Milho no Monjolo – 21 de Julho de 2020

O LUPANAR FLUTUANTE” – “Não se pode dizer que não existia criatividade em Porto União da Vitória. A ideia era na realidade ter, até como atração turística, um restaurante flutuante. Ancorado na margem do rio Iguaçu seria algo diferente. E realmente foi diferente… O restaurante foi instalado em uma barcaça parecida com as que recolhem areia do fundo do rio. Tinha algo como uns oito metros de largura com uns vinte de comprimento. Tinha dois andares acima do convés, janelas, porta larga e uma aparência agradável, pintado de amarelo na superestrutura e marrom no casco. Funcionou a contento durante um certo tempo ancorado perto do Clube Concórdia, uma área relativamente nobre de Porto União. Porém como a atividade de restaurante não se revelou rentável passou a ter música ao vivo e ter as características de um dancing. No início a clientela ainda era constituída de “gente séria” mas quando o entusiasmo destes fregueses também se revelou insuficiente para dar rentabilidade ao empreendimento, os empresários começaram a aceitar um padrão “mais baixo” de clientes. Daí para diante foi um pulo para a restaurante se tornar uma boate clássica do tipo inferninho. A reação das autoridades foi a de exigir que o barco boate se deslocasse para um local mais adequado para as suas novas características. O novo local de ancoragem foi na outra margem do rio a cerca de 500 metros a jusante da “Ponte Nova”, a famosa ponte em arco construída pelo Governo do Manoel Ribas em 1944. Este local era despovoado e se revelou adequado pois além de não incomodar vizinhos garantia uma certa privacidade à clientela. Além de danças foi adaptado para dispor de alguns cômodos para os casais gozarem da intimidade necessária para a atividade dita como a mais antiga do mundo. E qual foi o fim deste empreendimento? Eu diria que foi trágico. Conta a lenda que aconteceu um cerrado tiroteio a bordo e que com os furos no casco o barco naufragou. Na realidade a empresa faliu e o barco foi abandonado e apodreceu naquele local sossobrando por falta de manutenção. Não sei qual destino deram ao madeirame da barcaça…”. (Especial para a Coluna Milho no Monjolo, Texto de Guido Albano Guérios).

QUEM FOI O CONSTRUTOR? – A barcaça acima mencionada foi construída pelo armador Orlando Scheid, antigo morador de União da Vitória, Paraná. Antes, ele construiu uma porção de lanchas que singraram o majestoso Rio Iguaçu, inclusive a lancha “Iracema”, de sua propriedade. Orlando Scheid, já falecido, é tio deste Colunista.

REFLEXÃO – “A diferença entre a literatura e o jornalismo é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida”. (Oscar Wilde, ou nome completo Oscar Fingal O’Flahertie Wills Wilde, um influente escritor, poeta e dramaturgo irlandês. Nasceu no dia 16 de outubro de 1854, em Westland Row, Dublin, Irlanda. Morreu no dia 30 de novembro de 1900, em Paris, França.

A ÚLTIMA – A Coluna de hoje é dedicada ao pesquisador Mariano Filho que assina o apreciado blog “União da Vitória e Porto União – Memórias e Fotos Antigas”, que preserva e relembra o passado.

Beira do Iguaçu, Julho de 2.020