A cada 10 minutos, um adolescente se autoagride no Brasil; prevenção é essencial
A cada 10 minutos, pelo menos um adolescente com idade entre 10 e 19 anos se envolve em casos de autoagressão no Brasil. Os dados, divulgados na segunda-feira, 22, pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), indicam que a violência autoprovocada entre jovens é um problema crescente, que exige atenção de famílias, escolas e profissionais de saúde.
O levantamento foi realizado com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que reúne registros da rede de atenção à saúde e, em alguns municípios, informações de escolas e centros de assistência social. Nos últimos dois anos, a média diária de atendimentos a adolescentes chegou a 137 casos, englobando tanto situações de autolesão quanto tentativas de suicídio.
O Sul do país acompanha a média nacional, com 19.653 casos registrados, sendo o Paraná o estado com maior número de ocorrências (8.417). Especialistas alertam que a subnotificação é um problema sério, pois muitos casos não chegam a ser registrados oficialmente, dificultando a implementação de políticas públicas e ações de prevenção efetivas.
Sinais de alerta e fatores de risco
Segundo profissionais da área, os sinais de alerta para adolescentes em situação de risco incluem tristeza persistente, isolamento social, abandono de atividades antes prazerosas, uso de roupas para esconder marcas de ferimentos e comportamentos de risco.
O voluntário Érico, da União Pró-Vida, organização que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso em União da Vitória e Porto União, destaca que fatores de risco são diversos e frequentemente combinados: “Drogas ilícitas, falta de acolhimento familiar, pressão excessiva nos estudos, abuso sexual e violência doméstica são alguns dos principais fatores que levam os jovens à autolesão e ao suicídio”.
A adolescência é um período marcado por intensas mudanças emocionais e comportamentais, tornando os jovens mais vulneráveis. A orientação sexual, questões de identidade e conflitos familiares também podem aumentar o risco de episódios de desespero e autolesão.
O papel da família, escolas e comunidade
Para especialistas, a prevenção passa pelo diálogo aberto e pelo acompanhamento constante. Érico reforça a importância de os pais e familiares estarem presentes: “Marcar presença na vida dos filhos antes que a situação se torne insustentável é essencial. Criar um ambiente de confiança, sem censura, é a melhor forma de prevenção”.
As escolas também desempenham papel central, identificando sinais de sofrimento entre estudantes e encaminhando casos para acompanhamento especializado. Programas de orientação e projetos de prevenção ao suicídio são cada vez mais implementados, com o objetivo de reduzir o número de ocorrências e oferecer suporte psicológico adequado.
Setembro Amarelo e campanhas de conscientização
O Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio, reforça a necessidade de campanhas de conscientização e de ações que promovam o acolhimento e a valorização da vida. Organizações como a União Pró-Vida oferecem suporte emocional gratuito e sigiloso, atuando diretamente na prevenção e no acompanhamento de jovens em risco.
Érico enfatiza que pequenas ações podem salvar vidas: “Conversar é a melhor solução. Estar presente, ouvir e demonstrar amor desde cedo ajuda o adolescente a sentir que não está sozinho”.
Conclusão
Com dados alarmantes e um cenário que exige atenção constante, a sociedade é chamada a atuar de forma integrada. Famílias, escolas, órgãos de saúde e voluntários precisam trabalhar juntos para identificar sinais de risco, oferecer acolhimento e criar estratégias de prevenção que reduzam o número de adolescentes em situação de vulnerabilidade.
A cada 10 minutos, um jovem precisa ser ouvido, amparado e protegido. A prevenção, segundo especialistas, começa com atenção, empatia e diálogo aberto.



