Milho no Monjolo – 3 de Julho de 2020

PRAÇA CORONEL AMAZONAS – Inicialmente, é bom anotar que o local onde está o prédio da antiga FAFI, hoje UNESPAR, também fazia parte da primitiva Praça Coronel Amazonas. Em 1891, os primeiros moradores aproveitaram o espaço da Praça para a construção de um prado (ou raia) destinado a corridas de cavalos: o “Prado do Murici”. Em 1914, parte da Praça serviu de pista, com 400m, construída para os primeiros voos da Aviação Militar Brasileira durante a Guerra do Contestado. Ao final daquele Episódio, com a assinatura do Acordo de Limites entre Paraná e Santa Catarina (20-10-1916), a então Porto União da Vitória foi dividida pelos trilhos da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande do Sul. Daí em diante, a Praça Coronel Amazonas  passou a fazer parte do quadro urbano da nova União da Vitória. Para firmar presença no lado que lhe coube pelo Acordo de Limites, o Governo do Paraná investiu em algumas edificações no seu entorno: Igreja (a atual Catedral), Escola (o Grupo Escolar “Professor Serapião”, numa esquina), Fórum, Prefeitura e Delegacia (num único prédio noutra esquina) e o Hotel Paraná, mais tarde, consumido por um incêndio. (Diz o povo, para não ser tombado ao Patrimônio Histórico e Cultural). Em 1949, a Praça Coronel Amazonas recebeu tratamento paisagístico: ajardinamento com o plantio das primeiras árvores nativas, a colocação dos primeiros bancos, do Busto do Coronel Amazonas e do Mapa do Brasil, construído em cimento, num ato da Administração do Prefeito José Cleto (1947-1951). A Praça Coronel Amazonas é um espaço de memória histórica e cultural. Ali se presta homenagem à vida e a trajetória de um dos homens públicos mais importantes na formação e no desenvolvimento de União da Vitória: o Coronel Amazonas de Araújo Marcondes, o “Mauá Paranaense”.

ELE TESTEMUNHOU SOBRE A PRAÇA CORONEL AMAZONAS – “Cicero Muncinelli (falecido), viveu 98 anos participando e testemunhando a história local e regional. Tinha uma memória extraordinária. Uma corticeira de serra, que chamam de bico de papagaio, faz parte de 50 árvores que eu trouxe, de carroça, lá do meu sítio, em Porto Almeida, atendendo o pedido do Prefeito José Cleto, porque ele queria só árvores nativas da região. Eu trouxe mudas crescidas de cedros rosa, corticeiras, ipês amarelos, varaneira, carova, aroeiras, sassafrás, entre outras árvores. Algumas ainda estão aí. Isso foi em 1949”. (Texto ilustrado com fotografias escrito pelo professor e historiador Nivaldo Antônio Oliskovicz, antes da reforma feita anteriormente à atual da Praça Coronel Amazonas).

ENTREVISTA – 1. Sabemos que o ícone foi construído na gestão de José Cleto, qual seria o ano exato?  R. Sim, foi construído em 1949, na gestão do Prefeito José Cleto (07-12-1947 à 07-12-1951). 2. De quem partiu a ideia de construir e por qual motivo? R. A ideia foi do próprio Prefeito José Cleto, em Exaltação ao Brasil. 3. Qual a razão dele ter sido encoberto e como a população reagiu na época? R. Desconheço as razões para encobrir o Mapa. Hoje, entendo como falta de senso patriótico. 4. Qual a importância do Mapa Histórico para a cidade de União da Vitória? R. A importância está nas razões que objetivaram a construção do Mapa: A principal foi a Exaltação ao Brasil. “Em primeiro plano, no círculo, o Altar da Pátria, simbolizado pelo Mapa do Brasil, com as divisões em cores dos Estados, os nomes das suas capitais, etc.. Está orientado pelo meridiano verdadeiro”. (Relatório Geral do Período Administrativo do Prefeito José Cleto). (Entrevista concedida à estudante uniiversitária Raíssa  Antoscziczin).

 

Beira do Iguaçu, Julho de 2.020