Setembro Amarelo amplia debate sobre saúde mental no Vale do Iguaçu
O Setembro Amarelo amplia, durante o mês de setembro, as discussões sobre saúde mental, prevenção ao suicídio e valorização da vida. No Vale do Iguaçu, o tema também coloca em evidência o trabalho desenvolvido ao longo de todo o ano pelo União Pró-Vida, grupo que oferece acolhimento e apoio emocional à população.
A iniciativa mantém atendimento na Estação Rodoviária de Porto União e também por telefone. O trabalho é realizado por voluntários capacitados para ouvir pessoas que estejam passando por momentos de sofrimento emocional.
De acordo com o voluntário Jonas, o grupo tem origem na atuação do Centro de Valorização da Vida (CVV) na região. O serviço começou em 2004 e permaneceu vinculado ao CVV até 2009. Após um período de interrupção provocado pela falta de voluntários, a atividade foi retomada em 2017 com o nome União Pró-Vida.
Atualmente, o grupo possui 15 voluntários. Segundo Jonas, para ampliar a estrutura de atendimento seria necessário chegar a aproximadamente 80 integrantes.
O trabalho utiliza como referência a abordagem centrada na pessoa, desenvolvida pelo psicólogo Carl Rogers. Jonas destaca que os voluntários não são psicólogos e que a equipe é formada por pessoas de diferentes áreas.
Atendimento
O União Pró-Vida oferece atendimento presencial na Estação Rodoviária de Porto União, das 8h às 18h. Também é possível entrar em contato por telefone.
O número (42) 98815-6081 atende durante o horário comercial. Já o (42) 98890-0279 funciona 24 horas por dia.
O serviço é gratuito e baseado no sigilo das informações compartilhadas durante o atendimento. A proposta é oferecer um espaço de escuta e conversa para pessoas que estejam enfrentando dificuldades emocionais.
Capacitação é necessária para atuar como voluntário
Jonas explica que os interessados em integrar o grupo passam por um processo de capacitação. O treinamento busca preparar os voluntários para lidar com diferentes situações durante os atendimentos.
Segundo ele, boa vontade para ajudar é importante, mas não é suficiente para exercer a função. O voluntário precisa estar preparado emocionalmente para ouvir pessoas que podem estar enfrentando momentos de sofrimento.
A equipe também busca ampliar o número de integrantes para conseguir atender a demanda existente na região.
Setembro amplia procura por palestras
Apesar de atuar durante todo o ano, o grupo registra aumento na procura por palestras e atividades de conscientização a partir do período que antecede o Setembro Amarelo.
Jonas relata que os pedidos começam a chegar ainda em agosto e que a quantidade de solicitações nem sempre pode ser atendida devido ao número limitado de voluntários.
Em uma das palestras realizadas pelo grupo, para um público de aproximadamente 500 pessoas, oito participantes procuraram atendimento individual após a atividade. Segundo o voluntário, entre esses relatos havia pessoas que apresentavam pensamentos relacionados ao suicídio.
Para o União Pró-Vida, situações como essa mostram que ações de conscientização precisam estar acompanhadas de pessoas preparadas para acolher quem procura ajuda.
Escuta e busca por ajuda
Durante a entrevista, Jonas também destacou mudanças percebidas ao longo dos anos em relação aos temas relacionados ao sofrimento emocional. Ele citou situações envolvendo solidão, depressão e ansiedade e ressaltou a importância de familiares e amigos estarem atentos a sinais de sofrimento.
A proposta do União Pró-Vida, segundo o voluntário, é oferecer uma escuta inicial e acolhedora, sem substituir o atendimento realizado por profissionais da área da saúde.
A orientação é que pessoas que estejam enfrentando sofrimento emocional procurem ajuda. Familiares e amigos também podem contribuir ao oferecer escuta e incentivar a busca por atendimento especializado.



