Frio representa risco para a saúde do coração; saiba como se proteger
Quando as temperaturas caem, os cuidados com a saúde do coração precisam aumentar. No inverno, o risco de infarto pode ser até 30% maior do que em outras épocas do ano, segundo o Hospital do Coração (HCOR) de São Paulo.
A causa, segundo o cardiologista Cezar Augusto Pinto Lemos, é a diferença térmica com a qual o corpo tem que lidar. “Nosso organismo está habituado a uma temperatura de em média 36,5 graus centígrados. Em nossa região, durante o inverno, a temperatura cai muito, frequentemente até abaixo de zero. Isto provoca, quanto maior o frio, reações que representam, por exemplo, o estreitamento das artérias. As artérias se estreitando aumentam a pressão arterial e aceleram o coração. Para as pessoas que já têm doença cardíaca, isto é muito ruim e pode provocar efeitos às vezes graves sobre a saúde. Pode agir de forma importante sobre crianças, jovens, adultos ou idosos”, explica.
De acordo com o médico, nas baixas temperaturas observa-se mais crises de pressão alta, mais infartos e mais acidentes vasculares cerebrais (AVC), além de ser uma época com maior incidência de viroses e infecções respiratórias, que podem prejudicar o coração e trazer complicações para o órgão.
No período de outono e inverno, também se registra um aumento nos casos de morte súbita. “No frio excessivo as alterações das artérias que se estreitam, a elevação da pressão arterial e a aceleração do coração aumentam os casos de morte súbita e de internação hospitalar por infarto e acidente vascular cerebral. Estudos feitos no Brasil e na Inglaterra, em grandes centros, mostram um aumento de incidência 3 a 4 vezes maior. Em São Paulo observaram 30% a mais internações hospitalares por estas causas entre os meses de junho e agosto”, comenta Cezar.
Os principais sintomas de que há algo errado são a falta de ar, dor no peito, palpitações e aceleração do coração, além de dores de cabeça e tremores musculares. “Perda de sono, calafrios muito intensos e sem controle devem ser sinal de alerta”, reforça o cardiologista.
Uma vez que se perceba os sintomas, procurar ajuda médica é crucial. “Vá a um pronto socorro, UPA ou hospital. Em dias normais procure o seu médico de confiança ou Unidade Básica de Saúde. Não espere se agravar”, completa Cezar.
Como se proteger
Evitar se expor ao frio e estar bem agasalhado são estratégias que auxiliam na prevenção dos problemas citados, quando esses são motivados pelo frio. Cezar indica que é importante proteger a cabeça, as mãos, os pés e o rosto, que são as extremidades reguladoras de temperatura do corpo. Mudar os horários da prática de atividade física para evitar horários mais frios também é recomendado. Além disso, é necessário estar sempre bem hidratado. “Procure permanecer em ambientes protegidos do frio. Não saia de ambientes aquecidos de súbito, principalmente sem estar bem agasalhado. Recolha-se mais cedo, repouse mais, alimente-se bem para que o corpo consiga manter o seu calor. Nesta época do ano é muito bom tomar sopas quentes, chás quentes, o que vem muito bem. Isto ajuda o corpo a manter o calor interno. Mas cuidado, não use bebidas alcoólicas, pois elas não aquecem. Esta ideia é errada, o álcool tira a sensibilidade ao frio, ele não aquece. Então, ele é maléfico para o organismo, enfraquece e diminui a imunidade, a resistência”, orienta o médico.
Cezar também recomenda que as pessoas que tomam medicamentos precisam conversar com o médico de confiança para saber se há necessidade de ajustar a dose, uma vez que as baixas temperaturas podem alterar o efeito dos remédios, fazendo com que não tenham o efeito desejado.
“Muito importante: quem está vacinado contra a gripe, pneumonia e outras doenças, está mais bem protegido. Diminui muito, mas muito mesmo, o número de internações por pneumonia, insuficiência cardíaca, infarto, arritmias cardíacas, crises de pressão alta e derrames entre as pessoas vacinadas”, alerta o cardiologista.
Cuidados devem ser constantes
O inverno pode ser um fator de risco, mas não é apenas nas épocas mais frias que precisamos cuidar da saúde. Cezar indica que é importante ficar atento à respiração e a capacidade de fazer exercícios, de caminhar e de realizar as tarefas a que se está habituado. Dores de cabeça ou no peito, aceleração das batidas do coração e inchaço nas pernas podem ser indicativo de que há algo errado.
Cezar completa com outras recomendações que devem ser observadas durante todo o ano. “ Manter o peso corporal dentro das medidas, realizar exercícios físicos regularmente, avaliar se tem alguma alteração no sangue (diabetes, colesterol alto, ácido úrico, doença da tireóide ou outras que possam prejudicar). Não fumar, não usar drogas ilícitas, não beber álcool demais, combater o stress emocional. E,a partir dos 35 anos, é importante fazer consultas com o seu clínico ou médico de confiança”.




