Ginástica na terceira idade: exercício ajuda a preservar autonomia e qualidade de vida

Envelhecer não precisa significar reduzir o ritmo ou abrir mão da autonomia. A prática regular de exercícios físicos pode contribuir para a manutenção da força muscular, do equilíbrio, da mobilidade e da capacidade de realizar atividades cotidianas. Mais do que uma questão estética, a atividade física na terceira idade está relacionada à independência e à qualidade de vida.

Para o personal trainer Waldir Aliot Jr., colunista da FM Verde Vale 94.1, o principal objetivo do exercício nessa fase da vida deve ser ajudar o idoso a continuar realizando as tarefas que fazem parte de sua rotina.

“Eu sempre digo que o objetivo não é simplesmente fazer o idoso se exercitar. É fazer com que ele consiga continuar realizando aquilo que é importante para a sua vida: caminhar, levantar de uma cadeira, subir uma escada, carregar suas compras e manter sua independência”, explica.

Segundo Aliot, não existe uma atividade que possa ser considerada ideal para todas as pessoas acima dos 60 anos. O treinamento deve levar em conta as condições físicas, limitações, necessidades e objetivos individuais.

Entre os componentes que merecem atenção estão força muscular, equilíbrio, mobilidade e capacidade cardiorrespiratória. Caminhadas e outras atividades aeróbicas podem fazer parte da rotina, mas o profissional destaca que o fortalecimento muscular e o trabalho de equilíbrio também são importantes para a capacidade funcional.

“O mais importante é que o exercício seja individualizado e progressivo, respeitando as limitações e os objetivos de cada idoso”, afirma.

Começar com segurança

Para quem passou muitos anos sem praticar exercícios, a orientação é evitar mudanças bruscas na rotina. Antes de iniciar uma atividade, é importante considerar o histórico de saúde, medicamentos utilizados, possíveis doenças, dores e o nível atual de condicionamento físico.

Em casos de sedentarismo ou de condições crônicas de saúde, a avaliação e a orientação de profissionais habilitados são especialmente importantes. A partir dessa análise, o treinamento pode ser planejado de acordo com a capacidade de cada pessoa.

“No Método ALIOT 60+, eu trabalho justamente com essa lógica: primeiro avaliar, depois interpretar e classificar, para então prescrever o exercício de maneira segura e individualizada”, complementa Waldir.

A progressão também deve ser gradual. Segundo o profissional, tanto a falta de estímulo quanto o excesso podem ser prejudiciais. Para quem está começando, aumentar a carga ou a intensidade rapidamente pode elevar o risco de lesões.

Outro cuidado é evitar comparações. O ritmo de um idoso não necessariamente será o mesmo de outro, mesmo que tenham idades semelhantes.

Trinta anos de atividade

Um exemplo de como a atividade física pode se incorporar à rotina ao longo dos anos é o de Nordi Peruzzo, de 81 anos. Ele pratica exercícios regularmente há aproximadamente três décadas. Antes de entrar na academia, Peruzzo conta que praticava esportes apenas ocasionalmente, principalmente nos fins de semana. A busca por uma atividade mais constante o levou a iniciar os treinos.

“Antes, eu praticava esportes só nos fins de semana, jogava um pouquinho ali e aqui, mas era muito pouco”, diz.

A rotina permaneceu ao longo dos anos. Atualmente, o aposentado frequenta a academia três vezes por semana e acrescenta caminhadas diárias ao seu dia a dia, percorrendo cerca de cinco quilômetros.

“Graças a Deus, estou muito bem e sigo firme nessa rotina”, afirma.

Aliot e Nordi (ARQUIVO PESSOAL)

Mais disposição para o dia a dia

Para Peruzzo, os efeitos da atividade física vão além da condição corporal. Ele relata mudanças na disposição, na respiração e na forma de realizar as tarefas cotidianas.

“Depois que comecei a me exercitar, percebi uma melhora completa. Resolveu tudo: renovou o meu espírito, a minha vontade de fazer as coisas e até a minha respiração mudou muito”, comenta.

O aposentado também associa a prática dos exercícios a uma melhora na maneira de lidar com o estresse.

“No passado, eu era uma pessoa muito estressada, e o exercício me ajudou bastante com isso”, conta.

A percepção de bem-estar também está ligada à convivência com outras pessoas durante as atividades. Para Peruzzo, participar das aulas e estar em grupo é parte importante da experiência.

“A convivência com as outras pessoas durante as aulas é simplesmente uma maravilha! É um momento de puro relaxamento e isso é extremamente importante para mim”, otimiza.

Segundo ele, o contato social contribui para tornar a rotina mais agradável.

“Estar ali no grupo me ajuda em tudo: desopila a mente, enriquece a rotina e faz muito bem”, destaca.

Exercício como parte do envelhecimento ativo

Para Waldir Aliot Jr., a atividade física deve ser encarada como uma ferramenta para preservar a participação e a independência do idoso, e não apenas como uma prática esportiva.

“O exercício para o idoso não deve ser escolhido apenas pela idade, mas principalmente pela sua capacidade funcional, suas necessidades e seus objetivos”, ressalta.

A recomendação é que a prática seja incorporada de maneira progressiva e compatível com as condições de cada pessoa. Nesse processo, força, equilíbrio, mobilidade e resistência podem ser trabalhados de forma combinada. A experiência de Nordi mostra que a atividade física também pode se transformar em hábito duradouro. Depois de cerca de 30 anos de exercícios, aos 81, ele mantém uma rotina que combina academia e caminhada.

Aos idosos que ainda não deram o primeiro passo, o conselho de Peruzzo é direto: “Comecem. É muito bom fazer atividades físicas, pois ajuda em absolutamente tudo na vida. O principal benefício, acima de tudo, é a paz de espírito que isso nos traz.”