Comportas de Foz do Areia: Entenda como a usina opera durante a cheia

Sempre que o nível do Rio Iguaçu sobe em União da Vitória e Porto União, uma pergunta volta a aparecer entre os moradores: as comportas da Usina de Foz do Areia estão abertas?

Nesta quarta-feira, 9, a resposta é sim.

De acordo com os dados da operação registrados às 10h, a Usina Hidrelétrica Governador Bento Munhoz da Rocha Netto, conhecida como Foz do Areia, estava operando com o reservatório na cota 738 metros. A cota máxima para operação é de 742 metros.

Naquele horário, chegavam ao reservatório aproximadamente 1.750 metros cúbicos de água por segundo (m³/s).

Desse volume, cerca de 1.070 m³/s estavam passando pelas turbinas para geração de energia, enquanto aproximadamente 755 m³/s eram liberados pelos vertedouros.

Esses números não são fixos. A operação da hidrelétrica é constantemente ajustada e as vazões podem variar de hora em hora, conforme a quantidade de água que chega ao reservatório, o nível da barragem, as previsões de chuva e as determinações operacionais do sistema elétrico.

Mas abrir as comportas aumenta a cheia em União da Vitória?

Essa é uma das principais dúvidas da população durante períodos de elevação do Rio Iguaçu.

Em entrevista concedida anteriormente ao Jornal O Comércio, a gerente de Gestão de Recursos Naturais da Copel, Mônica Irion Almeida, explicou que a abertura dos vertedouros faz parte de uma operação técnica e gradual.

Antes de utilizar os vertedouros, sempre que possível, a Copel busca criar espaço no reservatório utilizando a própria água para geração de energia, fazendo com que ela passe pelas turbinas.

Quando a geração já não é suficiente para administrar todo o volume de água que chega à barragem, os vertedouros passam a ser utilizados.

A abertura não acontece de uma só vez. Conforme explicou a Copel ao Jornal O Comércio, existem regras específicas para determinar quanto de água deve ser liberado, e as manobras são realizadas gradualmente, com simulações e avaliações feitas hora a hora ou até mesmo em intervalos menores.

Usina acompanha a água que vem da bacia

A operação de Foz do Areia não leva em consideração apenas o que está acontecendo imediatamente nas proximidades da barragem.

A Copel acompanha as previsões meteorológicas e transforma os volumes previstos de chuva em projeções de vazão para saber quanta água poderá chegar ao reservatório nos dias seguintes.

Esse acompanhamento é especialmente importante porque a água que passa por União da Vitória vem de uma extensa área da bacia do Rio Iguaçu.

Quando há previsão de muita chuva rio acima, a operação pode antecipar a necessidade de criar espaço no reservatório. Esse procedimento é chamado de rebaixamento dinâmico.

Na maioria das situações, esse espaço é aberto aumentando a geração de energia e fazendo mais água passar pelas turbinas. Somente quando necessário entram em operação também os vertedouros.

Vertedouro não é simplesmente uma “comporta aberta”

A imagem de grandes volumes de água passando pelos vertedouros costuma chamar atenção, principalmente durante períodos de cheia.

Mas a abertura não significa que toda a água armazenada no reservatório esteja sendo simplesmente liberada.

Parte da água passa pelas turbinas e gera eletricidade. Outra parte pode passar pelos vertedouros para controlar o nível do reservatório.

Às 10h desta quarta-feira, por exemplo, o reservatório estava na cota 738 metros, ainda quatro metros abaixo do limite máximo operacional de 742 metros.

Os dados daquele momento apontavam:

  • Cota do reservatório: 738 metros;
  • Cota máxima operacional: 742 metros;
  • Vazão chegando à usina: cerca de 1.750 m³/s;
  • Vazão utilizada na geração de energia: aproximadamente 1.070 m³/s;
  • Vazão pelos vertedouros: aproximadamente 755 m³/s.

A soma da água liberada pelas turbinas e pelos vertedouros pode, em determinados momentos, ser maior do que a vazão que está chegando à usina. Isso acontece porque o reservatório também possui água armazenada e sua operação pode utilizar parte desse volume para controlar a cota.

Operação é acompanhada 24 horas

Foz do Areia é operada e monitorada continuamente. A Copel mantém equipes trabalhando 24 horas por dia e a operação é coordenada com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

O monitoramento inclui informações meteorológicas, níveis dos rios, volume armazenado no reservatório e previsões de vazão.

Segundo a Copel, durante eventos de cheia, a estratégia adotada busca administrar a passagem da água pelo sistema sem provocar agravamento artificial dos níveis registrados na região de União da Vitória e também sem criar uma cheia artificial nas localidades situadas abaixo da barragem.

Por isso, durante períodos de chuva intensa, os números de Foz do Areia podem mudar diversas vezes ao longo do mesmo dia.

Assim, a pergunta “as comportas estão abertas?” tem uma resposta simples nesta quarta-feira: sim.

Mas o volume liberado pelos vertedouros é apenas uma parte de uma operação muito mais ampla, que envolve geração de energia, armazenamento, previsão de chuvas e controle contínuo da quantidade de água que percorre o Rio Iguaçu.

Usina de Foz do Areia é uma das maiores do subsistema Sul de geração de energia