17 de Setembro de 2012 – Segunda-feira

 

A POLÊMICA DO PRECONCEITO – Em atenção à “denúncia” do professor Antônio Gomes da Costa Neto e de Humberto Adami (ambos de Brasília), apresentada em outubro de 2010, a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE) emitiu um parecer opinando no sentido de que o livro “Caçadas de Pedrinho”, escrito por Monteiro Lobato e publicado em 1933, deve ser proibido nas escolas públicas ou, ao menos, assinalado com o ferrão do racismo. Ao que parece instalou-se no Brasil um tribunal literário. Anotação: Num parêntesis, o assunto já foi resolvido pelo Ministério da Educação. Prosseguindo, vale lembrar a oportuna a manifestação de um comentarista, emitida anteriormente à solução do assunto: – “Na melhor das hipóteses, a editora deverá incluir uma “nota explicativa” nas passagens incriminadas de “preconceitos, estereótipos ou doutrinações”. (…). Incapaz de perceber a camada imaginária que se interpõe entre o autor e personagem, o CNE vê em “Caçadas de Pedrinho” preconceito de cor na passagem em que Tia Nastácia, construída por Monteiro Lobato como topo da bondade humana e da sabedoria popular, é supostamente discriminada pela desbocada boneca Emília, “a torneirinha de besteiras”, nas palavras do próprio autor: “É guerra, e guerra das boas”. “Não vai escapar ninguém – nem Tia Nastácia, que tem carne negra”. Escapou aos censores que, ao final do livro, exatamente no fecho de ouro, Tia Nastácia se adianta e impede Dona Benta de se alojar no carrinho puxado pelo rinoceronte: “Tenha paciência – dizia a boa criatura. Agora chegou minha vez: Negro também é gente, sinhá…”.

“MORALISMO” – “O historiador da arte Jorge Coli acusa a Academia Brasileira de Letras (ABL) de ter censurado a transmissão pela Internet de uma conferência sua com o título “Sexo não é mais o que era”, na última quarta-feira (12), no Teatro da ABL, no Rio de Janeiro. Ele tratava de questões como pornografia, erotismo e sexualidade no universo das artes quando a transmissão ao vivo foi suspensa. Professor da Universidade Estadual de Campinas, Jorge Coli divulgou no site da série de conferências, intitulada “O futuro não é mais o que era”, um texto em que diz que sua fala “sublinhava o caráter conservador do moralismo atual e criticava os puritanismos repressivos que oprimem o imaginário”. Procurada, na última sexta-feira (14), a ABL informou que a decisão de suspender a transmissão foi da Diretoria da Casa, que considerou o conteúdo inconveniente levando-se em consideração que menores integram o público-alvo de sua página”. (Fonte: Jornal Gazeta do Povo, de 15/09).

MAIOR DESTAQUE – Os escritores paranaenses têm agora um maior destaque em livraria de Curitiba. Na última sexta-feira, dia 14, a loja das Livrarias Curitiba (do Shopping Palladium, no Portão) e o Centro Paranaense Feminino de Cultura inauguraram o Espaço de Autores Paranaenses, dentro da loja. A iniciativa consiste em um estande com cerca de 70 títulos produzidos no Estado, entre obras dos mais diversos gêneros literários, publicadas por editoras e independentes, com o intuito de dar estímulo e apoio à produção paranaense, tanto da Capital como do interior.

A ÚLTIMA – Em qualquer eleição, além de candidato ficha limpa, é necessário eleitor compromissado com os bons princípios. (Odilon Muncinelli).

Beira do Iguaçu, Setembro de 2.012