Quase 3,6 mil pacientes faltaram a consultas no CISVALI em seis meses
Você já parou para pensar que, ao faltar a uma consulta médica sem avisar, pode estar deixando outra pessoa sem atendimento?
Essa é a preocupação do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Iguaçu (CISVALI), que registrou aproximadamente 3.600 ausências em consultas especializadas somente no primeiro semestre de 2026.
O número chama a atenção e revela um problema que vai muito além dos consultórios vazios. Cada horário perdido representa uma oportunidade de atendimento que poderia ter sido aproveitada por outro paciente que aguarda uma consulta, muitas vezes há semanas ou meses.
De acordo com os dados apresentados pelo secretário executivo do CISVALI, Diego Brittes, em entrevista ao Jornal O Comércio, o consórcio ofertou aproximadamente 23.500 consultas especializadas entre janeiro e junho deste ano. Desse total, cerca de 3.600 não foram realizadas devido à ausência dos pacientes agendados.
Isso significa que aproximadamente 15,3% das consultas ofertadas não foram aproveitadas, uma proporção equivalente a praticamente uma falta a cada sete horários disponibilizados.
Para dimensionar o problema, o secretário faz uma comparação preocupante: o volume de ausências equivale a quase um mês inteiro de consultas perdidas.
“Você sabia que a consulta que você falta faz falta para alguém?”, questiona Brittes, ao chamar a atenção da população para a importância do comparecimento aos atendimentos agendados.
O que é o CISVALI e quais municípios são atendidos?
O CISVALI é o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Iguaçu, uma entidade pública que reúne os nove municípios pertencentes à 6ª Regional de Saúde do Paraná, com sede em União da Vitória.
Integram o consórcio os municípios de Antônio Olinto, Bituruna, Cruz Machado, General Carneiro, Paula Freitas, Paulo Frontin, Porto Vitória, São Mateus do Sul e União da Vitória.
O objetivo do consórcio é ampliar o acesso da população aos serviços especializados de saúde, permitindo que os municípios atuem de forma conjunta na oferta de consultas, exames e procedimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, segundo o secretário executivo, o CISVALI conta com mais de 20 especialidades médicas credenciadas, oferecendo atendimento gratuito aos pacientes encaminhados pela rede pública de saúde.
O trabalho é especialmente importante para os municípios menores, que, individualmente, poderiam enfrentar maiores dificuldades para disponibilizar determinadas especialidades médicas.
Por meio da estrutura regional, os serviços são compartilhados, buscando facilitar o acesso da população aos profissionais especializados.
Quando um paciente falta, outras pessoas são prejudicadas
A ausência em uma consulta agendada, principalmente quando não é comunicada antecipadamente, provoca consequências para todo o sistema de atendimento.
O horário reservado deixa de ser utilizado, o profissional permanece com uma vaga não aproveitada e outro paciente, que poderia ser chamado, continua aguardando.
Além disso, as faltas dificultam o planejamento das agendas médicas e podem contribuir para prolongar o tempo de espera por atendimentos especializados.
O problema se torna ainda mais preocupante quando envolve pessoas que necessitam de acompanhamento médico, investigação de doenças ou avaliação especializada para dar continuidade a um tratamento.
Embora imprevistos possam acontecer, a orientação é que o paciente informe com antecedência quando souber que não poderá comparecer. Dessa forma, a equipe responsável pelo agendamento poderá avaliar a possibilidade de disponibilizar o horário para outra pessoa.
Quase um mês inteiro de atendimentos desperdiçados
Os números ajudam a compreender a dimensão do desafio enfrentado pelo consórcio. Em média, foram cerca de 600 ausências por mês durante o primeiro semestre, o equivalente a aproximadamente 20 consultas perdidas por dia corrido.
O impacto não se limita aos números. Por trás de cada consulta não realizada pode existir outra pessoa esperando uma oportunidade para receber atendimento médico especializado.
“Por trás de cada horário perdido existe alguém esperando para cuidar da saúde”, destaca Diego Brittes.
Avisar também é uma forma de cuidar do próximo
A mensagem do CISVALI à população é simples: comparecer à consulta agendada é fundamental, mas comunicar uma impossibilidade também faz diferença.
Caso o paciente não possa comparecer por motivos pessoais, dificuldades de deslocamento ou qualquer outro imprevisto, é importante procurar o setor responsável pelo agendamento em seu município e comunicar a situação o quanto antes.
A medida contribui para a organização dos atendimentos e pode permitir o aproveitamento da vaga, conforme a disponibilidade e os procedimentos adotados pelos serviços de saúde.
O secretário executivo reforça que a colaboração dos pacientes é essencial para melhorar o funcionamento da rede pública.
“A sua presença importa muito para nós, mas o seu aviso também”, afirma.
A orientação vale para moradores de todos os nove municípios atendidos pelo consórcio. Afinal, o funcionamento da rede especializada depende não apenas da disponibilidade de profissionais e da organização dos serviços, mas também do compromisso de quem recebe um agendamento.





