Caso Brenda: empresa que gere a UPA fala em apuração rigorosa

(Foto: Instituto Humaniza).

O diretor médico do Instituto Humaniza, Marcelo Targas, se manifestou publicamente nessa segunda-feira, 26, sobre a morte da adolescente Brenda Rodrigues, ocorrida em 19 de janeiro, após atendimentos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Warrib Motta, em União da Vitória. A empresa é responsável pela gestão da unidade por meio de contrato com a Prefeitura. Familiares da jovem alegam possível negligência no atendimento prestado antes da internação hospitalar.

A coletiva de imprensa foi concedida após uma reunião na Prefeitura, que contou com a participação do prefeito em exercício, Claudiomir Toco, da secretária municipal de Saúde, Sonia Regina Guzzoni Drozda, e de vereadores.

Durante o encontro, além do caso envolvendo a adolescente, parlamentares também relataram outras situações relacionadas ao funcionamento e aos atendimentos realizados na UPA.

Clima de pesar e respeito à família

Logo no início de sua fala, Marcelo Targas ressaltou o caráter delicado do momento e afirmou que a empresa acompanha o caso com profundo pesar.

“Não existe outro sentimento possível além da tristeza. A dor da família é legítima, precisa ser respeitada e acolhida”, declarou.

Diretor médico do Instituto Humaniza, Marcelo Targas

Segundo ele, desde que tomou conhecimento do desfecho, o Instituto Humaniza passou a analisar detalhadamente os atendimentos realizados dentro do ambiente sob sua responsabilidade. O diretor reforçou que não fará comentários sobre procedimentos adotados em outros serviços de saúde. “Não cabe a nós julgar ou opinar sobre fatos ocorridos fora do local que administramos”, afirmou.

Apuração judicial e ética médica

Targas confirmou que o caso já é alvo de investigação da Polícia Civil, a partir do registro de boletim de ocorrência. Essa apuração deverá reunir prontuários, ouvir profissionais envolvidos e analisar laudos periciais. Paralelamente, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) deve instaurar sindicância própria para avaliar eventual falha técnica, imprudência ou negligência, bem como as condições de trabalho oferecidas aos médicos.

“Qualquer manifestação técnica agora seria precipitada. Não é o momento de fazer juízo de valor. O que se busca é a verdade, com base em fatos e perícias”, pontuou o diretor.

Profissionais afastados preventivamente

Durante a coletiva, o representante do Instituto Humaniza informou que os profissionais diretamente envolvidos no atendimento que antecedeu o desfecho fatal foram afastados de forma temporária. A medida, segundo ele, tem caráter preventivo e visa garantir a lisura do processo investigativo. “É uma forma de preservar tanto a apuração quanto o direito de defesa dos profissionais”, explicou.

Protocolos e estrutura da unidade

O diretor destacou que a UPA segue os protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS), definidos pelo Ministério da Saúde, especialmente no que diz respeito à estratificação de risco. “São normas nacionais, aplicadas em todo o Brasil. Não são protocolos da empresa nem do município”, afirmou.

Sobre a estrutura física, Targas esclareceu que a UPA de União da Vitória é classificada como unidade de porte 1, o que não exige, por regra ministerial, equipamentos como raio-x. Conforme explicou, exames complementares são realizados por meio de serviços terceirizados contratados pelo município.

“Sempre que solicitados, esses exames são realizados. Não há desassistência”, garantiu.

Fluxo de atendimento e capacitação

Outro ponto abordado foi a sobrecarga enfrentada pelas UPAs em todo o país. De acordo com Targas, a maior parte dos atendimentos poderia ser resolvida na atenção básica.

“Cerca de 80% dos casos não são de urgência ou emergência. Isso impacta diretamente o fluxo e o tempo de atendimento”, afirmou, defendendo ações de orientação à população.

Ele também destacou investimentos em capacitação médica, incluindo cursos de certificação, e ressaltou que o Instituto Humaniza trabalha com empresas especializadas na prestação de serviços médicos.

“Contratar médicos é um desafio nacional, mas buscamos manter equipes qualificadas e em constante atualização”, disse.

Prudência e expectativa por esclarecimentos

Ao ser questionado sobre o fato de a adolescente ter buscado atendimento mais de uma vez na UPA, Targas confirmou que houve três passagens pela unidade, mas reforçou que não fará análises clínicas neste momento.

“Essas respostas virão com as perícias e com as conclusões das investigações”, afirmou.

Encerrando sua fala, o diretor do Instituto Humaniza voltou a manifestar solidariedade à família de Brenda Rodrigues.

“Nada vai reparar essa perda. O que nos cabe agora é colaborar integralmente com as investigações e trabalhar para que situações como essa não voltem a acontecer”, concluiu.

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