, conta que come\u00e7ou sua carreira no jornalismo em 2003, atuando como editor do jornal Correio do Norte. Para ele, de l\u00e1 para c\u00e1, a ess\u00eancia do jornalismo continua sendo a mesma: a de buscar pela imparcialidade e objetividade sempre primando pelo justo. Contudo, ele aponta que a forma de produzir o jornalismo mudou com o passar dos anos, por conta do avan\u00e7o da tecnologia. Pensando no futuro da profiss\u00e3o, Edinei relata n\u00e3o conseguir pensar em uma mudan\u00e7a de sentido para o jornalismo. <em><i>\u201cHoje e amanh\u00e3 ele ter\u00e1 de trabalhar com independ\u00eancia, deixando claro m\u00e9todos e procedimentos de apura\u00e7\u00e3o, buscando ser o mais \u00e9tico e transparente poss\u00edvel\u201d<\/i><\/em>.<\/p>\n<p>Para Cl\u00e1udia, o futuro do <strong><b>jornalismo<\/b><\/strong>\u00a0ser\u00e1 desafiador. A estudante aponta que, para ela, as pessoas tendem a ver a profiss\u00e3o com vislumbre e que imaginam que s\u00f3 \u00e9 profissional quem trabalha em frente \u00e0s c\u00e2meras. Em sua opini\u00e3o, o incentivo pela forma\u00e7\u00e3o e a abertura de discuss\u00f5es sobre o trabalho do jornalista pode fazer com que as pessoas passem a se interessar pelo tema. \u201c<em><i>Gostaria que as pessoas valorizassem o trabalho do jornalismo local, e quando me refiro ao jornalismo local, \u00e9 o das m\u00eddias que possuem profissionais da \u00e1rea. Apoiar o jornalismo local, com pessoas formadas, \u00e9 um baita incentivo. A partir do momento que as pessoas entenderem o impacto do jornalismo, as engrenagens andar\u00e3o um pouco mais\u201d<\/i><\/em>.<\/p>\n<p><strong><b>Angel<\/b><\/strong><strong><b>a<\/b><\/strong>\u00a0acredita que o futuro do jornalismo depende de como ele ser\u00e1 trabalhado no presente. Para ela, a profiss\u00e3o precisa ser mais transparente e ser mais aberta quanto ao processo de produ\u00e7\u00e3o dos materiais jornal\u00edsticos, como forma de mostrar para o p\u00fablico todo o processo por traz de uma reportagem. Ela aponta, ainda, que em sua opini\u00e3o o jornalismo j\u00e1 mudou bastante, e est\u00e1 entendendo a import\u00e2ncia de oportunizar conhecimentos e de relatar os fatos de maneira cr\u00edtica, honesta, s\u00e9ria e focada em mais de uma forma de abordagem. <em><i>\u201cEu acho que o futuro \u00e9 o que a gente faz hoje. O futuro vai ser bom, vai ser produtivo, vai ser cheio de tecnologia, produtos tecnol\u00f3gicos, de muito podcasts, v\u00eddeos, blogs, instagrams e outras redes sociais que devem surgir por a\u00ed, se a gente fizer o trabalho bem feito hoje, todos os dias\u201d.<\/i><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornal-o-comercio-90-anos-parceiros.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-72 colorbox-267\" src=\"http:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornal-o-comercio-90-anos-parceiros-1024x252.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"252\" data-id=\"72\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornal-o-comercio-90-anos-parceiros-1024x252.png 1024w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornal-o-comercio-90-anos-parceiros-300x74.png 300w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornal-o-comercio-90-anos-parceiros-768x189.png 768w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornal-o-comercio-90-anos-parceiros-230x57.png 230w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2021\/06\/jornal-o-comercio-90-anos-parceiros.png 1380w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O ser humano diferencia-se dos demais animais, entre v\u00e1rios fatores, pela sua comunica\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada. 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