Doméstica paranaense mantida em cárcere privado por 20 anos é liberta em SP

(Foto: Reprodução/Bem Paraná).
(Foto: Reprodução/Bem Paraná).

A Polícia Civil libertou na noite desta segunda-feira, 24, uma mulher de 63 anos, que foi mantida em cárcere privado por pelo menos 20 anos em Vinhedo, interior de São Paulo. Ela é natural de Colorado, município do norte do Paraná, de onde ela saiu para trabalhar como empregada doméstica em Campinas, São Paulo, na década de 90.

A vítima era mantida em uma situação semelhante à escravidão, e era obrigada a cuidar da mãe da mulher que a prendeu, de 88 anos, sem receber nenhum salário ou benefício pela função. A idosa vivia em dois cômodos sem acesso à rua, e sem contato com o mundo externo. Ela saiu do Paraná para trabalhar na casa da família, e recebia o salário normalmente, mas quando o patriarca (marido da idosa que ela cuidava) faleceu, há 18 anos, foi quando começaram os abusos, privações e ameaças.

Mas por pelo menos 23 anos a família da vítima procurava por ela. Os policiais encontraram um registro de desaparecimento de pessoa datado de 1996 e, após buscas em bancos de dados e pela internet, localizaram uma das irmãs da idosa. Ela confirmou aos investigadores que o desaparecimento ocorreu há cerca de 30 anos e disse já ter investido dinheiro nas buscas, sem sucesso.

O casal que a mantinha em cativeiro usava ainda, uma conta no nome da senhora para aplicar golpes em comércios de um bairro da cidade. “Eles abriram a conta com a justificativa de pagar o salário dela, mas nunca pagaram, e começaram a dar cheques em lojas para praticar o estelionato”, explicou a delegada Denise Margarido.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, o casal e as idosas viviam em casas separadas, mas os suspeitos iam até a residência das mulheres todos os dias. A mulher tinha passagem por agressão na décadas de 1970 e o homem não tinha antecedentes criminais.

A idosa de 88 anos que era cuidada pela vítima estava muito debilitada, e foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo. Já a idosa que era mantida em cárcere privado, foi levada para um abrigo municipal, e um encontro com familiares será arranjado.

O casal foi preso e será indiciado por estelionato, tortura e cárcere privado.

 

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