Equipe médica realiza cirurgia de joelho inédita no Vale do Iguaçu

Na semana passada, o Hospital Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI) foi palco de uma cirurgia inédita no Vale do Iguaçu: a de prótese navegada de joelho. O procedimento foi capitaneado pelo médico ortopedista Lucas D’amico e pelo pai, Luiz D’amico, além de uma equipe de cerca de cinco profissionais.

Neste modelo de operação, a prótese é implantada com o auxílio de um computador. Para tanto, são colocadas espécies de antenas capazes de captar pontos anatômicos e mandar os dados para uma tela, permitindo que o cirurgião execute o procedimento com mais precisão. No caso de uma cirurgia no joelho, é preciso fazer um equilíbrio da articulação devido ao desgaste, que geralmente é desproporcional. Nesta situação, a navegação auxilia na liberação da parte que está mais presa. O método também permite que sejam feitas simulações com várias métricas para analisar qual será a mobilidade do paciente com a prótese. “A gente usa um parâmetro digital e consegue ver como vai ficar esse joelho, como era a extensão e flexão com artrose e como ficará após a prótese. A todo momento eu tenho informações para conseguir fazer uma prótese mais precisa, que tenha melhor alinhamento”, explica Lucas.

O ortopedista destaca os avanços tecnológicos na área da saúde, que permitiram que o procedimento – até poucos anos impossível de ser realizado em uma cidade do interior – chegasse ao Vale do Iguaçu. O equipamento utilizado para a prótese navegada de joelho não fica fixo no hospital, sendo trazido pela empresa que fornece o material da prótese sempre que o procedimento for realizado.

Para operar o equipamento, Lucas fez treinamentos no Rio de Janeiro, além de outros cursos para obter a certificação necessária. No momento, o software do aparelho só está habilitado para operações no joelho, mas a expectativa é de que em breve possa ser usado também para próteses de quadril.


Prótese de joelho

Lucas comenta que uma das coisas mais importantes para pacientes que precisam de uma prótese de joelho é o alinhamento entre a expectativa e a realidade da cirurgia. O procedimento geralmente é indicado quando há danos significativos na articulação. Uma vez implantada a prótese, a qualidade de vida do paciente tende a melhorar, mas deve-se ter em mente que algumas atividade físicas, como esportes de alto impacto, deverão ser evitadas. Também é necessário seguir todas as indicações médicas, respeitar o período de recuperação e realizar a fisioterapia.

Atualmente, no mercado, existem cinco tamanhos de prótese disponíveis. Para o implante, são medidos o fêmur e a tíbia para encontrar a prótese mais adequada para cada paciente. Ou seja, não existe um padrão único de implante. “Quando a gente faz a navegada, ela já dá o tamanho. Existe uma medida que a gente consegue ver o tamanho do fêmur com mais precisão. A navegada dá esse dado de tamanho da prótese”, completa Lucas.

Uma preocupação dos pacientes operados é a rejeição à prótese pelo corpo. O ortopedista relata que em algumas situações ou há infecção ou uma alergia, mas o corpo não expele a prótese, como o termo rejeição faz parecer. No caso das infecções bacterianas, trata-se o paciente com cirurgia.

Existem duas possibilidades nessa situação, segundo Lucas. Uma delas, quando a infecção é aguda, é abrir a prótese, lavar, trocar os componentes modulares e tratar com antibióticos. A segunda se dá quando a infecção é considerada crônica. Nesses casos a bactéria alojada na prótese cria um biofilme, uma espécie de casulo, que impede que o antibiótico chegue ao local. Para o tratamento desse tipo de infecção, pode ser indicada a remoção do implante para o tratamento e, após, uma nova cirurgia para reimplantar a prótese.

No caso de alergia, existem pacientes intolerantes ao metal utilizado na prótese. Para esses, é possível optar por materiais revestidos em ouro. “Existe alergia e infecção. Rejeição é um termo mais popular para dizer que a prótese está vazando e está sendo rejeitada pelo corpo, mas não é bem isso que acontece”.

Uma outra dúvida que pode surgir durante o processo do implante é a escolha entre a cirurgia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a rede particular. O grande diferencial entre as cirurgias é a qualidade da prótese utilizada. Enquanto o SUS utiliza as nacionais, redes particulares optam pelas próteses importadas, que podem custar cerca de R$ 11 mil.
Para Lucas, a decisão deve levar em conta a condição financeira e o estado de saúde do paciente. “É um tema delicado, porque quando se fala de dinheiro, nem todo mundo tem o dinheiro disponível para fazer uma prótese no particular. O meu conselho é: se você realmente não tem como fazer, não tem de onde tirar, eu acho que você tem que trabalhar dentro daquilo que você tem, ficar na fila e confiar que se faça em um lugar bem feito, procurar saber quem será o médico que vai te operar, construir essa confiança com o médico e saber o que foi feito, como foi feito, quem te operou. E quem puder ter um recurso, eu sempre digo, isso não é um gasto, é um investimento”.

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