Milho no Monjolo – 14 de Julho de 2020

“O AEROPORTO ZECA CLETO” – “Em Porto União existia um “campo de aviação” que abrigava uns teco-tecos, provavelmente uns Piper Cub ou coisa parecida. Mas um aeroporto digno de nome não havia até que sob a administração do (bom) Prefeito José Cleto foi construído um com pista de grama e comprimento de cerca de 1500 metros. Hoje uma pista como esta estaria fora de cogitação mas o aeroporto do Zeca Cleto (que tem realmente o nome oficial de Aeroporto José Cleto) sobreviveu e dispõe de uma bela pista pavimentada com capacidade de acolher aviões de médio porte. Mas, ainda, como naqueles tempos, não dispõe de instrumentos de auxilio à navegação. Nos idos de 1950 poucos aeroportos tinham ILS ou quaisquer outros instrumentos. As aterrissagens eram feitas na raça com os aviões toureando as nuvens e nos dias de mau tempo ficavam às vezes por horas procurando uma brecha para chegar à pista. Mas isto não impedia que o aeroporto Zeca Cleto tivesse um movimento digno de muitas capitais. Assim como era um entroncamento ferroviário, Porto União da Vitória ironicamente, também se tornou um entroncamento aeroviário. Como assim? Acontecia que os aviões que faziam a linha Rio de Janeiro até Porto Alegre escalavam respectivamente em São Paulo, Curitiba, Porto União, Passo Fundo (ou Carazinho). Na mesma hora em que partia o avião do Rio de Janeiro para Porto Alegre partia outro de Porto Alegre no sentido inverso e o ponto de encontro para almoço era, pasmem, em União da Vitória. Para isto existia um bom restaurante na casa de madeira que era o “terminal” do aeroporto. Aliás, o restaurante era bom mesmo pois detinha uma boa freguesia dos habitantes locais. Servia “comida caseira” isto é, feijão, arroz, bife, frango, salada. Tudo de boa qualidade… O resultado era um acúmulo de aviões no pátio do Zeca Cleto. As aeronaves eram do modelo famoso, o DC-3. No pico ficavam estacionados no pátio seis aviões. Dois da Varig, dois da Cruzeiro do Sul e dois da Real-Aerovias… Um show… Era programa dos porto-unionenses ir ver aviões, eu inclusive… As empresas aéreas mantinham lojas de venda de passagens na cidade sendo que a que eu mais me lembro era a da Cruzeiro do Sul comandada pelo Farid Domit, também dono da loja de tecidos Flor da Vitória. A loja de passagens era anexa e dispunha de condução (com o logo da Cruzeiro para levar os passageiros locais ao aeroporto). O Kemal Domit (filho do Farid e hoje um conceituado médico ortopedista radicado em Curitiba) era o chofer. Dizia-se que os passageiros tinham mais medo do trajeto até ao aeroporto do que dos vôos propriamente ditos em função da velocidade imprimida pelo Kemal na caminhonete… Com a retirada das subvenções às companhias aéreas, que resultou em grande aumento no preço das passagens e com a melhora das estradas e do transporte com ônibus, estas cenas desapareceram e hoje o Aeroporto José Cleto atende apenas vôos ocasionais de táxi aéreo e um ou outro avião da FAB”. (Especial para Coluna Milho no Monjolo, Texto de Guido Albano Guérios)

QUEM FOI JOSÉ CLETO? – Nascido no dia 22 de janeiro de 1901, em Clevelândia, Paraná, o empresário, cineasta e político José Cleto é considerado um dos pioneiros do cinema paranaense. No início do século XX, transferiu residência para a cidade de Porto União. Na década de 1920 constituiu a empresa Cleto Porto Film, uma produtora cinematográfica. Realizou no ano de 1928, o filme de média-metragem “Nossa Terra”, mostrando os aspectos das cidades de Porto União (SC) e União da Vitória (PR). Entre os anos de 1947 a 1951 exerceu o mandato de Prefeito de União da Vitória e imaugurou o Cine Luz (hoje Cine Teatro Luz “José Cleto”) no dia 06 de outubro de 1951. José Cleto morreu no dia 17 de outubro de 1960, em União da Vitória, Paraná, aos 59 anos e 8 meses.

Beira do Iguaçu, Julho de 2.020