{"id":6659,"date":"2022-04-04T06:00:53","date_gmt":"2022-04-04T09:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/?p=6659"},"modified":"2022-04-05T10:39:36","modified_gmt":"2022-04-05T13:39:36","slug":"cirurgia-cerebral-que-ameniza-sintomas-do-parkinson-e-ofertada-pelo-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/saude\/cirurgia-cerebral-que-ameniza-sintomas-do-parkinson-e-ofertada-pelo-sus\/","title":{"rendered":"Cirurgia cerebral que ameniza sintomas do Parkinson \u00e9 ofertada pelo SUS"},"content":{"rendered":"<p>O esporte sempre teve um lugar na vida de M\u00e1rio Em\u00edlio da Silva, e foi no futebol que ele conquistou seus primeiros feitos. Jogando pelo Hava\u00ed, fez cinco gols em um \u00fanico jogo, o que, segundo seu relato, o d\u00e1 o t\u00edtulo de maior goleador em apenas uma partida pela Ta\u00e7a Paran\u00e1. Ainda jovem, na casa dos 20 e poucos anos, M\u00e1rio Em\u00edlio casou e ganhou uma nova paix\u00e3o: o t\u00eanis. Sua esposa possu\u00eda duas raquetes em casa, e o que come\u00e7ou como um passatempo escalonou para n\u00edveis profissionais.<\/p>\n<p>O atleta disputou torneios em diversas cidades e at\u00e9 mesmo em outros pa\u00edses, como Uruguai e Argentina. Aos 55 anos foi campe\u00e3o da segunda classe, grupo que compreende jogadores com mais de 30 anos. \u201cFui o jogador mais velho a conseguir essa marca\u201d, comenta.<\/p>\n<div id=\"attachment_6660\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-01.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6660\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-6660 size-large colorbox-6659\" src=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-01-1024x576.jpeg\" alt=\"Cirurgia cerebral que ameniza sintomas do Parkinson \u00e9 ofertada pelo SUS\" width=\"1024\" height=\"576\" data-id=\"6660\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-01-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-01-300x169.jpeg 300w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-01-768x432.jpeg 768w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-01-230x129.jpeg 230w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-01.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6660\" class=\"wp-caption-text\">O esporte sempre teve um lugar na vida de M\u00e1rio Em\u00edlio da Silva | Foto: Arquivo pessoal<\/p><\/div>\n<p>Por ter uma vida esportiva ativa, e consequentemente facilidade de movimento, um amigo logo notou quando M\u00e1rio Em\u00edlio come\u00e7ou a apresentar certa lentid\u00e3o. Imaginando ter um problema no ombro, procurou um m\u00e9dico. Na primeira consulta, recebeu a indica\u00e7\u00e3o para procurar um neurologista. M\u00e1rio Em\u00edlio decidiu ent\u00e3o buscar uma segunda opini\u00e3o, indo a um outro ortopedista. Contudo, desta vez, a indica\u00e7\u00e3o foi mais incisiva. \u201cSeu sintoma \u00e9 de Parkinson\u201d, disse o profissional. E dessa forma, ap\u00f3s exames, M\u00e1rio Em\u00edlio recebeu seu diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>Por ser uma doen\u00e7a debilitante devido aos seus sintomas, o atleta precisou se aposentar da vida esportiva. \u201cEu sempre fui jogador de t\u00eanis, adorava jogar t\u00eanis, \u00e9 uma tristeza para mim n\u00e3o jogar mais t\u00eanis. Deixei de fazer isso, n\u00e3o pratico mais nenhum tipo de esporte. Volta e meia eu estou fazendo um ou outro movimento em casa, com neuro, com fisioterapeuta, e estou indo\u201d, relata.<\/p>\n\n\t\t<style type=\"text\/css\">\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 25%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-6659 gallery-columns-4 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-06.jpeg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-06-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail colorbox-6659 \" alt=\"Cirurgia cerebral que ameniza sintomas do Parkinson \u00e9 ofertada pelo SUS\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-6664\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-06-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-06-125x125.jpeg 125w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-6664'>\n\t\t\t\tFoto: Arquivo pessoal\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon portrait'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-05.jpeg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-05-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail colorbox-6659 \" alt=\"Cirurgia cerebral que ameniza sintomas do Parkinson \u00e9 ofertada pelo SUS\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-6663\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-05-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-05-125x125.jpeg 125w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-6663'>\n\t\t\t\tFoto: Arquivo pessoal\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-03.jpeg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-03-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail colorbox-6659 \" alt=\"Cirurgia cerebral que ameniza sintomas do Parkinson \u00e9 ofertada pelo SUS\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-6662\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-03-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-03-125x125.jpeg 125w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-6662'>\n\t\t\t\tFoto: Arquivo pessoal\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<a href='https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-02.jpeg'><img width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-02-150x150.jpeg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail colorbox-6659 \" alt=\"Cirurgia cerebral que ameniza sintomas do Parkinson \u00e9 ofertada pelo SUS\" loading=\"lazy\" aria-describedby=\"gallery-1-6661\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-02-150x150.jpeg 150w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Mario-Emilio-02-125x125.jpeg 125w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-6661'>\n\t\t\t\tFoto: Arquivo pessoal\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong>O que \u00e9 a Doen\u00e7a de Parkinson?<\/strong><\/h2>\n<p>Descrita pela primeira vez em 1817, a doen\u00e7a leva o sobrenome de James Parkinson, m\u00e9dico respons\u00e1vel por seu registro. \u00c9 causada pela diminui\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de dopamina, subst\u00e2ncia que funciona como um mensageiro e tem a fun\u00e7\u00e3o de transmitir informa\u00e7\u00f5es \u00e0s c\u00e9lulas nervosas do c\u00e9rebro. Sua falta resulta em dificuldade de movimento por parte do paciente, podendo causar tremores, o sintoma mais associado ao Parkinson pela popula\u00e7\u00e3o. Contudo, diferentemente da cren\u00e7a popular, o principal sinal do Parkinson \u00e9 a lentid\u00e3o de movimento, como a apresentada por M\u00e1rio\u00a0Em\u00edlio. \u201cA pessoa come\u00e7a a andar devagar. Muitas vezes arrasta o p\u00e9. Ela faz as coisas,\u00a0mas com muita lentid\u00e3o. Esse \u00e9 o principal sintoma\u201d, explica a neurologista porto-unionense Marina Farah.<\/p>\n<p>Outro sintoma \u00e9 a rigidez que, segundo Marina, pode ser descrita como a sensa\u00e7\u00e3o de estar enrolado em fita adesiva. A falta de equil\u00edbrio e tend\u00eancia para queda tamb\u00e9m podem estar presentes. Al\u00e9m disso, a m\u00e9dica indica que a doen\u00e7a pode come\u00e7ar a dar pistas muito antes de manifestar seus sintomas ligados ao movimento, como a dificuldade em sentir cheiro, dificuldade para dormir, e at\u00e9 mesmo sintomas de cunho emocional. \u201cAnsiedade e depress\u00e3o, muito importantes, presentes antes mesmo do problema do movimento. Problemas intestinais de obstipa\u00e7\u00e3o, dificuldade para evacuar. E problemas de sono tamb\u00e9m, ent\u00e3o o paciente n\u00e3o consegue dormir, muitos deles gritam \u00e0 noite, se \u00a0batem, caem da cama. Isso \u00e9 um sinal que pode estar associado\u00a0\u00e0 doen\u00e7a tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 a partir da identifica\u00e7\u00e3o dos sintomas e da cronologia de seu surgimento que o m\u00e9dico pode atestar a doen\u00e7a, visto que n\u00e3o existe uma exame espec\u00edfico para se constatar o Parkinson. Por\u00e9m, mesmo com a presen\u00e7a dos sintomas, o diagn\u00f3stico n\u00e3o \u00e9 simples. Segundo Marina, v\u00e1rias outras doen\u00e7as podem ser confundidas com o Parkinson, por isso a neurologista destaca a import\u00e2ncia de se receber um diagn\u00f3stico feito por um especialista em movimentos anormais. \u201cExistem doen\u00e7as muito parecidas que n\u00e3o s\u00e3o a doen\u00e7a de Parkinson. \u00c9 um outro grupo que chamamos de parkinsonismo. Tem os mesmos sinais, mas eles n\u00e3o t\u00eam a cronologia da doen\u00e7a [de Parkinson], ent\u00e3o eles v\u00e3o afetar a vida desse paciente de forma diferente\u201d, explica.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Parkinson.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-6665 size-large colorbox-6659\" src=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Parkinson-1024x772.jpg\" alt=\"Cirurgia cerebral que ameniza sintomas do Parkinson \u00e9 ofertada pelo SUS\" width=\"1024\" height=\"772\" data-id=\"6665\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Parkinson-1024x772.jpg 1024w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Parkinson-300x226.jpg 300w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Parkinson-768x579.jpg 768w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Parkinson-230x173.jpg 230w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Parkinson.jpg 1242w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os sintomas da doen\u00e7a s\u00e3o mais comuns em pessoas com idade acima de 60 anos, sem haver predomin\u00e2ncia em um determinado sexo. Mas a manifesta\u00e7\u00e3o em pessoas mais jovens n\u00e3o est\u00e1 descartada. Um exemplo \u00e9 o ator Michael J. Fox, \u00edcone dos anos 80, respons\u00e1vel por dar vida ao personagem Marty Mcfly na trilogia De Volta para o Futuro. Michael recebeu o diagn\u00f3stico de Parkinson em 1991. Na \u00e9poca, o ator possu\u00eda 29 anos. Segundo Marina, geralmente o Parkinson acomete pessoas mais jovens por quest\u00f5es gen\u00e9ticas, contudo, mesmo que haja outros casos de Parkinson na fam\u00edlia, \u00e9 imposs\u00edvel prever se ele ir\u00e1 se manifestar antes que os sintomas apare\u00e7am. Exames de mapeamento gen\u00e9tico s\u00e3o capazes de mostrar uma propens\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a, mas n\u00e3o existe forma de prevenir o Parkinson.<\/p>\n<p>Uma vez identificada a doen\u00e7a, o tratamento \u00e9 feito com o uso de medicamentos que visam aumentar a produ\u00e7\u00e3o de dopamina no c\u00e9rebro. Segundo Marina, a medica\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de reduzir entre 60% a 80% dos sintomas. A melhora do paciente \u00e9, inclusive, um indicativo de que o diagn\u00f3stico de Parkinson foi assertivo, pois outras doen\u00e7as do grupo de parkinsonismo n\u00e3o reagem t\u00e3o bem a esse tratamento. \u201cMesmo assim eu ainda preciso acompanhar ele [o paciente] por uns dois anos para ver se n\u00e3o surgem novos sintomas ou se ele n\u00e3o deixa de responder a medica\u00e7\u00e3o\u201d, completa. Como o Parkinson se manifesta de diferentes formas em cada organismo, o tratamento \u00e9 feito de forma personalizada para cada paciente. Entretanto, nem todo paciente tolera o medicamento, e nesses casos o aux\u00edlio pode vir de forma cir\u00fargica.<\/p>\n<p>Um dos tipos de cirurgia dispon\u00edveis \u00e9 chamada de palidotomia. Nela, um local espec\u00edfico do c\u00e9rebro passa por uma cauteriza\u00e7\u00e3o. O problema deste procedimento \u00e9 que, caso seja feito de forma incorreta, pode causar sequelas. A outra cirurgia dispon\u00edvel atualmente \u00e9 a que envolve o implante de um marcapasso cerebral. Esse procedimento pode ser revertido apenas desligando o aparelho.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong>Uso de marcapasso cerebral para o tratamento<\/strong><\/h2>\n<p>\u00c0 primeira vista, pode parecer algo vindo da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mas a cirurgia cerebral para tratamento do Parkinson \u00e9 realidade h\u00e1 muitos anos. A cirurgia em quest\u00e3o \u00e9 chamada de DBS, sigla em ingl\u00eas para Estimula\u00e7\u00e3o Cerebral Profunda (Deep Brain Stimulation).<\/p>\n<p>Segundo artigo escrito por Vittorio A. Sironi, a estimula\u00e7\u00e3o cerebral foi utilizada, inicialmente, para tratar dist\u00farbios comportamentais e dores cr\u00f4nicas.\u00a0O neurocientista espanhol Jos\u00e9 M. Delgado, na d\u00e9cada de 50, foi o primeiro a descrever a t\u00e9cnica de implante de eletrodos cerebrais. Seus estudos utilizavam diversos animais, como macacos, gatos, touros, e at\u00e9 mesmo humanos. Em uma de suas demonstra\u00e7\u00f5es, Delgado disse ser poss\u00edvel impedir que um touro atacasse utilizando sinais de r\u00e1dio capazes de se comunicar com os eletrodos inseridos no c\u00e9rebro do animal. Contudo, a primeira a utilizar a estimula\u00e7\u00e3o cerebral para tratar dist\u00farbios de movimento foi a neurocientista russa Natalia Petrovna Bekthereva, em 1963.<\/p>\n<p>Mas, assim como os experimentos com t\u00e9cnicas de estimula\u00e7\u00e3o cerebral avan\u00e7avam, o uso de f\u00e1rmacos para o tratamento de Parkinson tamb\u00e9m era um desejo. Foi tamb\u00e9m nos anos 60, segundo Sironi, que o uso de medicamentos com a propriedade de estimular a produ\u00e7\u00e3o de dopamina come\u00e7aram a ser usados. Com isso, os tratamentos cir\u00fargicos de DBS foram colocados de lado durante algum tempo, retornando em 1987 com estudos publicados pelo neurocirurgi\u00e3o franc\u00eas Alim-Louis Benabid.<\/p>\n<div id=\"attachment_6666\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-04-at-20.20.03-1.jpeg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6666\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-6666 size-large colorbox-6659\" src=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-04-at-20.20.03-1-1024x683.jpeg\" alt=\"Cirurgia cerebral que ameniza sintomas do Parkinson \u00e9 ofertada pelo SUS\" width=\"1024\" height=\"683\" data-id=\"6666\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-04-at-20.20.03-1-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-04-at-20.20.03-1-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-04-at-20.20.03-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-04-at-20.20.03-1-230x153.jpeg 230w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-04-at-20.20.03-1-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/WhatsApp-Image-2022-01-04-at-20.20.03-1.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6666\" class=\"wp-caption-text\">Natural do Vale do Igua\u00e7u, a m\u00e9dica Marina Farah atende atualmente em Curitiba | Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Segundo Marina, que trabalha com a t\u00e9cnica de DBS, atualmente a cirurgia apresenta baixa morbimortalidade, o per\u00edodo de interna\u00e7\u00e3o \u00e9 de cerca de tr\u00eas dias, e o procedimento pode ser realizado sem que o paciente precise ser sedado. \u201cQuando o paciente prefere fazer dormindo,\u00a0a gente faz. Mas se ele puder ficar acordado a gente faz tamb\u00e9m para poder fazer o teste durante a cirurgia\u201d.<\/p>\n<p>Na cirurgia, um eletrodo \u00e9 implantado em uma determinada \u00e1rea do c\u00e9rebro, de acordo com os sintomas do paciente. Para tanto, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de fazer grandes incis\u00f5es na cabe\u00e7a. A cirurgia \u00e9 realizada por coordenadas e, uma vez tra\u00e7ado o ponto em que o eletrodo ser\u00e1 implantado, um pequeno buraco \u00e9 feito na cabe\u00e7a do paciente, e \u00e9 nele que o marcapasso \u00e9 depositado. Durante o procedimento, tamb\u00e9m \u00e9 colocado um gerador sob a pele, em uma regi\u00e3o do t\u00f3rax. Ap\u00f3s ligado, um campo el\u00e9trico se forma no cr\u00e2nio do paciente, e ser\u00e1 ele o respons\u00e1vel por estimular os neur\u00f4nios a cumprirem sua fun\u00e7\u00e3o.\u00a0O procedimento pode, inclusive, ser realizado por aqueles que j\u00e1 tenham passado pelo processo de palidotomia.<\/p>\n<p>Em 2012, ano em que M\u00e1rio Em\u00edlio foi diagnosticado com a doen\u00e7a, a cirurgia de DBS j\u00e1 havia sido realizada em mais de 40 mil pacientes mundialmente. Para ele, entretanto, o procedimento ainda n\u00e3o era indicado. Segundo Marina, a primeira indica\u00e7\u00e3o de tratamento \u00e9 o medicamentoso. Para pacientes que estejam reagindo bem ao tratamento, a cirurgia s\u00f3 come\u00e7a a ser cogitada ap\u00f3s o quinto ano desde o diagn\u00f3stico. Esse per\u00edodo de bons resultados apenas com medica\u00e7\u00e3o \u00e9 chamado de lua de mel. \u201cA partir do quinto ano come\u00e7am os problemas, em geral, se o paciente \u00e9 bem manejado. Se n\u00e3o, ele j\u00e1 come\u00e7a antes. O rem\u00e9dio come\u00e7a a durar pouco tempo, ou ele melhora o tremor e o travamento, mas ele come\u00e7a a dar um balan\u00e7o. Ele pode dar alucina\u00e7\u00e3o. A dose do rem\u00e9dio vai ficando cada vez mais alta. Ent\u00e3o a gente tem assim que cinco anos \u00e9 poss\u00edvel melhorar bem [com uso de medicamento]. Depois disso vai de cada um\u201d.<\/p>\n<p>Realizar o procedimento no tempo certo \u00e9 crucial para a efic\u00e1cia e seguran\u00e7a da cirurgia, aponta Marina. \u201cSe voc\u00ea esperar muito voc\u00ea perde a chance de operar. E se voc\u00ea for muito cedo voc\u00ea pode operar uma coisa que n\u00e3o tem indica\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o voc\u00ea tem que ver bem, avaliar bem essa pessoa com esses\u00a0sintomas para saber se ela \u00e9 um candidato ou n\u00e3o para cirurgia\u201d. O tempo de espera tamb\u00e9m \u00e9 importante para que haja certeza de que o paciente realmente possui Parkinson. Caso o paciente que possui os sintomas tenha, na verdade, uma doen\u00e7a do grupo de parkinsonismo, a cirurgia pode causar uma piora do quadro.<\/p>\n<p>Foi por indica\u00e7\u00e3o de Marina que M\u00e1rio Em\u00edlio realizou uma bateria de exames para saber se estava apto a realizar o procedimento. Em um primeiro momento, constatou-se que para ele o tratamento medicamentoso ainda era ben\u00e9fico. Tais exames s\u00e3o realizados, principalmente, para determinar se o paciente ainda \u00e9 beneficiado pelo tratamento com rem\u00e9dios, como no caso de M\u00e1rio\u00a0Em\u00edlio. Al\u00e9m disso, visa-se descartar a possibilidade de haverem outros problemas de sa\u00fade, como dem\u00eancia e demais problemas cognitivos. \u201cN\u00f3s vemos como \u00e9 que est\u00e1 a parte de humor dessa pessoa, se ela tem uma depress\u00e3o, se tem um transtorno bipolar que precisa ser tratado antes\u201d, indica Marina.<\/p>\n<p>Durante os exames tamb\u00e9m \u00e9 realizada uma resson\u00e2ncia do cr\u00e2nio do paciente para identificar a anatomia do c\u00e9rebro e garantir que o DBS seja implantado no local correto. Outro exame realizado \u00e9 o teste de levodopa. Segundo Marina, neste procedimento o neurologista faz uma filmagem do paciente antes de receber subst\u00e2ncias que auxiliam na produ\u00e7\u00e3o de dopamina, e outra filmagem ap\u00f3s receber os medicamentos. \u201cEssa resposta ao medicamento \u00e9 um forte indicativo de que \u00e9 a doen\u00e7a de Parkinson e de que eu posso realmente operar. Quando o paciente fica muito mal sem rem\u00e9dio mas muito bem com o rem\u00e9dio, isso \u00e9 uma coisa muito indicativa de que o DBS vai funcionar\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Saude-Mental.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-6667 size-full colorbox-6659\" src=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Saude-Mental.png\" alt=\"Cirurgia cerebral que ameniza sintomas do Parkinson \u00e9 ofertada pelo SUS\" width=\"816\" height=\"855\" data-id=\"6667\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Saude-Mental.png 816w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Saude-Mental-286x300.png 286w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Saude-Mental-768x805.png 768w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Saude-Mental-230x241.png 230w\" sizes=\"(max-width: 816px) 100vw, 816px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Dois anos depois de realizar a primeira bateria de exames, M\u00e1rio Em\u00edlio repetiu o processo e, desta vez, a cirurgia passou a ser uma possibilidade. Oito anos se passaram desde o diagn\u00f3stico de M\u00e1rio Em\u00edlio at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do procedimento. \u201cEu fiz no dia 24 de outubro de 2020. Gra\u00e7as a Deus ocorreu tudo bem. A cabe\u00e7a est\u00e1 boa, e estou indo, estou produzindo, estou na atividade ainda\u201d, celebra.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Em\u00edlio relata que n\u00e3o teve medo ou receio de realizar a cirurgia, pois confia no profissionalismo da medicina e, principalmente, na indica\u00e7\u00e3o m\u00e9dica que recebeu. Al\u00e9m disso, o apoio familiar e de amigos o fez ter mais confian\u00e7a no tratamento. \u201cO pessoal foi maravilhoso. Os meus filhos, a minha esposa, a minha ex-esposa tamb\u00e9m. Nunca tive problema de falta de apoio em casa. O pessoal sempre me ajudou. \u00c9 incr\u00edvel como as pessoas s\u00e3o solid\u00e1rias. Os pr\u00f3prios m\u00e9dicos tamb\u00e9m tomam uma atitude diferente\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a opera\u00e7\u00e3o, M\u00e1rio Em\u00edlio teve que aguardar 30 dias para que itens de seguran\u00e7a fossem analisados. Era importante garantir que o eletrodo estivesse no local correto, e que n\u00e3o houvesse sangramento ou infec\u00e7\u00e3o. Passado esse per\u00edodo, retornou ao consult\u00f3rio de Marina para que a m\u00e9dica realizasse a programa\u00e7\u00e3o do aparelho. Com a regulagem do marcapasso, a neurologista consegue determinar qual tamanho e tens\u00e3o de campo el\u00e9trico surte os melhores resultados quanto ao controle dos sintomas. Com o passar do tempo, ap\u00f3s um per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o, a doutora \u00e9 capaz de liberar mais de uma programa\u00e7\u00e3o para o paciente, que passa a ser capaz de control\u00e1-las por meio de um controle. \u201cEu posso criar v\u00e1rias programa\u00e7\u00f5es. Por exemplo, desse jeitinho aqui ele fica melhor para caminhar, desse aqui controla melhor o tremor, e ele pode ir ajustando. Ou eu posso deixar o intervalo da for\u00e7a do aparelho, que ele pode diminuir e voltar. Por exemplo, ele vai l\u00e1, regula comigo e n\u00e3o gostou. Ele pode voltar para a programa\u00e7\u00e3o anterior que ele estava\u201d.<\/p>\n<p>Essa liberdade, contudo, n\u00e3o \u00e9 total. O controle do paciente s\u00f3 \u00e9 capaz de fazer o que Marina determinar ser seguro. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 permitir autonomia para que a programa\u00e7\u00e3o seja trocada de acordo com suas necessidades, mas nem todos s\u00e3o adeptos dessa pequena independ\u00eancia. \u201cEu tenho paciente que n\u00e3o gosta de mexer com controle, que tem medo. E tem paciente que mexe o tempo todo. Isso varia \u00a0da personalidade da pessoa\u201d, relata Marina.<\/p>\n<p>Mais de um ano ap\u00f3s a cirurgia, M\u00e1rio Em\u00edlio ainda se demonstra maravilhado pela t\u00e9cnica. \u201cCoisa incr\u00edvel esse aparelho. Ela fala \u2018eu vou mexer na sua voz\u2019, e mexe. \u2018Vou mexer no seu c\u00e9rebro e voc\u00ea vai ficar assim, assim e assim\u2019. Fico assim, assim e assim. Na hora, NA HORA. \u00c9 uma coisa fant\u00e1stica\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong>Cirurgia tamb\u00e9m \u00e9 ofertada pelo SUS<\/strong><\/h2>\n<p>Em conv\u00eanios privados, a cirurgia pode custar cerca de R$\u00a0100 mil. Por\u00e9m, desde 2017, o procedimento \u00e9 previsto no Protocolo Cl\u00ednico e Diretrizes Terap\u00eauticas da Doen\u00e7a de Parkinson do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Sendo assim, o processo \u00e9 garantido pelo Sistema \u00fanico de Sa\u00fade (SUS). No Brasil, a primeira cirurgia de DBS pelo SUS foi realizada em 2019, no Hospital PUC-Campinas, em uma mulher de 55 anos. A \u00fanica diferen\u00e7a na cirurgia realizada pelo SUS \u00e9 que o paciente n\u00e3o recebe o controle para alternar entre as programa\u00e7\u00f5es realizadas pelo m\u00e9dico. Contudo, o aparelho pode ser adquirido posteriormente.<\/p>\n<p>Atualmente, Marina responde pelo ambulat\u00f3rio de estimula\u00e7\u00e3o cerebral profunda do Hospital Universit\u00e1rio Cajuru (HUC), de Curitiba, \u00fanico do Paran\u00e1 que realiza o procedimento pelo SUS. Um problema, segundo a neurologista, \u00e9 que mesmo existindo a possibilidade de realizar o tratamento via SUS, muitos pacientes n\u00e3o passam pelo processo por n\u00e3o saberem que ele \u00e9 uma possibilidade. \u201cA cada 100 pacientes que poderiam ser operados e se beneficiar pela cirurgia, 18 operam. Ent\u00e3o ela \u00e9 muito pouco indicada apesar de ter muita indica\u00e7\u00e3o, talvez porque as pessoas n\u00e3o conhecem, talvez porque o m\u00e9dico n\u00e3o saiba que d\u00e1 pelo SUS\u201d.<\/p>\n<p>Marina relata j\u00e1 ter operado tr\u00eas pessoas da regi\u00e3o, e ter pelo menos mais dez em acompanhamento. Para ser atendido pelo SUS, a m\u00e9dica indica que o caminho \u00e9 conversar com o m\u00e9dico da unidade de sa\u00fade que o paciente frequenta para saber se a cirurgia j\u00e1 \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o para seu tratamento. Caso seja, o paciente deve ser encaminhado, via Secretaria da Sa\u00fade local, para o hospital de refer\u00eancia para realiza\u00e7\u00e3o da cirurgia. \u201c\u00c0s vezes n\u00e3o \u00e9 hospital Cajuru a refer\u00eancia dessa unidade [de sa\u00fade] e a\u00ed se n\u00e3o for, esse hospital encaminha para o hospital Cajuru. Mas se o m\u00e9dico especificar que \u00e9 para avalia\u00e7\u00e3o de cirurgia e houver uma for\u00e7a para que seja encaminhado corretamente ele chega l\u00e1 para mim. V\u00e1rias vezes,\u00a0nem os m\u00e9dicos sabem disso, eles acham que n\u00e3o existe pelo SUS e bloqueiam, ent\u00e3o o \u00a0importante \u00e9 encaminhar para avalia\u00e7\u00e3o de cirurgia independente do hospital de refer\u00eancia que seja por que no hospital de refer\u00eancia eles v\u00e3o saber que l\u00e1 [no Cajuru] tem. A gente acaba atendendo o Paran\u00e1 inteiro porque n\u00e3o tem outro que fa\u00e7a [pelo SUS] ent\u00e3o mesmo que n\u00e3o seja hospital de refer\u00eancia dele, muitas vezes a gente consegue fazer com que a autoridade local de Sa\u00fade fa\u00e7a contato com a regula\u00e7\u00e3o para que esse paciente tenha um encaminhamento certo, porque muitas vezes ele fica um temp\u00e3o esperando e chega l\u00e1 e n\u00e3o \u00e9, da\u00ed volta. Ent\u00e3o eu acho que tem que ter um empenho nesse sentido, ver caso a caso para onde que tem que ir essa pessoa\u201d.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Em\u00edlio realizou a cirurgia por meio de conv\u00eanio particular, por\u00e9m indica que o paciente que n\u00e3o tenha condi\u00e7\u00f5es, mas que tenha indica\u00e7\u00e3o para o DBS, procure tratamento pelo SUS. \u201cEu esperei dois anos depois do teste. Tinha condi\u00e7\u00f5es de fazer a cirurgia no lado financeiro, mas n\u00e3o tinha no lado da sa\u00fade. Ent\u00e3o,\u00a0se voc\u00ea tem algu\u00e9m na fam\u00edlia que tem Parkinson, que foi constatado que tem Parkinson, independe do teu poder aquisitivo. Ent\u00e3o essas coisas que tem que acontecer. N\u00e3o s\u00f3 no Parkinson, mas em outros procedimentos. A falta de esclarecimento, a cultura nossa \u00e9 muito pequena, n\u00f3s n\u00e3o temos no\u00e7\u00e3o do que n\u00f3s temos condi\u00e7\u00e3o de exigir e de ser feito, que o pr\u00f3prio SUS nos fornece, n\u00e3o sabemos isso ainda. Tem muita coisa que poderia ser melhor aproveitada\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong>Convivendo com o Parkinson<\/strong><\/h2>\n<p>O Parkinson n\u00e3o tem cura, e todos os tratamentos dispon\u00edveis visam melhorar a qualidade de vida do paciente ao diminuir a intensidade dos sintomas. A doen\u00e7a afeta, principalmente, as quest\u00f5es <strong>\u00a0<\/strong>de movimento, dificultando que a pessoa realize fun\u00e7\u00f5es do seu dia a dia, como abotoar uma camisa, cortar a refei\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em seu prato, levantar da cadeira, e assim por diante. Al\u00e9m disso, por se tratarem de sintomas debilitantes, muitas vezes o portador de Parkinson deixa de frequentar ambientes p\u00fablicos por vergonha.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Em\u00edlio relata que no come\u00e7o de sua doen\u00e7a, o Parkinson o atingiu aos poucos mas que, com o tempo, os sintomas foram se intensificando. Felizmente, diz nunca ter sido v\u00edtima de preconceito devido \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o, mas destaca a import\u00e2ncia da inser\u00e7\u00e3o social de pessoas com algum tipo de debilita\u00e7\u00e3o. \u201cNo come\u00e7o o Parkinson vai judiando aos pouquinhos. Ele vai te pegando aos pouquinhos, vai te minando. \u00c9 dif\u00edcil porque ele afeta o emocional da gente, ent\u00e3o voc\u00ea tem que lutar com isso. Vem umas bobagens na cabe\u00e7a, a minha vida n\u00e3o vale nada, esse tipo de coisa. A\u00ed vem uma tal de paralimp\u00edada e mata todas as minhas teorias. Eu vejo gente sem bra\u00e7o, sem perna sendo campe\u00e3 de nata\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 uma coisa fant\u00e1stica. Esse tipo de coisa eu n\u00e3o posso nem me queixar que eu estou com Parkinson. Na pr\u00f3xima paralimp\u00edada, que \u00e9 daqui a dois anos, na Fran\u00e7a, voc\u00ea vai ver o n\u00famero de campe\u00f5es que vai surgir, ou medalh\u00e1veis, que nunca estiveram em competi\u00e7\u00e3o. Isso vai dar \u00e2nimo para essas pessoas praticarem esse tipo de atividade. A pessoa se sente integrada ao processo social. N\u00e3o se sentem discriminadas\u201d.<\/p>\n<p>O atleta ainda possui fortes dores nas costas, o que o prejudica na quest\u00e3o de locomo\u00e7\u00e3o. Mas, apesar desse sintoma, acredita ter melhorado consideravelmente ap\u00f3s a cirurgia, principalmente mentalmente. \u201cEstou cheio de caminhos no c\u00e9rebro. E melhorou, a minha cabe\u00e7a \u00e9 outra. Hoje estou mais aberto a conversar tranquilo, n\u00e3o tenho nenhum tipo de restri\u00e7\u00e3o. \u00c9 claro que estou mais lento, n\u00e3o posso sair correndo. Tenho que ter muito cuidado porque a sensa\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrio \u00e9 muito acentuada. J\u00e1 levei tombos, ent\u00e3o tem que se cuidar, mas todo mundo tem que se cuidar\u201d.<\/p>\n<p>Por n\u00e3o ser uma cirurgia capaz de curar o paciente, mas sim feita para amenizar os sintomas, Marina relata ser importante que haja um alinhamento de expectativas antes da realiza\u00e7\u00e3o do procedimento. \u201cTem sintomas que v\u00e3o melhorar, e tem sintomas que n\u00e3o v\u00e3o melhorar. Isso tem que ser alinhado, porque \u00e0s vezes o paciente quer melhorar a voz, e melhora\u00a0o tremor, e ele continua insatisfeito porque n\u00e3o melhorou a voz dele, ent\u00e3o isso a\u00ed \u00e9 uma coisa que tem que ser bem alinhada\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Marina, os principais sintomas que sofrem melhora com o DBS s\u00e3o o tremor, a lentid\u00e3o e a rigidez. A voz pode sofrer melhora caso seu sintoma esteja ligado ao travamento. Por esse motivo, mesmo ap\u00f3s a cirurgia, \u00e9 necess\u00e1rio continuar um tratamento medicamentoso, pois sua retirada pode aumentar o risco de problemas depressivos. Contudo, ap\u00f3s a cirurgia, o paciente consegue diminuir em at\u00e9 50% a quantidade de rem\u00e9dios consumida. A m\u00e9dica relata, que de acordo com um estudo publicado pela revista americana Neurology, um grupo de 52 pacientes que foram submetidos ao procedimento mantiveram os benef\u00edcios da cirurgia 15 anos ap\u00f3s sua realiza\u00e7\u00e3o. \u201cO DBS \u00e9 mais uma arma eficaz para controlar os sintomas. Ele n\u00e3o \u00e9 a cura, mas ele d\u00e1 uma possibilidade de controle de sintomas por um per\u00edodo muito maior do que a medica\u00e7\u00e3o sozinha. Ent\u00e3o j\u00e1 \u00e9 comprovado que os pacientes que t\u00eam DBS e medica\u00e7\u00e3o t\u00eam uma melhor qualidade de vida do que aqueles que t\u00eam s\u00f3 a medica\u00e7\u00e3o\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Com o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, o Parkinson ser\u00e1 cada vez mais frequente. Dados n\u00e3o oficiais* apontam que atualmente, no Brasil, entre 200 e 250 mil pessoas convivem com a doen\u00e7a. Por causar certo estigma devido aos seus sintomas, M\u00e1rio Em\u00edlio entende que em alguns casos ela pode levar o paciente a sentir vergonha de falar sobre o tema, mas o atleta acredita que o melhor a se fazer \u00e9 n\u00e3o esconder a situa\u00e7\u00e3o. \u201cSe voc\u00ea tem problemas de doen\u00e7a, c\u00e2ncer, Parkinson, fale sobre isso. N\u00e3o fique escondendo isso dos amigos, dos outros, por que ao falar isso voc\u00ea vai dar uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es para terceiros que n\u00e3o tem. E voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 nada culpado. N\u00e3o se sinta culpado por ser portador de doen\u00e7a. Isso faz parte da vida. Acontece, infelizmente. Ent\u00e3o eu acho melhor voc\u00ea conversar \u00a0por que isso me ajuda a ajudar os outros, e me ajuda tamb\u00e9m. Eu me sinto bem falando sobre esse tipo de problema porque faz parte da vida. A pessoa tem que ter essa consci\u00eancia de que n\u00e3o se deve mentir, esconder. Isso n\u00e3o traz benef\u00edcio nenhum, com certeza n\u00e3o traz\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Em\u00edlio tamb\u00e9m aponta a import\u00e2ncia de realizar exames frequentemente para garantir que doen\u00e7as sejam descobertas ainda em seu in\u00edcio. Para ele, essa \u00e9 uma das melhores formas de amenizar problemas incur\u00e1veis e de tratar precocemente doen\u00e7as que possam ser curadas. E, em caso da necessidade de cirurgia, M\u00e1rio Em\u00edlio entende que o melhor \u00e9 confiar no tratamento. \u201cN\u00e3o tenha medo porque \u00e9 melhor voc\u00ea ir embora daqui lutando do que tendo chance de fazer uma coisa diferente e n\u00e3o faz\u00ea-la&#8221;, aconselha.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Saude-Homem.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-6668  colorbox-6659\" src=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Saude-Homem-578x1024.png\" alt=\"Cirurgia cerebral que ameniza sintomas do Parkinson \u00e9 ofertada pelo SUS\" width=\"804\" height=\"1424\" data-id=\"6668\" srcset=\"https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Saude-Homem-578x1024.png 578w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Saude-Homem-169x300.png 169w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Saude-Homem-768x1361.png 768w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Saude-Homem-165x293.png 165w, https:\/\/www.vvale.com.br\/jornalocomercio\/files\/2022\/01\/Grafico-Saude-Homem.png 816w\" sizes=\"(max-width: 804px) 100vw, 804px\" \/><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong>Uma vida dedicada \u00e0 profiss\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>Marina fala com naturalidade sobre o procedimento de DBS, mas tamanha seguran\u00e7a \u00e9 resultado de anos de preparo. Durante a cirurgia s\u00e3o acionados neurocirurgi\u00f5es e neurologistas. Para se tornar um neurologista, o m\u00e9dico precisa passar pelos seis anos da faculdade de medicina e, ap\u00f3s, uma resid\u00eancia (esp\u00e9cie de especializa\u00e7\u00e3o) de tr\u00eas ou quatro anos em treinamento de movimentos multifuncionais com um m\u00e9dico especialista em movimentos anormais. J\u00e1 um neurocirurgi\u00e3o tamb\u00e9m realiza os seis anos da faculdade de medicina, faz mais cinco anos de resid\u00eancia em neurocirurgia e ap\u00f3s, caso queira ser especializado em cirurgias neurofuncionais, passa entre um a tr\u00eas anos focado neste tipo de procedimento. \u201cS\u00e3o, pelo menos, uns 12 anos de estudo\u201d, aponta Marina.<\/p>\n<p>Tantos anos dedicados ao aperfei\u00e7oamento profissional visam garantir maior seguran\u00e7a no tratamento do paciente. No caso do DBS, por exemplo, Marina relata que ao se colocar o eletrodo mil\u00edmetros fora do ponto indicado, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel program\u00e1-lo. Segundo a m\u00e9dica, o sucesso da cirurgia depende de tr\u00eas fatores:\u00a0indica\u00e7\u00e3o perfeita, implante perfeito e programa\u00e7\u00e3o perfeita do marcapasso. Se qualquer um desses tr\u00eas pontos falhar, a cirurgia pode fracassar.<\/p>\n<p>Para Marina, a op\u00e7\u00e3o pela neurologia foi praticamente um chamado. Foi logo no primeiro ano de faculdade que a paix\u00e3o pela \u00e1rea despertou. \u201cA quest\u00e3o do sistema nervoso sempre foi um fasc\u00ednio. Outra coisa que me ajudou a gostar, \u00e9 que eu sempre tive muita enxaqueca, minha vida inteira,\u00a0muita enxaqueca, ent\u00e3o eu me interessava por isso por causa da minha viv\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>No momento de decidir sua especialidade, Marina s\u00f3 prestou provas para neurologia. A escolha pela subespecialidade em movimentos anormais veio, entre outros fatores, pela admira\u00e7\u00e3o ao seu professor durante a resid\u00eancia, Renato Puppi Munhoz. \u201cEle era fora de s\u00e9rie como pessoa e como m\u00e9dico. Uma pessoa que estuda constantemente, uma pessoa que gosta de ensinar, uma pessoa que \u00e9 muito evolu\u00edda, ent\u00e3o eu acho que a minha admira\u00e7\u00e3o por ele me fez escolher a subespecialidade de movimentos anormais, eu acho n\u00e3o, eu tenho certeza. E o hospital que eu fiz resid\u00eancia \u00e9 muito forte no tratamento disso, que \u00e9 o Hospital Cajuru. Ent\u00e3o l\u00e1 eu tinha cirurgia DBS, eu tinha esse m\u00e9dico que hoje \u00e9 chefe de estimula\u00e7\u00e3o cerebral profunda em Toronto e \u00e9 um dos melhores nomes de DBS do mundo. Eu tive o privil\u00e9gio de aprender com ele. Ent\u00e3o eu tenho certeza que foi por isso que fui parar nesse canto e n\u00e3o foi em AVC, n\u00e3o foi em dor de cabe\u00e7a. Foi pelos mestres que eu fui encontrando no caminho\u201d, lembra.<\/p>\n<p>A profiss\u00e3o exige muito de quem opta por ela, mas Marina se diz fascinada pela carreira e pela capacidade que a cirurgia de DBS tem de ajudar os pacientes. Para ela, um m\u00e9dico interessado e dedicado faz a diferen\u00e7a na vida de quem est\u00e1 tratando uma doen\u00e7a. \u201cPor mais que seja muitas vezes penoso, doloroso e trabalhoso estudar, quando voc\u00ea faz o bem para quem est\u00e1 em volta de voc\u00ea \u00e9 a raz\u00e3o da tua vida valer a pena, porque se voc\u00ea n\u00e3o conseguir melhorar a vida das pessoas que est\u00e3o em volta de voc\u00ea o que que vai sobrar no final? Essa \u00e9 a marca que voc\u00ea deixa no mundo, o resto vai embora. O resto evapora, mas o bem que voc\u00ea coloca no cora\u00e7\u00e3o das pessoas, a melhora de uma pessoa que est\u00e1 sofrendo, o conforto do familiar de quem est\u00e1 vivendo aquela situa\u00e7\u00e3o, se voc\u00ea consegue amenizar \u00e9 isso, a sensa\u00e7\u00e3o que eu tenho \u00e9 de emo\u00e7\u00e3o. Ser m\u00e9dico \u00e9 uma coisa que n\u00e3o tem explica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><em>*O Brasil n\u00e3o realizou estudos para estimar a quantidade exata de pacientes com Parkinson no pa\u00eds. <\/em><\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center\"><strong>Para saber mais\u2026<\/strong><\/h2>\n<p>O assunto \u00e9 complexo, por isso o Jornal O Com\u00e9rcio indica as fontes usadas nesta reportagem para aqueles que tenham interesse em se aprofundar no tema:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.parkinson.org.br\/\"><u>https:\/\/www.parkinson.org.br\/<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.einstein.br\/doencas-sintomas\/parkinson\"><u>https:\/\/www.einstein.br\/doencas-sintomas\/parkinson<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3157831\/\"><u>https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3157831\/<\/u><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3785222\/\"><u>https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3785222\/<\/u><\/a><\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O esporte sempre teve um lugar na vida de M\u00e1rio Em\u00edlio da Silva, e foi no futebol que ele conquistou seus primeiros feitos. Jogando pelo Hava\u00ed, fez cinco gols em um \u00fanico jogo, o que, segundo seu relato, o d\u00e1 o t\u00edtulo de maior goleador em apenas uma partida pela Ta\u00e7a Paran\u00e1. 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