Espaço Cultural: Corretor de Imóveis
Dia desses lembrei-me de uma profissão atualmente muito utilizada, dada a rotatividade do movimento imobiliário. Profissão que vem a exigir realização de cursos e avaliações específicas para possibilitar e facilitar a compra e venda de imóveis. Que ultrapassou a época da palavra válida pelo “fio de bigode”, por um recibo assinado e poucas vezes selado. O corretor era uma pessoa com conhecimento de matemática e um pouco de contábeis.
Lembro-me da minha infância (que já vai longe). Tínhamos um vizinho trabalhando no setor imobiliário, que percorria a região, buscando interessados em comprar ou vender propriedades.
Seu nome era Francisco Laubenbacher. Descendente de alemães, de religião evangélica luterana, nascido em 1900 e sempre residindo com sua esposa e três filhos, na casa de sua propriedade, a rua Quintino Bocaiúva, em Porto União. Fazia seu trabalho utilizando-se de uma charrete que, dada a sua construção, não mais esqueci.
Foram reutilizadas partes de um automóvel Chevrolet de 1925. Comprovando sua origem, a marca afixada na traseira do assento estofado e com molas. Os pneus de borracha, tudo para proporcionar o preciso conforto do charreteiro.
No rodar pelas ruas somente o trotar do cavalo puxador era ouvido. Um chicote depositado ao lado do condutor favorecia o típico visual pois nem sempre era usado.
Fazia a diversão da meninada quando, o sempre simpático condutor, parava e concedia uma carona, mesmo que fosse por alguns poucos metros de percurso. Fato esse por mim comprovado, inúmeras vezes, quando, no horário das refeições de almoço meus filhos, já a postos frente a nossa casa, acenavam para o charreteiro parar. Em poucos minutos, acomodados junto ao senhor Laubenbacher, desembarcavam, para a curta viagem. Voltavam correndo, felizes para o almoço, numa alegria tamanha, como se fosse uma viagem de volta ao mundo.
Com o tempo passando e aumentando a população, precisando comprar e vender imóveis, o senhor Laubenbacher estabeleceu-se num escritório sito na rua Prudente de Morais. Para deslocar-se de casa ao trabalho contava sempre com a bonita e confortável charrete.
Acometido por tenaz doença, seu Laubenbacher foi obrigado a deixar sua charrete, bem como o cavalo que a servia, num grande abrigo construído nos fundos da casa. O escritório, por algum tempo, esteve sob a responsabilidade de uma de suas filhas.
Infelizmente, aos 63 anos de vida profícua, e de muitos amigos, faleceu o senhor corretor Francisco Laubenbacher.
Hoje ao passar por uma placa de imobiliária ou telefone para contato de compra e venda de imóveis, não posso deixar de lembrar daquele senhor simpático que amava as crianças e compará-lo aos dias de hoje com a tecnologia que facilita a vida do corretor.


